Matéria originalmente publicada em 16 de março de 2016
"Schweinsteiger é um real estrategista com um bom passe. Gündogan e Toni Kroos me impressionam. Acima de todos, para mim, está o Xavi (...) Xavi não é o melhor fisicamente, mas é inteligente no jogo e tem uma técnica superior."
Foi isso o que falou Joshua Kimmich ao jornal alemão Bild em 2013 para descrever o seu grande modelo em campo. A referência, mais do que à qualidade futebolística, se dá também pela semelhança entre o atleta do Bayern de Munique (que naquele momento estava no RB Leipzig) e o espanhol.
A estatura de 1,70m não impediu Xavi de tornar-se um dos gigantes do futebol. A qualidade técnica se sobrepôs ao fato de ser baixinho e alcançou o status de um dos maiores na história do Barça, pelo qual é o recordista em partidas, além de ter colecionado títulos.
Assim como seu ídolo, o alemão mostrou que pôde vencer o obstáculo de não ser um atleta forte. Ele mede apenas 6 centímetros a mais do que o espanhol.
Aliás, outra semelhança com Xavi é que ele virou um ‘queridinho' de Pep Guardiola. Porém, essa pode não ser a impressão que muitos torcedores passaram a ter depois do clássico empatado entre Borussia Dortmund e Bayern no dia 5 de março de 2016.
Na ocasião, logo após o apito final, o treinador foi ao campo e proporcionou uma cena inusitada ao dar uma bronca categórica no seu atleta. Tudo porque ele não entendeu que era para sair da zaga e fazer a função de volante após a entrada de Benatia aos 45 minutos do segundo tempo. Acuado em meio um sermão transmitido para o mundo inteiro, Kimmich só teve um momento de alívio, quando recebeu um abraço do técnico.
"Essa é a marca de um treinador que nunca está satisfeito e que está sempre tentando melhorar você", disse o volante sobre a dura.
A irritação do catalão, porém, esteve longe de ser um reflexo de falta de confiança dele no jovem volante. Não à toa, acreditou tanto a ponto de escalar o jogador de 1,76m no miolo de zaga em jogo pela Uefa Champions League e na ‘decisão' da Bundesliga por conta da crise de lesões na defesa bávara.
"Eu amo esse garoto. Ele quer aprender e tem muita paixão", disse o técnico. "Quando eu falar sobre Joshua Kimmich, eu só posso dizer coisas boas."
As coisas boas em questão podem se referir à versatilidade de um atleta que começou mais próximo do ataque na carreira antes de se firmar como um volante técnico. Firmou-se como lateral-direito substituindo ninguém menos do que Philipp Lahm e retornou ao meio de campo nesta temporada.
O talento que Kimmich tem demonstrado no Bayern, clube que pagou 7 milhões de euros por sua contratação em 2015, já era esperado na sua juventude. Afinal, recebeu as medalhas Fritz Walter de prata e de bronze em 2013 e 2014 nas categorias sub-18 e sub-19, respectivamente. O prêmio é concedido anualmente aos atletas alemães mais promissores.
Além disso, Kimmich, que ajudou o RB Leipizig a subir para a segunda divisão alemã em 2013-14, foi campeão europeu sub-19 com a Alemanha em 2014.
"Joshua tem uma enorme qualidade e é versátil tanto em funções ofensivas como defensivas. E ele ainda está no meio de seu desenvolvimento. Eu acho que ele tem uma grande carreira pela frente", já afirmou o técnico da Alemanha sub-21, Horst Hrubesch.
O jovem promissor virou realidade. E seus feitos se tornaram maiores.
Consolidado como titular indiscutível do Bayern de Munique, pelo qual soma mais de 200 jogos e quatro títulos da Bundesliga, o atleta de 25 anos foi eleito o melhor jogador da seleção alemã em 2017. Na atual edição do campeonato nacional, atuou como titular em todas as partidas, exceto uma contra o Hertha, pois teve de cumprir suspensão por acúmulo de cartões amarelos.
Uma nova mostra de seu protagonismo foi dada nesta terça-feira, quando anotou um golaço para definir a vitória sobre o Borussia Dortmund por 1 a 0, deixando a equipe bávara muito perto do oitavo título seguido na competição – são sete pontos de vantagem na liderança a seis rodadas do fim.
