<
>

Origem do apelido, quase leiloada e 'tremendo' contra o Flamengo: 10 histórias dos 80 anos da Bombonera

O Boca Juniors celebra nesta segunda-feira (25) o aniversário de 80 anos da inauguração da Bombonera, em Buenos Aires, umas das “canchas” mais emblemáticas e temidas no futebol. Poucos rivais conseguiram festejar algo lá, o que orgulha a torcida xeneize.

Mas dessa vez não haverá celebração por causa da pandemia do novo coronavírus, que fez o estádio fechar as portas em março. Nada que abale os torcedores. Eles já tiveram o que festejar, quando a atual diretoria afirmou que não deixará a Bombonera em prol de um novo estádio.

Foi como um grito de independência ao “futebol moderno”, segundo o canal “TyC Sports”.

O estádio é emblemático justamente pela construção rústica, pela acústica e pelo temor que causa aos rivais. Algo incomum na era das arenas.

O exemplo mais conhecido é o vestiário visitante. Ele foi construído abaixo da arquibancada onde está “La Doce”, a torcida organizada mais feroz e representativa do Boca. Lá, os adversários conseguem ouvir os gritos, sentem a “cancha” tremer e o clima que os aguarda.

Ao chegar ao estádio, as ruas também parecem encurralar o ônibus rival. Torcedores se postam como se fossem fazer uma “emboscada”. A saída do túnel do vestiário é colada no alambrado e o gramado fica muito próximo das arquibancadas, o que também acaba intimidando.

Existem inúmeros relatos de jogadores que ficaram pertubados com a acústica e os gritos xeneizes. Pelé e muito de seus companheiros no Santos admitiram que atuaram com algodão nos ouvidos para abafar o som ns final da Copa Libertadores de 1963.

A história registra inúmeras ocasiões em que, mesmo com um time inferior, o Boca conquistou triunfos épicos graças à atmosfera.

Mas soa como uma grande ironia que o estádio celebre o aniversário justamente no mesmo dia em que o rival River Plate completa mais um ano de fundação. Coisas do futebol…

Até hoje, o Boca fez 1.594 jogos oficias na Bombonera, com 971 vitórias, 383 empates e 240 derrotas. Foram 3.117 gols marcados e 1.480 sofridos. Com 206 jogos no local, Riquelme é o jogador recordista, mas o artilheiro é Martín Palermo, com 129 tentos.

Para marcar a data especial de oito décadas da Bombonera, separamos (baseado em reportagem do diário “Olé”) dez fatos marcantes sobre o estádio xeneize.

1. APELIDO FORTE

Se for chamado pelo nome oficial é possível que poucos os conheçam, pois o apelido “La Bombonera” tornou-se a principal referência. A versão mais aceita para a origem dele foi que o arquiteto arquiteto Viktor Sulcic comparou durante as obras o design com uma caixa de bombons.

Apenas em 20 de abril de 1986 e que recebeu um nome oficial. Virou estádio Camilo Cichero, nome do presidente responsável pelo início das obras. Nunca pegou. Em 27 de dezembro de 2000, passou a ser estádio Alberto José Armando, mandatário que comandou o Boca por 21 anos.

Quem decidiu pela mudança foi Mauricio Macri, último presidente da Argentina (2015 até 2019), e na época mandatário do Boca Juniors. Ele quis homenagear o homem responsável pelos anos mais vitoriosos, inclusive em âmbito internacional, do clube.

2. FORMATO

O que chama à atenção no estádio do Boca é seu design e ele tem uma justificava. O clube conseguiu na época um terreno de 21 mil metros quadrados para a construção, mas o local era cercado por casas e pequenos comércios. A saída foi o design que conhecemos.

3. OBRAS RÁPIDA

Um ano, oito meses e 24 dias após o início das obras em 1938, o estádio estava pronto. É claro que a inauguração ocorreu sem ele estar totalmente completo. Apenas dois anéis estavam prontos e não havia iluminação. No amistoso inaugural o Boca bateu o San Lorenzo por 2 a 0, mas o confronto teve apenas 70 minutos de duração. Depois que escureceu, foi interrompido.

4. CLÁSSICO

Em 30 de junho de 1940, o Boca recebeu o arquirrival River Plate pela primeira vez em casa. Venceu com autoridade: 3 a 1. Foi o início de disputas memoráveis, como a “batalha do gás”, nas oitavas de final da Copa Libertadores de 2015, e no primeiro jogo da final do torneio, em 2018.

5. VOLTA OLÍMPICA

O Boca ficou 13 partidas consecutivas sem perder em casa e acabou sagrando-se campeão nacional na temporada 1940. A volta olímpica foi em 8 de dezembro. Foi a primeira de muitas, entre as quais as Libertadores de 1978 e 2001 e bicampeonato da Copa Sul-Americana (2004 e 2005).

6. 80 MIL TORCEDORES

Em 1953, o Boca Juniors finalmente completou o estádio, com o terceiro anel e torres de iluminação entregues. Até então, a capacidade era de 40 mil pessoas. Ela chegou até 80 mil, segundo dados extra oficiais. Com o tempo o estádio foi reduzindo sua capacidade para atender as normas de segurança. Também fora inúmeras reformas. A última em 1996. Hoje, comporta 54 mil torcedores.

Até hoje não há registros oficiais de recorde de público, mas o clube cita as finais da Libertadores de 1963, 1977 (contra o Cruzeiro) e 1978 (Deportivo Cali), além da estreia de Maradona pelo Boca, em 22 de fevereiro de 1981, jogos em que havia mais de 60 mil presentes.

7. BOLA PARA FORA

A primeira fez que se registrou uma bola chutada além das arquibancadas da Bombonera foi em 1964, em um chute do defensor Carmelo “Cholo” Simeone. Ele foi também o segundo a conseguir o feito. A imprensa argentina diz que ele se orgulhava disso.

8. 1ª VEZ DE MARADONA

Diego Maradona estreou pela seleção argentina na Bombonera. Foi em 27 de fevereiro de 1977, com 16 anos. Ele começou a partida no banco de reservas. Foi chamado por Cesar Luís Menotti para entrar aos 20 do segundo tempo. O time venceu por 5 a 1.

Ao todo, El Pibe de Oro fez 91 partidas pela Argentina, com 34 gols marcados.

9. QUASE LEILOADA

Em 4 de dezembro de 1984, o Boca quase perdeu o estádio por causa de uma dívida com o Montevideo Wanderers. Os xeneizes deviam 35 mil dólares pela contratação do volante Ariel Krasouski. O clube só não perdeu sua casa porque a AFA (Associação de Futebol da Argentina), por meio de Julio Grondona, quitou a dívida.

10. ESTÁDIO TREME

Foi o ex-lateral esquerdo Júnior, ídolo do Flamengo e que jogou as Copas do Mundo de 1982 e 1986, que declarou pela primeira vez que a Bombonera tremia de verdade. Foi durante o encontro pela Copa Libertadores de 1991. O time argentino venceu por 3 a 0.