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No Bola da Vez, Dedé abre o jogo sobre passagem de Rogério Ceni no Cruzeiro: 'Também teve parcela de culpa'

O Bola da Vez não para e traz mais um convidado de peso neste sábado, às 22h (de Brasília) na ESPN Brasil e no ESPN App: o zagueiro Dedé. E a fase do Cruzeiro, claro, foi um dos assuntos principais do programa. O jogador falou bastante sobre o rebaixamento do clube e comentou sobre a passagem de Rogério Ceni pela Toca da Raposa, elegendo um dos maiores erros do comandante e dividindo a parcela de culpa pela degola também com ele.

Ceni ficou pouco mais de um mês no Cruzeiro. Ele teve um começo animador com uma vitória sobre o Santos, mas acabou se envolvendo em vários conflitos com os jogadores no vestiário.

“Eu não sei te dizer isso (se o Cruzeiro se salvaria se Ceni ficasse no cargo). Mas eu acho que a situação do time dar uma descida, também tem uma parcela de culpa do Rogério Ceni. Ele teve muitas oportunidades... Não estou cornetando e nem falando mal dele. Mas ali não era só o trabalho tático e técnico do treinador. Tem o psicológico também. E estava muito inflamada essa situação psicológica’, disse Dedé.

A passagem de Ceni pelo Cruzeiro voltou a ser assunto depois de declarações do goleiro Fábio ao SportsCenter, da ESPN, dizendo que o treinador falava uma coisa ao elenco e se comportava de forma diferente perante à imprensa.

“Começou com a afirmação do Thiago sobre a escalação do Edilson. Depois, houve uma reunião do Rogério, ele falou que poderia ter afastado o Thiago, ter mandado o Thiago embora, mas como o Thiago pediu desculpa, ele esqueceu aquele problema e falou que estava tudo resolvido. Depois, naquela reunião, ele falou que tudo que acontecesse, ele queria que nada mais fosse colocado na imprensa, que resolveria tudo internamente. Na sequência, fomos para um jogo contra o Grêmio no Independência, perdemos por 4 a 1 num domingo de manhã. E ele falou um monte de coisa, como se tivéssemos entregado o jogo”, disse Fábio.

Dedé também falou sobre o caso e confirmou os problemas no vestiário cruzeirense, mas negou qualquer movimento dele e dos jogadores para derrubar o treinador.

“O torcedor até achou, da forma que o Rogério falou, que nós estávamos errados. Eu acho que o futebol, principalmente em um momento difícil, a equipe inteira tem que se unir o mais forte possível. A gente vê na dificuldade de voltar a jogar bem, nosso time jogou muito bem em 2018. Nosso time estava começando a se dividir, mandar recado um para o outro em entrevistas. E eu tentei apaziguar isso”, disse.

“Eu tentei colocar as principais peças que tínhamos (Thiago Neves, Edilson, Sassá) em harmonia. Ou em profissionalismo. A gente estava vestindo a camisa do Cruzeiro. E ali, depois do que eu falei, até ocorreu a demissão do Rogério Ceni. Mas no meu modo de ver que não tenho nada a ver com a situação dele. Quem demite é a diretoria”, completou.

Para Dedé, um dos principais erros de Ceni na Toca da Raposa já tinha acontecido muito antes. E justamente após o momento de maior empolgação de todos.

“Um dos maiores erros do Rogério foi achar que por idade os jogadores não renderiam como ele queria. A gente teve um jogo que acho que foi maravilhoso, era o jogo para a gente dar a arrancada. Foi contra o Santos, com Sampaoli fazendo um dos melhores trabalhos, batendo em todo mundo. Ganhamos de 2 a 0 sem sustos, fizemos um excelente jogo”, diz Dedé.

“Logo após isso, acho que foi uma das coisas que o Rogério Ceni falhou. Não teve discussão minha com ele e nem de ninguém (sobre as mexidas na equipe). Isso foi deixando os jogadores mexidos com a situação. Acho que foi um passo errado dado pelo Rogério. Se soubesse uma forma de conduzir a situação, poderia dar mais certo”, continua.

“Como ele queria muito a velocidade, ele colocou na cabeça que não dava para jogar, por exemplo, Henrique e Arial, dois jogadores mais cadenciados. E eu entendo a forma dele, tanto que dei a vida pelo Rogério Ceni no Cruzeiro. Mas no meu modo de pensar, isso é avaliado por performance. Jogador que estiver dando a resposta, tem que ter a chance”, segue.

“E eu tenho certeza que o Rogério vai crescer muito no futebol analisando algumas situações que ele teve no Cruzeiro. A gente aprende muito. Ele sabe o quanto eu me dediquei em prol do trabalho dele”, finaliza.

Ceni deixou o Cruzeiro após apenas oito jogos, com duas vitórias, dois empates e quatro derrotas. Abel Braga assumiu o time, mas também não conseguiu melhorar a situação. No fim, a equipe acabou rebaixada à Série B com Adilson Batista como treinador.