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Relembre quando Raí chegou na semana da final e fez São Paulo ser campeão sobre o Corinthians

Domingo à tarde em São Paulo, Morumbi lotado, final do Campeonato Paulista entre São Paulo e Corinthians. O ano era 1998, dia 10 de maio, e havia alguém novo entre os 22 jogadores prontos para decidir quem seria o campeão estadual. Alguém que, uma semana antes, estava em Paris e voltou ao Brasil para escrever um capítulo histórico e curioso no futebol brasileiro.

Raí era o grande personagem daquela final antes mesmo do resultado. Símbolo da época mais gloriosa do clube, o ídolo estava de volta para ajudar o São Paulo a ser campeão novamente. Teria 90 minutos para isso. Só 90 minutos.

Sim, Raí jogou apenas uma partida naquele Paulistão. Por uma brecha do regulamento, que não limitava prazos para inscrição, o São Paulo garantiu a presença do meia em campo no último e decisivo jogo, dias depois do fim do contrato com o Paris Saint-Germain.

Mas como foi essa história?

Raí e São Paulo tinham um acordo apalavrado desde dezembro de 1997, mas o vínculo dele com o PSG iria até a primeira semana de maio. Era preciso esperar - e foi o que aconteceu.

O São Paulo Avançou à fase final do Paulistão, despachou o Palmeiras e caiu frente a frente com o Corinthians, que tinha eliminado a Portuguesa na outra chave. Na primeira partida, vitória alvinegra por 2 a 1, o que garantia o direito de ser campeão na semana seguinte com um simples empate.

Nisso, apareceu Raí.

Já no Brasil, o meia se apresentou ao São Paulo e fez apenas dois treinos com o time. Conheceu os novos companheiros, muitos que ainda eram só garotos quando ele brilhara no início da década, e convenceu o técnico Nelsinho Baptista de que deveria ser escalado.

"Nós já tínhamos um lugar para ele no time, e uma coisa que me preocupou bastante foi como o grupo iria reagir. Fui conversando com alguns jogadores, perguntando indiretamente sobre o Raí, e todos falavam que, se ele tivesse condições, a gente já teria sido campeão", lembrou Nelsinho, em entrevista ao UOL Esporte em 2017.

Sem a camisa 10 de antes, mas com a 23 que inspirava o mundo na época pelo sucesso de Michael Jordan no Chicago Bulls, Raí assumiu o lugar de Dodô no time e abriu o caminho para a vitória do São Paulo por 3 a 1, ao cabecear para o gol após ajeitada de França, pelo alto.

Raí retribuiu o presente no segundo tempo. O placar marcava 1 a 1, após golaço do atacante Didi, quando o meia tabelou com França pelo meio e viu o companheiro bater de bico no canto esquerdo. O último giro do placar aconteceu nos minutos finais, após jogada individual de Denilson e novo gol de França.

E assim, com apenas um jogo disputado, Raí se tornava um personagem central do Paulistão 1998. O ídolo voltou para liderar o jovem elenco são-paulino em mais uma conquista. Ele jogou mais dois anos pelo clube, venceu outro estadual, em 2000, e se aposentou aos 35 anos.