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Lothar Matthaus no Athletico-PR: almoço cronometrado, cervejinha com jogadores e ultimato da esposa

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Momento fofura! O bebê torcedor do Athletico-PR vai alegrar a sua quarentena (0:27)

O garotinho estava emburrado, mas soltou um largo sorriso ao ouvir a música do time paranaense | via @athleticoparanaense (0:27)

Reportagem originalmente publicada em 28 de março de 2015


Lothar Matthaus, um dos maiores jogadores da história do futebol alemão e campeão da Copa do Mundo de 1990, foi apresentado como técnico do Athletico-PR no dia 31 de janeiro de 2006, para júbilo dos torcedores rubro-negros. No dia 7 de março, após oito partidas, com seis vitórias e dois empates, embarcou em um avião e se mandou para a Alemanha. Ninguém entendeu nada...

Os poucos meses que Matthaus passou no comando do clube rubro-negro, porém, foram recheados de histórias curiosas e polêmicas. Quem conta é um dos homens mais próximos do alemão naquele período: Vinícius Eutrópio, auxiliar do campeão do mundo durante sua rápida passagem pelo futebol brasileiro.

"O Lothar foi um cara muito importante pra mim, porque, mesmo que a gente tenha convivido pouco tempo, ele foi um cara treinado pelos melhores técnicos da Europa, e naturalmente me ensinou muito do que aprendeu. E como pessoa, era um cara sensacional, engraçado, uma figura", lembra Eutrópio, em entrevista à ESPN.

Uma das histórias mais saborosas dos tempos de Matthaus em Curitiba aconteceu logo em sua chegada. A equipe vinha sendo comandada por Eutrópio no Campeonato Paranaense, mas, certo dia, chegou a vez do alemão assumir o controle. E foi aí que as diferenças culturas (e de futebol) entre brasileiros e europeus começaram a falar alto.

"Mostrei o vestiário, 'olha, é aqui que o pessoal reza, é aqui que faz isso, aqui que faz aquilo', aí me despedi e desejei boa sorte. O cara tomou um susto (risos)!", recorda.

Começa aí o diálogo que Eutrópio lembra entre gargalhadas, intermediado pelo tradutor pessoal de Lothar Matthaus.

Matthaus: Aonde você vai?

Eutrópio: Ué, vou lá para cima, na cabine, acompanhar o jogo!

Matthaus: Você vai me deixar aqui, sozinho?

Eutrópio: Sim... Qual o problema?

Matthaus: Eu não conheço ninguém aqui! Fica você, que é o cara mais importante.

Eutrópio: Não posso, eu tenho que ficar na cabine, são ordens.

Matthaus: Mas quem vai ficar aqui?

Eutrópio: O médico, o massagista, o preprador físico e você.

Matthaus: Mas o que o preparador físico faz?

Eutrópio: Ele vai aquecer os jogadores antes de entrarem em campo.

Matthaus: Só isso? Jogador sabe aquecer sozinho! Manda ele embora e fica aqui você!

Mas Eutrópio não ficou, e Matthaus teve que se virar sozinho...

"Na Europa, era normal os auxiliares ficarem junto no banco de reservas, trocando ideias, mas aqui eu via o jogo da cabine e conversava com ele pelo radinho. No começo, ele assustou, viu!", sorri.

"Apesar das dificuldades do início, ele se dava muito bem com os jogadores. Era um cara muito tranquilo, boa-praça... Mas essas situações fazem a gente dar risada até hoje", completa.

Jantar cronometrado, cervejinha e esposa brava

Como todo bom alemão, Lothar Matthaus era metódico com algumas coisas. Ressabiado com a velocidade que os jogadores engoliam as refeições, o treinador implantou uma regra nova: todos os atletas deveriam ficar pelo menos 30 minutos comendo. Mesmo se o prato já estivesse finalizado, deveriam ficar na mesa esperando o tempo passar, só aí ganhando permissão para se levantarem e se retirarem.

Não deu certo...

"Ele achava que os brasileiros comiam muito rápido e estabeleceu essa regra. Aí um dia ganhamos de 5 a 0 e ele marcou o jantar para 19h. Quando deu 19h20, ele chegou ao refeitório todo arrumado, roupa bonita, pronto para a confraternização. A hora que ele olhou, só estava a comissão técnica, os jogadores já tinham todos ido para os quartos. 'Cadê os caras?', ele perguntava, e a gente explicava que eles já tinham ido, que era assim mesmo e não ia mudar. Mas ele não achou graça, queria que eles tivessem ficado os 30 minutos", narra.

Mal sabiam os jogadores do elenco rubro-negro que o técnico tinha planos bem mais ousados para aquela noite.

"Ele falou: 'Puxa, estou chateado. Ia convidar os jogadores para irem ao bar comigo tomar uma cerveja para a gente festejar essa goleada!' (risos). A gente morreu de rir, falei pra ele que no Brasil não tinha como fazer isso, a torcida ia pegar no pé. Era um cara de cultura totalmente diferente, e os jogadores adoravam. Eu fiz boa amizade com ele", recorda.

Eutrópio revela o verdadeiro motivo por trás do inesperado adeus do lendário meio-campista da seleção da Alemanha.

"Ele foi embora por questões familiares, por causa da mulher. Ela fez jogo duro para não vir pra cá, a distância para a Europa era muito grande e ele teve que fazer uma opção: trabalho ou família. Ele escolheu a família e foi embora", explica.

A mulher em questão era Marijana, ex-modelo por quem Lothar se derretia de amores e tem dois filhos. Foi ao lado dela que ele assistiu à final da Copa do Mundo de 2006, entre Itália e França, pouco tempo depois de abandonar o Athletico. O amor acabou em 2008, quando o casal se separou.

Definitivamente, não deve ser fácil ser Lothar Matthaus...