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Até R$ 62 milhões: como Neymar ainda mexe com as contas do Santos

O regresso de Neymar ao Barcelona voltou a ser assunto na Europa. Foi o tema de capa do jornal espanhol “Mundo Deportivo” nesta segunda-feira, dia 4 de maio, em reportagem que afirma que o brasileiro aceita receber metade do que ganha no Paris Saint-Germain e já recusou um prêmio milionário (R$ 600 milhões) do clube francês para assinar o compromisso de renovação.

O futuro do brasileiro impacta os destinos de PSG e Barcelona tanto esportivamente como financeiramente, mas até mesmo no Brasil reflete, mexendo com as contas do Santos.

Por ser o clube formador, o Santos tem direito a 4% do valor de negociação de Neymar, como parte do mecanismo de solidariedade criado pela Fifa. A fatia é definida pelo tempo de casa e idade em que o jogador foi negociado. O atacante ficou dez anos no clube, dos 12 até os 21.

Wagner Ribeiro, empresário de Neymar, afirma que o brasileiro custa 164 milhões de euros (R$ 995,6 milhões hoje). Isso significa ao Santos 6,5 milhões de euros (R$ 40 milhões).

Em 2017, ano em que ele fez o caminho inverso, deixando o Barcelona para defender o Paris Saint-Germain por 222 milhões de euros (R$ 846 milhões à época), o Santos recebeu R$ 34 milhões.

Hoje é difícil saber se o PSG toparia negociar Neymar com o Barça. Na janela de transferências do ano passado não houve acordo. Mas o cenário mudou. Além da economia em colapso por causa da pandemia do novo coronavírus, o estafe do jogador acredita ter agora base legal para buscar a rescisão contratual com os franceses na Fifa, mediante o pagamento de uma multa.

Imaginando que o PSG negocie com o Barcelona, a reportagem do “Mundo Deportivo”, diz que o clube catalão pagaria uma parte em dinheiro e outra cedendo jogadores.

Financeiramente, a quantia ajudaria e muito os cofres do Santos. O clube divulgou o balanço patrimonial nos últimos dias com superávit de R$ 23,5 milhões, mas isso só foi possível por causa da venda de Rodrygo ao Real Madrid (foi negociado por 45 milhões de euros). Ainda assim a dívida líquida chegou a R$ 440 milhões.

Neste ano a diretoria já reconheceu que está com dificuldades para quintar seus compromissos. A folha salarial do futebol gira em torno de R$ 11,1 milhões e a equipe tem negociações mal resolvidas, como a vinda de Cueva, que gerou uma dívida com o Krasnodar, da Rússia.

Além de uma possível venda de Neymar para aliviar os cofres santistas, o clube contabiliza outras receitas vindas da Europa.

Uma delas é o pagamento de uma dívida de R$ 20,3 milhões pelo Barcelona, uma vez que o clube não cumpriu a realização de um amistoso no Brasil como parte da compra de Neymar. Ele deveria ocorrer no máximo em 2014.

Vale lembrar que a direção barcelonista sinalizou que não vai pagar porque contesta a cobrança. Uma das alegações é que o Santos não quis jogar a partida amistosa porque pretendia receber o valor da indenização. Por isso não houve acerto entre as partes.

A outra é o desbloqueio de R$ 2,5 milhões na Justiça equivalente a uma dívida referente ao mecanismo de solidariedade na venda de Neymar do Barcelona ao PSG.

O Santos também move desde 2015 um processo contra o Barcelona. A ação já foi julgada e recusada pela Fifa em 2017. Desde então está no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS).

Ela é referente a venda de Neymar ao clube catalão em 2013, por 17,1 milhões de euros. A ação foi movida pela diretoria de Modesto Roma Júnior por entender que o jogador recebeu mais do que o próprio clube. Na soma, entre luvas, premiações etc., o atacante faturou 58 milhões de euros.

Mas o Santos também é alvo de um processo indenizatório por parte da DIS Esportes e Organização, antiga parceira de investimentos no clube para assegurar a permanência no Brasil do atacante durante seus primeiros anos de carreira. Está citado ao lado de Barcelona, Neymar e Neymar pai, entre outros, pela venda do jogador ao Barça em 2013.