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Melhor do São Paulo em Mundial de 93 ficou na 'm...' por causa do Milan e virou carrasco

Aos 38 anos, Toninho Cerezo fez um gol, deu passe para outro e foi eleito o melhor jogador da final do Mundial Interclubes vencida pelo São Paulo diante do Milan por 3 a 2, em 1993, em Tóquio, no Japão. Durante sua carreira, o meia ficou conhecido por ser um carrasco do time rossonero desde os tempos em que atuou na Itália, mas tudo poderia ter sido diferente.

E o culpado foi o próprio clube que venceu sete vezes a Champions League. Fora da Copa do Mundo de 1986 por causa de uma lesão na panturrilha, o jogador que defendia a Roma já estava acertado com a equipe rubro-negra.

"Tinha um contrato assinado com o Milan de três anos para ganhar um milhão e meio de dólares, era o maior da minha vida. Mas como fui cortado do Mundial eles acreditavam que estava com alguma contusão grave. Havia uma cláusula que se eu não jogasse o Mundial poderiam rescindir comigo", recordou o hoje treinador para o ESPN.com.br.

Ainda abalado por não poder atuar com o time de Telê Santana em 1986, Cerezo ainda viu sua situação piorar quando voltou ao clube da capital italiana.

"Meu contrato com a Roma estava acabando e o [treinador] Sven-Göran Eriksson não me queria mais no time. Ele queria trazer um jogador sueco que estava no Pisa. Estávamos jogando a final da Copa Itália contra a Sampdoria", recordou.

"Ele perguntou se eu queria jogar, daí respondi que 'sim', mas fiquei no banco de reservas o tempo todo. Faltando 5 minutos para o final do jogo ele perguntou se eu queria jogar, acho que ele fez isso achando que não queria jogar e ia estourar ali mesmo", prosseguiu.

A Roma vencia a partida por 1 a 0, mas a decisão estava empatada porque na primeira partida da final disputada em Gênova, os donos da casa tinham vencido por 2 a 1.

"Só que ele se ferrou. Como estava me despedindo do torcedor romanista que gostava muito de mim, eu fui para o campo. Em uma bola cruzada na área eu fiz o gol de cabeça aos 45 minutos do segundo tempo e fomos campeões. Depois disso, a Sampdoria me levou", afirmou o ex-volante.

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Toninho ficou por seis temporadas no time genovês e virou ídolo. A equipe treinada por Arrigo Sacchi era fortíssima e Cerezo ainda tinha estrela contra o Milan.

"Toda vez que jogava contra Milan eu fazia gol, era impressionante porque parecia até que era um castigo para eles (risos)", relembrou.

Após uma passagem brilhante pela Itália, ele voltou já veterano ao Brasil para atuar no São Paulo, em 1992. Fez parte da geração mais vitoriosa da história do clube e teve a chance de dar mais uma pancada no clube que o menosprezou no passado, com uma atuação de gala no bicampeonato mundial.

"Depois que vencemos a final, os diretores do Milan foram até o vestiário e me cumprimentar. Disseram que foi um erro o que fizeram comigo lá atrás. Eu sempre falava na imprensa italiana que eles tinham rescindindo meu contrato", garantiu.

Bem humorado, Cerezo garante ser uma pessoa de muita sorte dentro do futebol por ter superado tantas situações adversas em pouco tempo.

"Normalmente você diz que um cara que viveu tudo isso tem o c... virado para a lua (risos). Eu estava numa merda tremenda. Cortado da Copa do Mundo, contrato com o Milan rescindido, ia ficar desempregado porque meu vínculo estava no fim na Roma e o cara me colocou na reserva. Jogar cinco minutos virou um combustível para tudo de bom que veio depois", orgulhou-se.

VINGANÇA CONTRA O BARCELONA

Toninho Cerezo atuou pela Sampdoria por seis temporadas que entraram para a história do clube. Com um elenco recheado de estrelas, venceu a Copa da Itália, Recopa Europeia, Supercopa Italiana e o Campeonato Italiano de 1991.

"Tínhamos um presidente com poder financeiro enorme que levou Lombardo, Roberto Mancini, Pagliuca e Vialli. Ele comprou dos melhores jogadores italianos naquele período. Formamos uma equipe que teve muito sucesso. A diretoria naquela época era muito boa e acho que eles fazem algo parecido com o que a Juventus faz hoje. Eles compram os melhores da Itália e complementam com estrangeiros", afirmou.

Com o grande sucesso no futebol local, a equipe comandada por Vujadin Boskov chegou até o jogo mais importante de sua história: a final da Uefa Champions League, em 1992. O Barcelona, comandado por Johan Cruyff, venceu o duelo no final do segundo tempo da prorrogação.

"Tínhamos um time muito bom e foi uma partida muito disputada. Perdemos no gol de falta do [zagueiro holandês] Ronald Koeman, que bateu no canto do Pagliuca. Criamos muitas chances de marcar, mas faltou a bola entrar", lamentou.

Depois da final traumática, o brasileiro teve a chance de ir à forra diante dos catalães ainda no mesmo ano. Cerezo foi jogar no São Paulo, que havia vencido a Copa Libertadores e foi disputar o Mundial de Clubes no Japão. O clube do Morumbi venceu de virada por 2 a 1 com dois gols de Raí.

"Interessante isso, né? Acho que os caras nos menosprezaram, eles estavam mais seguros e achavam que seria um jogo mais fácil. Dentro de campo tudo pode acontecer e tínhamos um grande time", garantiu.

Mesmo considerado um esquadrão, o Barça tinha pontos fracos que foram muito bem explorados pela equipe paulista.

"Era uma equipe que se você conseguisse virar bem o jogo teríamos muitas oportunidades para jogar na defesa deles. O Telê sabia disso e o time estava muito preparado. Foi muita alegria. Era o mais velho no meio da rapaziada e foi uma realização gigantesca, algo fantástico", finalizou.