José Mourinho definiu Ronaldo Fenômeno como o maior craque que ele já viu em campo, superior até a Cristiano Ronaldo, com quem trabalhou no Real Madrid, e Messi. Para ele, o talento falava mais aleto. E disse que o brasileiro poderia ter feito muito mais se não fossem as lesões.
De fato, Ronaldo sofreu durante toda a carreira com tendinite nos joelhos, torções de tornozelo e dificuldades para controlar o peso (em 2007, ele descobriu que sofria hipotiroidismo, algo que só revelou publicamente em 2011). Duas lesões mais graves afetaram mais sua trajetória e quase o fizeram colocar um ponto final na carreira não fosse a persistência que teve.
A primeira grande lesão foi em 12 de abril de 2000, durante partida pela Inter de Milão contra a Lazio pela Copa da Itália, quando o joelho direito saiu do lugar ao dar um drible. Ficou um ano e três meses parado.
Em 13 de fevereiro de 2008, já pelo Milan, sofreu nova lesão grave no joelho e não entrou mais em campo naquele ano. Voltou aos gramados mais de um ano depois, apenas em 4 de março de 2009, quando defendeu as cores do Corinthians, em um retorno marcante ao Brasil.
Ao se aposentar em 2011, Ronaldo concluiu sua trajetória com 414 gols em 616 jogos. Uma média de 0,67 tento por partida. Os maiores títulos foram as Copas do Mundo de 1994 (ficou na reserva) e 2002 (destaque especialmente na final), além de outras quinze taças.
Não conquistou a Copa do Mundo (teve chance com o Cruzeiro e o Corinthians) nem a Champions League, embora tenha vencido o Mundial de Clubes com o Real, em 2002.
Ganhou apenas uma vez a principal liga nacional de um país. Foi pelo Real Madrid, em 2002/03. Tendo vencido mais copas nacionais (duas no Brasil, uma na Espanha e uma na Holanda). Os títulos continentais foram uma Recopa da Europa pelo Barcelona e uma Copa Uefa pela Inter.
Individualmente foi eleito três vezes o melhor jogador do mundo (1996, 1997 e 2002).
Em conquistas, prêmios de melhor do mundo e gols, Ronaldo tem números inferiores aos de Messi e Cristiano Ronaldo, mas, se o recorte for feito antes da primeira grave lesão em 2000, o cenário muda completamente. E possível realmente crer que ele teria sido maior.
Até 12 de abril de 2000, Ronaldo tinha média de 0,80 gols por clubes/seleção. Somava dez títulos em seis anos de carreira, com um título de Copa do Mundo e um vice. E já tinha sido eleito o melhor do mundo duas vezes consecutivas, em 1996 e 1997.
Ao final de 2020, Lionel Messi vai completar 17 anos de carreira, com média de 0,81 gols por clube/seleção e 34 títulos, todos pelo Barcelona. O melhor desempenho em Copas foi o vice, em 2014. Também foi vice da Copa América três vezes (2007, 2015 e 2016).
Messi foi eleito melhor do mundo seis vezes, sendo que apenas uma em seis anos de carreira.
Para Cristiano Ronaldo, são 19 anos de profissionalismo. Ele tem média de 0,72 gol por partida por clubes/seleção, tem 29 títulos, sendo um dos mais importantes a Eurocopa por Portugal, e quatro prêmios de melhor jogador do mundo (nenhum deles primeiros seis anos de carreira).
"Ronaldo, o 'Fenômeno', foi o maior. Cristiano e Messi tiveram carreiras mais longas, ganharam mais títulos e se mantiveram no topo todos os dias por 15 anos. No entanto, se falarmos apenas de talento e habilidade, ninguém consegue superar Ronaldo 'Fenômeno", afirmou Mourinho.
"As lesões infelizmente mataram uma carreira que poderia ter sido ainda mais incrível, mas o talento daquele garoto de 19 anos era algo fora de série", completou o treinador português.
