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Família de ex-Grêmio e seleção sabia que remédio que causou prisão de funcionário era ilegal, diz ex-babá

A família de Fernando, ex-jogador do Grêmio, seleção brasileira e atualmente no Beijing Guoan-CHN, sabia que o remédio Mytedom era proibido na Rússia. Por levá-lo ao país europeu, Robson Oliveira, ex-funcionário do jogador, está preso desde março de 2019.

A acusação foi feita por Cristiane Teixeira, ex-babá da filha do atleta e sua esposa, Rafaela, em entrevista à “TV Globo”. Ela, que não trabalha mais para o casal e os processa por dívidas trabalhistas, afirma ter ouvido uma conversa dos antigos patrões sobre o tema.

"Eu achei simplesmente um absurdo o Fernando negar que não sabia do remédio, porque ele teve uma conversa com a esposa, Rafaella. Eu estava na sala brincando com o filho deles quando ele falou que o doutor, médico do Spartak, não poderia passar a receita do remédio, pois é proibido esse remédio na Rússia", declarou Cristiane.

A família, por sua vez, se defendeu através de nota enviada à reportagem e pediu maior interferência do governo brasileiro.

“Reiteramos que ninguém da nossa família sabia que o remédio em questão era proibido na Rússia. Se alguém tiver algo diferente disso a dizer precisará provar a veracidade de tal declaração, caso contrário tomaremos as medidas cabíveis. Reforçamos que seguiremos tentando fazer o que estiver ao nosso alcance para que o Robson saia dessa situação o mais rápido possível. Porém, entendemos que, por se tratar de uma questão enorme e de suma importância, o governo brasileiro deveria se envolver de maneira mais efetiva no caso”, escreveram.

Robson foi para Moscou para trabalhar como motorista de Fernando, que na época defendia o Spartak. Acabou, porém, preso sob a acusação de tráfico de drogas por ter entrado no país com um medicamento que continha a substância metadona, legal no Brasil, mas não na Rússia.

O medicamento era de propriedade de William, pai de Rafaela, sogro de Fernando. Ele, contudo, nunca se apresentou à polícia. O fato de não ser dono do remédio, porém, não ajudou Robson, que segue aguardando julgamento e dificilmente será inocentado.

“Em nenhum momento negamos que o remédio era do William, nem na Rússia nem no Brasil. Infelizmente, para justiça russa isso não muda a condição do Robson”, escreveu a família.

A situação de Robson revolta a ex-babá Cristiane. “Poderia ser eu a ter levado esse remédio. Eu poderia estar presa no lugar do Robson. É um absurdo isso tudo. Um absurdo ele estar preso lá, e as pessoas vivendo a vida bem. É surreal”, ataca. A família se defende e garante ter tentado ajudar o antigo motorista.