O meia Kevin De Bruyne, do Manchester City, justifica a cada partida os 75 milhões de euros (R$ 433 milhões) que foram investidos pelo clube inglês para tirá-lo do Wolfsburg, em agosto de 2015.
Vivendo grande momento já há muito tempo, é até difícil imaginar que, há 10 anos, ele era um adolescente quase comum e que passava pelos problemas mais mundanos possíveis para um jovem em um país de primeiro mundo, como o rígido controle dos pais na hora de se divertir na vida noturna da Bélgica.
Quem conheceu bem o jovem De Bruyne conta vários "causos". É o caso do zagueiro João Carlos, revelado pelo Vasco no começo dos anos 2000 e que fez sua carreira no futebol europeu, em times como CSKA Sofia-BUL, Lokeren-BEL, Anzhi-RUS e Spartak-RUS.
O brasileiro atuou com o hoje astro dos Citizens por quase três temporadas quando defendeu o Genk-BEL, entre 2008 e 2010, e viu o garoto "branquelo" nascer para o futebol e chamar a atenção do Chelsea, primeiro grande time a apostar em seu talento.
"Eu era capitão do Genk e acompanhei todo o surgimento do De Bruyne. Desde aquela época dava pra ver que tinha qualidade e era bem diferenciado. Era só uma questão de tempo para que virasse titular", lembrou o ex-defensor, ao ESPN.com.br.
João Carlos conta que o armador já chegou "pedindo passagem" logo que foi promovido das categorias de base para o elenco principal, em 2009.
"Ele chegou atropelando todo mundo, com uma personalidade monstra. Eu, como capitão, de vez em quando tinha que dar umas duras nele, mas ele sempre foi assim igual é hoje: personalidade forte dentro e fora de campo e autoconfiança absurda", exalta.
Com o tempo, o brasileiro tornou-se amigo próximo de De Bruyne, inclusive fora de campo. O ex-vascaíno acabou virando uma espécie de "irmão mais velho" do craque, e ganhou a confiança dos pais do meio-campista, Herwig e Anna, que só deixavam Kevin ir para as baladas se João estivesse junto para supervisionar e controlar o então adolescente nas noitadas.
"Como ele subiu para os profissionais com 17 anos, os pais dele só deixavam ele sair de noite se fosse junto com os jogadores mais velhos. Os caras que já tinham moral, com família, filhos, etc. Os pais deles gostavam muito de mim e me falavam: 'João, o Kevin só vai poder sair se você for junto'", recorda o zagueiro.
"Eu não podia deixá-lo tomar bebida alcoólica de jeito nenhum. Então, ele ficava no refrigerante e a gente tomava nossa caipirinha no restaurante latino que a gente ia. Nosso grupo de 'rolê' era muito legal: Courtois, De Bruyne, Benteke, Marvin Ogunjimi, e eu", relata.
Segundo João Carlos, o meia do City é fã de uma boa farra na noite.
"Era engraçado porque depois dos jogos de final de semana a gente sempre ganhava uns dois dias de folga. Aí ele chegava para mim como quem não queria nada e perguntava: 'João, você vai dar um 'rolê' sozinho ou com a sua família?'. Ele queria saber porque ele só podia sair de casa se eu estivesse junto, então já queria se programar. Sabia que o pai dele não ia deixá-lo sair com os outros amigos, mas comigo estava sempre liberado", conta o beque.
De Bruyne e João Carlos tiveram que se separar em janeiro de 2011, quando o zagueiro foi vendido ao Anzhi por 2,5 milhões de euros (R$ 9,5 milhões, na cotação atual). Já o meia ficaria no Genk por mais um ano, sendo vendido no início de 2012 ao Chelsea, por 8 milhões de euros.
Após não se firmar nos Blues, ele foi emprestado ao Werder Bremen e depois comprado pelo Wolfsburg por 22 milhões de euros (R$ 83,75 milhões, na cotação atual). Pelo time alemão, o belga "comeu a bola" e despertou o interesse do City, que o comprou em 2015, assinando contrato de seis anos com os ingleses.
