Marcelo Gallardo é um dos maiores ídolos da história do River Plate, tendo sido campeão seis vezes do Campeonato Argentino e uma vez da Copa Libertadores como jogador. Já na função de técnico, venceu o torneio continental outras duas vezes – só para destacar algumas de suas diversas conquistas dentro e à beira do campo.
Porém, ele já vivenciou uma polêmica em seu período de atleta, sendo chamado de “traidor” por alguns torcedores. A história da saída do técnico Reinaldo ‘Mostaza’ Merlo em 2006 foi contada no jornal Olé. Todos os detalhes abaixo são da publicação do veículo argentino.
Em 27 de novembro de 2005, Gallardo se desentendeu com o técnico no vestiário, e os dois quase foram às vias de fato depois que o meia tinha sido expulso por insultar o árbitro. O River perdia por 1 a 0 para o Gimnasia de La Plata e acabou derrotado por 3 a 1.
O relato aponta que Merlo viria a pedir desculpas diante de todo o vestiário, e Gallardo as aceita, mas ficava claro que os dois não tinham um 'feeling' entre eles.
A publicação ainda aponta que na pré-temporada de 2006 veio o auge do desgaste de Gallardo. No dia 8 de janeiro, ele bateu na porta do quarto do hotel de Merlo e pediu para conversar. "Eu vou embora. Não compartilho com sua ideia, não quero ser um estorvo. Isso é o melhor. Te peço que me deixe fazer o resto do elenco saber".
"Isso é o que só você pensa ou também todo o restante do elenco?", pergunta o treinador ao Muñeco, que disse que 90% do plantel pensava como ele.
"Do pouco que pude tocar no tema com Marcelo, uma vez me admitiu: 'Esse foi o único erro que cometi. Em vez de dizer a ele: 'vá e pergunte ao resto', eu disse a ele que sim, que todo o elenco pensa isso", contou Diego Borinsky, autor de Gallardo Monumental.
O Olé diz que na madrugada de 9 de janeiro Merlo anunciou ao elenco que falou com Gallardo, sabia que a maioria não compartilhava sua ideia e que iria embora. Às 4h, o treinador foi ao quarto de Norberto Álvarez, único dirigente do River que estava no hotel, avisou sobre sua decisão e depois convocou uma entrevista coletiva.
"Jamais imaginei que Merlo ia ir embora, porque quem estava decidido a ir era eu, mas se prendeu ao que eu disse a ele e, em vez de tentar me convencer para que eu pudesse me sentir bem, me deixou muito exposto", afirmou Gallardo ao jornal El Gráfico em 2014.
O Olé ainda lembrou que no dia 11, em uma derrota do River no Torneio de Verão para o Independiente, membros da torcida Los Borrachos del Tablón só não entraram com uma bandeira com a mensagem "Gallardo traidor", porque ela tinha medidas maiores do que as permitidas. "Mostaza, querido, a torcida está contigo", cantavam alguns torcedores, segundo a publicação.
O técnico contratado foi Daniel Passarella. Gallardo continuaria até o fim do ano, mas deixaria o time no qual perdeu lugar para Belluschi. Porém, ele retornaria em 2009.
Em 17 de abril de 2010, relembra o Olé, em uma partida contra o Godoy Cruz, os Borrachos conseguem levar uma bandeira ao Monumental de Núñez em que diz: 'Muñeco traidor e golpista'.
“Esta faixa dos Borrachos, liderados por Martín Carvena e Joe se deu depois que o Muñeco não quis apoiar a barra (torcida)”, escreveu Gustavo Grabia à época no Olé.
A partida foi a última de Gallardo pelo River, e o restante do Monumental o exaltou.
"O da bandeira foi porque havia gente dentro do clube que me queria fora", diria o então jogador. "Os que tomam decisões em um clube são os dirigentes. Neste momento, já não me identificava com nada do que estava acontecendo institucionalmente no River. A bom entendedor, poucas palavras..."
