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Seleção: Ronaldo foi convocado para Copa das Confederações, mas pediu dispensa e irritou Parreira

Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Robinho e Adriano. Se o título da Copa das Confederações de 2005 ficou marcado, foi muito por causa destes quatro nomes da seleção brasileira, que encantaram na final contra a Argentina e fizeram a torcida se empolgar com o "quadrado mágico" para a Copa do Mundo do ano seguinte.

E pensar que esse quarteto poderia nunca ter existido...

A ideia de Carlos Alberto Parreira era usar a chamada "força máxima" na única competição que o Brasil teria antes do Mundial da Alemanha. Isso incluia Ronaldo, então atacante do Real Madrid e presente na primeira lista de convocados para a Copa das Confederações daquele ano.

Do time considerado titular, os únicos ausentes seriam Cafu (Milan) e Roberto Carlos (também Real Madrid), mas por escolha de Parreira, que usaria o torneio para encontrar os reservas da dupla - que de fato conseguiu. O técnico teve, que mudar seus planos, já que Ronaldo não gostou de ser convocado e reclamou publicamente, até desmerecendo a competição.

"Estar com a seleção sempre é importante, mas a Copa das Confederações não tem o mesmo valor da Copa do Mundo, nem a mesma repercussão. Infelizmente, é igual à Copa América. Já ganhamos muitas nos últimos anos e daí? Ninguém fala, ninguém comenta, mas, se perder, é aquela confusão", disse o Fenômeno, em entrevista ao jornal "Folha de S. Paulo" publicada em 25 de maio.

Parreira não gostou da atitude do seu principal jogador e rebateu com outra declaração forte.

"É muito gostoso jogar só Copa do Mundo. Eu também gostaria de treinar a seleção apenas na Copa e não passar pelos amistosos, pelas eliminatórias", disse o técnico, que mesmo assim, cinco dias depois do desabafo de Ronaldo, anunciou o corte do camisa 9, em pronunciamento no site da CBF.

"O Ronaldo alegou problemas particulares que o impedem de se dedicar à seleção brasileira no momento. Então a comissão técnica resolveu liberá-lo".

O fim da história todos sabem. Sem Ronaldo, Adriano ganhou a camisa 9, foi artilheiro da Copa das Confederações (com direito a dois gols na final contra a Argentina) e carimbou o passaporte para o Mundial.

O Fenômeno voltaria a ser chamado normalmente na reta final das eliminatórias e também para a Copa de 2006, quando fez dupla com Adriano, tornou-se recordista de gols em Mundiais (marca ultrapassada pelo alemão Miroslav Klose em 2014) e despediu-se da seleção após a derrota para a França, nas quartas de final.