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Arsenal: ídolo dos Gunners, Gilberto Silva relata dificuldade na transição de Highbury para o Emirates

Campeão do mundo com o Brasil em 2002 e parte do inesquecível time do Arsenal de 2003/2004, que foi campeão invicto da Premier League, Gilberto Silva foi um dos principais jogadores dos Gunners neste século.

Em entrevista para a revista France Football, o ex-volante relembrou como foi a transição entre estádios em 2006, quando o clube se despediu do Arsenal Stadium, também conhecido como Highbury Stadium, e se mudou para o Emirates Stadium.

“Acho que a coisa mais difícil quando mudamos de estádio foi manter a mesma atmosfera de Highbury. Essas são coisas que levam tempo. Tanto para jogadores quanto para torcedores. Você tinha que fazer as pessoas se sentirem próximas dos jogadores. O primeiro ano não foi fácil, porque tivemos que nos adaptar. A princípio, com um tamanho de terreno muito diferente, mas também com a atmosfera. Tudo era novo. Você tem que criar algo novo, em um estádio com 60.000 lugares. E foi um pouco difícil descobrir como chegar lá primeiro”.

Gilberto Silva jogou pelo Arsenal de 2002 a 2008 e viveu grandes momentos. Na entrevista, o jogador relembrou especialmente de dois: o ano do título invicto da Premier League e a campanha na Champions League de 2005-06, que terminou com os Gunners perdendo na final para o Barcelona.

A posição onde Gilberto Silva jogava é justamente um dos principais motivos de reclamação dos torcedores do Arsenal recentemente. O setor de meio-campo dos Gunners, que nos grandes momentos no século teve jogadores como o francês Patrick Vieira, vem sendo alvo de desconfiança.

“Nos últimos anos, a situação tem sido complicada no Arsenal. Eles têm jogadores muito parecidos no meio, com perfis parecidos e não jogadores do perfil ‘Patrick Vieira’, ou mesmo do meu perfil. O Arsenal sempre joga para a frente, tenta implantar um jogo ofensivo, e não é fácil encontrar alguém capaz de combinar a capacidade de jogar e fazer o trabalho no setor defensivo”.

O ex-volante também ressaltou a característica do Arsenal de jogar com uma proposta ofensiva, filosofia que Gilberto Silva considera de vital importância para o sucesso do time, que foi base para construir um dos melhores momentos da história do clube.

“Todo mundo sabe como o Arsenal deve jogar, e todo mundo analisa: ‘Este é o jogo do Arsenal’. Isso é sempre o que Arsène (Wenger) tentou implementar e exigiu de sua equipe: jogo ofensivo. Em certos pontos, se o Arsenal não joga assim, isso fica evidente. Especialmente para aqueles que seguiram o clube nos últimos 15 ou 20 anos. O estilo é muito importante para todos”.

Gilberto Silva também falou sobre a seleção brasileira. Parte do time campeão mundial em 2002, o ex-volante destacou o aspecto emocional de vestir a camisa da seleção, que é importante sempre se preocupar com o desenvolvimento de novos talentos e que a avaliação sobre o desempenho da seleção fica muito focado em resultados.

“É muito difícil dizer o que está faltando. Para muitas pessoas, a avaliação do sucesso é feita através do prisma de vitórias e troféus. Não é justo olhar apenas para os vencedores dos últimos anos. Muitas boas equipes nunca ganharam nada importante, mas tiveram jogadores fantásticos e um jogo magnífico. A avaliação, portanto, permanece muito individual no sucesso ou não. O tempo lhes dará a oportunidade”.

O ex-jogador falou mais um pouco sobre sua posição: meio-campista. Para ele, não houve muitas mudanças na característica dos jogadores, mas ele percebe um aspecto em que o futebol claramente evoluiu nos últimos anos.

“O que evoluiu, no entanto, é a importância do jogo de passe, que é muito maior: começar lá atrás, do goleiro, depois pelos zagueiros, e avançar a bola. É também alimentar os atacantes, recuperar as segundas bolas... Quando você progride desde o goleiro, com boa posse de bola, tudo fica mais fácil. Mas além disso, essas qualidades, a base permanece comum. Esses jogadores também devem fazer o trabalho defensivo”.