O mundo parou naquele 12 de abril de 2000.
Olhos atentos e ansiosos para ver o retorno de um dos grandes jogadores da história. O Estádio Olímpico de Roma era o palco da volta de Ronaldo Fenômeno aos campos, em um protocolar Inter de Milão x Lazio, pela Copa da Itália. Tinha tudo para ser uma festa.
Não foi!
Os dias de número 12 já faziam parte da carreira do craque brasileiro. Foi em um 12 de outubro, em 1996, que ele marcara o gol mais bonito da carreira (CLIQUE E VEJA!), pelo Barcelona, contra o Compostela. Dois anos depois, em um 12 de junho, sofreu uma convulsão e viu, de campo, a seleção brasileira perder a Copa do Mundo.
E aquele 12 de abril entraria também para a história do Fenômeno De forma triste.
O camisa 9 começou no banco, entrou aos, adivinhe, 12 do segundo tempo e permaneceu só sete minutos em campo. Até tentar um drible para cima do zagueiro Fernando Couto, romper o tendão patelar do joelho direito e desabar em prantos no gramado.
Ronaldo, até então, tinha dado três toques na bola e sofrido uma entrada dura do próprio Couto. Ao cair, imediatamente colocou a mão no joelho e chorou. Gritou pela mãe, pelo pai e foi rapidamente acudido pelos médicos da Inter e da Lazio. Deixou o campo ovacionado pela torcida, mesmo em "território inimigo".
No vestiário, ligou para a esposa Milene Domingues e, mesmo chorando, tentou passar tranquilidade. Ao fim do jogo, deixou o estádio de ônibus com os companheiros, que não tiveram coragem de falar com ele. Só Roberto Baggio, aquele marcado pelo pênalti perdido na Copa de 1994, aproximou-se para passar força.
A angústia durou muito mais tempo. Ronaldo chegou em casa, distraiu-se com o filho recém-nascido Ronald no colo e teve dificuldades para dormir. No dia seguinte, embarcou para Paris para consultar-se com o cirurgião Gérard Saillant, o mesmo que, anos mais tarde, operaria Neymar.
Antes da cirurgia de 5h30 de duração, o craque recebeu várias mensagens de apoio. Pelé, Zico, Falcão, a ex-namorada Suzana Werner e o presidente da Inter, Massimo Moratti. Todos garantindo que o Fenômeno voltaria. A dúvida era grande, enorme.
Ele deu a volta por cima.
Ronaldo só voltaria a jogar no segundo semestre de 2001. O primeiro gol após a operação saiu em 9 de dezembro, contra o Brescia, pelo Campeonato Italiano. Meses depois, o camisa 9 lideraria a seleção brasileira na conquista do pentacampeonato mundial e escreveria um dos capítulos mais bonitos de volta por cima da história do esporte.
Só mesmo um Fenômeno.
