Se um clube se destacou ao longo de sua história por catapultar ao time titular jogadores de sua base, e ver como eles se converteriam em estrelas, esse é o Ajax. Desde sua primeira grande faz, no começo da década de 70 do século passado, e até os dias atuais, muitos e muitos jogadores fiacaram conhecidos pelo clube de Amsterdam após crescer nas suas categorias inferiores e, embora pareça impossível montar um top 10 com autêntica justiça, essa lista não pode ser considerada injusta.
Não aparecem nela jogadores da categoria de Van der Sar, Rep, Overmars, Krol ou até mesmo Frenkie De Jong, porque chegaram ao Ajax por transferências de outras equipes. Você também pode sentir falta de Kluivert, Seedorf, Blind, Menzo, Winter, De Ligt ou Van der Vaart... Porque em uma lista de dez não se pode eleger todos os que mereciam destaque.
1. Johan Cruyff (1964 a 1973 e 1981 a 1983) - 369 partidas
O número um, sem discussão. Aos seis anos, já se deixava ver pelo velho De Meer, e aos dez, entrou para as categorias de base do Ajax, ascendendo a todas as equipes até que em 15 de novembro de 1964, Vic Buckingham o fez estrear oficialmente em jogo contra o Groningen.
Foi o líder indiscutpivel da primeira grande fase do clube, conquistando seis títulos da Liga, quatro da Copa, três Champions, duas SuperCopas da Europa e uma Copa Intercontinental. Foi grande estrela da seleção que fez maravilhas na Copa de 74, um ano depois de acertar sua ida ao Barcelona, foi considerado, com razão, o melhor do planeta e sucessor de Pelé.
Voltou ao clube em 81, já aos 34 anos, mas mantendo um nível para conduzir o Ajax a dois títulos da Liga e um da Copa. Negando-se a se aposentar, como sugerira o presidente Van Praag, ainda foi para o rival holandês, Feyenoord, onde ganhou o doblete na temporada seguinte, antes, agora sim, de se aposentar.
Ninguém como Cruyff personaliza a filosofia do Ajax, e ninguém alcançou sua lenda no time, que dedicou ao jogador o nome do seu estádio após sua morte.
2. Sjaak Swart (1956 a 1973) - 603 partidas
Conhecido como Mister Ajax, é o jogador com mais partidas pelo clube, tendo disputado 603 entre sua estreia, em 1956, e sua aposentadoria, em 1973, após a conquista da terceira Copa da Europa. Chegado com idade juvenil, estreou aos 18 anos com o time principal e era um dos jogadores-chave do elenco quando se catapultou a geração dourada liderada por Cruyff. Terceiro maior artilheiro da história do Ajax (175 gols – atrás de Cruyff e Piet van Reenen), Swart dá nome a uma das doze pontes que dão acesso ao distrito De Meer, batizados em honra de jogadores do clube.
3. Dennis Bergkamp (1986 a 1993) - 237 partidas
Considerado, na sua época, o sucessor de Cruyff, Bergkamp foi recrutado pela academia do Ajax aos 12 anos e o próprio Johan o colocou para estrear com o time principal em 14 de dezembro de 1986, meses antes de completar 18 anos, em uma partida contra o Roda. Seu impacto foi imediato, sendo titular da equipe que conquistou a Recopa naquela temporada de 1986/87, e fazendo parte da segunda melhor era do Ajax, que venceu a Champions de 1995, dois anos após sua transferência milionária para a Inter de Milão. Como assistente, somou também uma Copa da UEFA em 1992, uma Liga e uma Copa da Holanda.
Após rejeitar o Barcelona (que foi chamado pelo mesmo Cruyff) e passa dois anos sem dor nem glória pela Itália, se tornou uma das maiores lendas do Arsenal de Arsene Wenger, onde se aposentaria em 2006. Atacante de uma técnica magnífica, sua partida de despedida serviu como inauguração do Emirates Stadium com um amistoso entre Arsenal e Ajax.
4. Bennie Muller (1958 a 1970) - 426 partidas
Sétimo jogador com mais jogos pelo Ajax, chegou ao clube com idade juvenil e é um dos cinco de origem judaica que pertenceu ao clube, do qual foi membro por 11 temporadas, sendo considerado um ícone ao lado de seu amigo Swart.
Meio-campista com muita bagagem que também deu conta de atuar como atacante, perdeu sua condição de titular após derrota na final da Copa da Europa de 1970 para o Milan por 4 a 1, tendo seu Ligar ocupado por Gerry Muhrenm a quem Michels havia comprado um ano antes, do Volendam.
5. Frank de Boer (1988 a 1999) - 441 partidas
Atual treinador do Atlanta United, da MLS, de Boer foi recrutado por Cruyff para a academia do Ajax aos 14 anos, em 1984, e quatro anos depois, já sem seu mentor no time, estreou com a equipe principal, se tornando de imediato um jogador essencial até sua saída ao Barça, em janeiro de 1999.
Zagueiro de excelente qualidade técnica e saída de bola. Durante suas dez temporadas e meia, atuou em 441 partidas, sendo o sexto com mais aparições pelo Ajax, onde disfrutou da segunda era dourda, na metade dos anos 90 do século passado, conquistando cinco títulos de Liga, dois de Copa, a Champions de 1995 (perdendo a final do ano seguinte), uma SuperCopa da Europa e uma Copa da UEFA.
6. Wim Suurbier (1964 a 1977) - 509 partidas
Uma das personalidades mais excêntricas do primeiro grande Ajax, onde chegou com idade juvenil e foi intocável na equipe principal desde sua estreia, uma semana antes de completar 19 anos, em janeiro de 1964, até sair em 1977, rumo ao Schalke 04, da Alemanha, depois de atuar em 509 partidas e ser o segundo jogador com mais aparições do clube.
Lateral direito que corria distâncias, sua carreira no clube de Amsterdam e na seleção holandesa foi tão impecável quanto suas histórias de comédia no vestiário, sendo conhecido junto ao seu companheiro Ruud Krol como a dupla Snabbel e Babbel.
7. Frank Rijkaard (1980 a 1987 e 1993 a 1995) - 337 partidas
Amigo de infância de Ruud Gullit, com quem começou a jogar em times de bairro em Amsterdam, foi incorporado ao Ajax no juvenil, vindo do DWS, e Leo Beenhakker o fez estrear, em agosto de 1980, com o time principal, em uma aparição brilhante e sendo titular indiscutível durante sete temporadas. Já foi meio-campista, volante, atacante e até defensor.
Depois de jogar 257 partidas e ser uma das chaves do Ajax que ganhou três títulos de Liga, uma Recopa e três Copas da Holanda, teve uma saída falsa do clube, firmando contrato com o PSV antes de voltar atrás, enfrentar a direção e acabar no Sporting de Lisboa. Logo teve uma passagem efêmera pelo Zaragoza e se tronou uma das referências do Milan ao lado de Gullit e Van Basten.
Voltou ao Ajax na fase final de sua carreira, disputando 80 partidas em duas temporadas antes de se aposentar, época em que conquistou dois títulos da Liga e a Champions de 1995. Outro ‘filho de Cruyff’, com quem foi chave como futebolista durante seu primeiro período de ausência e responsável, como treinador, por assinar com o Barcelona.
8. Piet Keizer (1981 a 1974) - 490 partidas
Ponta de excelente qualidade técnica e física e rápido, formou a conhecida ‘dupla real’ com Cruyff na primeira era dourada do Ajax. É o quarto jogador com mais partidas pelo clube, onde chegou aos 12 anos, estreando aos 18 com o time principal, e permanecendo até sua aposentadoria, poucos meses depois da Copa do Mundo de 1974, em que atuou pela seleção holandesa.
Começou a jogar como volante até que, em 1964, durante um jogo contra o DWS, sofreu uma fratura no crânio que o fez temer por sua vida, permanecendo oito meses sem jogar. Em seu retorno, o novo treinador Rinus Michels já havia retocado o sistema de jogo, o colocando na ponta esquerda, em que alcançou o status de lenda.
9. Edgar Davids (1991 a 1996 e 2007 a 2008) - 184 partidas
Nascido no Suriname, chegou a Amsterdam ainda bebê e entrou, depois de duas peneiras frustradas, na escola do Ajax. Estreou sob comando de Louis Van Gaal em setembro de 1991, com 18 anos, e até sua saída cinco anos mais tarde, foi uma peça indiscutível do meio de campo. Conhecido como ‘Pitbull’, sua incansável luta não foi extinta de qualidade técnica, sendo chave na segunda era dourada do clube até sua transferência após derrota na Champions de 1996.
Nessa primeira passagem, conquistou dois títulos da Liga, a Champions de 95, uma Copa da UEFA em 1992, uma SuperCopa da Europa, uma Copa Intercontinental e uma Copa da Holanda. Voltou ao Ajax em 2007, após passagens por Milan, Juventus, Barcelona, Inter e Tottenham, jogando mais duas temporadas com papel secundário (ganhando uma Copa) até se aposentar... Até que, dois anos depois, assinou com o Crystal Palace, da Inglaterra. Se aposentou, definitivamente, em 2014 com o Barnet, da quinta divisão inglesa.
10. Wesley Sneijder (2002 a 2007) - 180 partidas
Meia-ofensivo de técnica excepcional, foi incorporado à escola do Ajax com idade juvenil, e Ronald Koeman, que lhe deu uma chance em dezembro de 2002, aos 18 anos, e como um recurso simples diante da praga das lesões que sofria a equipe, se converteu em titular em fevereiro de 2003, quando se renderam à sua capacidade de liderança, apesar da inexperiência.
Recordista de partidas com a seleção holandesa (134), atravessou uma época de poucos títulos com o Ajax (uma Liga e duas Copas) até ser vendido em 2007 ao Real Madrid, onde permaneceu por apenas duas temporadas, irregulares, antes de ir à Inter de Milão para vencer a Champions de 2010.
Se aposentou em 2019, no Al-Gharafa, do Catar, depois de ganhar um título nacional em quatro países com Ajax, Real Madrid, Inter e Galatasaray.
