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Inteligência artificial 'prevê' futuros craques e ajudou Watford a contratar Richarlison

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Todo clube sonha em encontrar a próxima estrela do futebol mundial. Ou pelo menos investir bem na hora de contratar aquele jovem lateral-direito de outro continente ou de apostar em um meia que se destaca em uma liga nacional menor.

Entre tantas variáveis, são poucos times que conseguem ter olhos em todos cantos do mundo. É aí que a inteligência artificial entra em campo com tecnologia para transformar uma enorme quantidade de estatísticas em um banco de dados capaz de apontar potencial e qualidades de jogadores. Assim, um clube pode refinar a pesquisa e assistir com mais atenção a nomes pré-selecionados.

“Quando um clube nos procura, ele amplia seu mercado. Com a inteligência artificial dos dados, pode-se ver muito mais ligas do que com olheiros. Já se consegue fazer o primeiro filtro e depois ver de perto os jogadores destacados. O clube minimiza a margem de erro e está mais seguro porque tem um componente matemático na análise”, conta Salvador Carmona, cofundador da Driblab, em entrevista ao ESPN.com.br.

Com escritório em Madri, a empresa utiliza a análise de dados de mais de 130 mil jogadores espalhados por mais de 110 competições profissionais. Segundo a consultoria, cada partida de futebol gera cerca de 12 mil pontos de informações no qual se registram o momento e o lugar de mais de 2 mil eventos por jogo. São essas informações que a empresa adquire e, depois de processadas pelo software, apresenta para o cliente com uma análise mais visual.

“É como comprar a matéria-prima. E o sistema analisa para processar os dados e criar modelos para identificar jogadores. É como se comprássemos uma vaca e vendêssemos aos clubes o leite”, explica.

Os contratos têm cláusulas de confidencialidade, então a maioria dos clubes com quem a empresa trabalha não é divulgada. No entanto, alguns acordos são de conhecimento público, como o fechado com o Internacional, em novembro do ano passado, para a prospecção de mercado.

Richarlison no futebol inglês

De acordo com a empresa, o valor de mercado das contratações recomendadas tem média de aumento de 30%. Há casos em que a valorização é ainda maior. No verão de 2017, o Watford buscava por um atacante jovem, que pudesse dar retorno imediato e também tivesse potencial de uma boa venda no futuro. Entre os jogadores da lista, o clube pediu à consultoria mais informações sobre um atleta do Fluminense de 20 anos.

Richarlison foi contratado pelo Watford por 12,4 milhões de euros e vendido já na temporada seguinte ao Everton por mais de 40 milhões. Hoje o brasileiro está avaliado em 65 milhões de euros pelo site especializado Transfermarkt.

Nomes para o futuro

“Contratam a gente para seguirmos, por exemplo, os Sul-Americanos Sub-17 e Sub-20. Vemos o mercado brasileiro envolvido em várias operações de clubes europeus”, conta Salvador Carmona. A pedido da reportagem, ele pesquisou três jovens jogadores brasileiros com indicadores que poderiam chamar a atenção de clubes europeus: