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No Bayern, são 293 mil 'donos': estudo ajuda e entender ódio na Alemanha contra times de bilionários

O futebol alemão tem como característica a regra do 50+1, o que proíbe que clubes tenham acionistas majoritários. Porém, há exceções que normalmente contam com a rejeição em grande parte dos torcedores de outros clubes.

Somente clubes que tenham recebido apoio ininterrupto e significativo durante 20 anos podem escapar da regra, como ocorreu com o Hoffenheim, que pertence a Dietmar Hopp, alvo de diversos protestos nas últimas semanas.

Outras exceções são o Wolfsburg e o Bayer Leverkusen, que contam com uma relação histórica com a Volkswagen e a Bayer, respectivamente.

O RB Leipzig, por sua vez,é um time fundado em 2009 e que ascendeu rapidamente da quinta divisão para as primeiras posições da Bundesliga. Com o apoio da Red Bull por trás, o clube consegue driblar a lei do 50+1 e, por isso, tem tido grande rejeição de outros torcedores em meio ao seu sucesso esportivo.

Um estudo da KPMG Football Benchmark publicado nesta terça-feira ajuda a entender melhor este cenário de rejeição, ao apontar como o Leipzig evita a regra.

“Muitos clubes alemães têm um grande número de membros em suas associações registradas. Membros comprometidos não servem apenas como uma fonte significativa de renda para os clubes, mas também têm direito de voto, constituindo um processo democrático de tomada de decisão dentro clube. O Leipzig, no entanto, decidiu limitar o número de membros que são elegíveis a votar em 19 – todos sendo empregados pela Red Bull, portanto o clube era, na essência, controlado por uma corporação”, aponta o estudo.

O levantamento ainda aponta que o Leipzig tem 750 membros associados, o que é disparadamente a menor quantidade na primeira divisão do Campeonato Alemão. Paderborn (5,3 mil) e Hoffenheim (10,4 mil) vêm na sequência. O Mainz 05, que é o quarto com menos ‘donos’, aparece com uma quantidade de 24,2 mil.

O líder da lista é o Bayern de Munique, com 293 mil, quase o dobro do que o Schalke 04 (155 mil). O Borussia Dortmund completa o pódio com (154 mil). Todos os dados são do KPMG Football Benchmark.

“As exceções da regra do 50+1 são frequentemente criticadas, principalmente por grupos de torcedores que argumentam que tais práticas de mercado irão destruir os valores tradicionais do futebol alemão. Fundamentalmente, os torcedores temem que investidores de fora trariam muita comercialização ao esporte, fariam grandes clubes ainda maiores, aumentariam preços dos ingressos e piorariam a experiência dos torcedores. Eles acreditam que a regra do 50+1 assegura um meio mais estável e protege os clubes do risco de práticas de maus investidores”, diz o estudo.