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Manchester United: Entre altos e baixos, Solskjaer sobrevive a primeiro ano como técnico do time

Um ano atrás, o Manchester United tomaria uma decisão que seria muitas vezes criticada nos meses seguintes: efetivar Ole Gunnar Solskjaer como treinador do clube. Na ocasião, parecia uma escolha óbvia. O time venceu 14 dos 19 jogos que disputou sob o comando do técnico interino. A vitória mais recente tinha garantido o United nas oitavas de final da Champions League depois do 3 a 1 em cima do favoritíssimo PSG, que havia ganhado o jogo de ida em Old Trafford por 2 a 0.

Vitórias, identificação com o clube, carisma: o que poderia dar errado? Os números hoje já não inspiram tanto: Solskjaer venceu 46% dos jogos desde que foi efetivado, o pior retrospecto de um técnico do clube desde Dave Sexton, entre 1977 e 81. Sua falta de experiência como treinador foi colocada como um fator importante em muitos momentos, assim como a instabilidade do time, que sofreu contra equipes tecnicamente mais fracas e em posições inferiores na tabela de classificação.

Mas a diretoria do Manchester United abraçou seu treinador, mesmo nos momentos em que Solskjaer foi mais contestado. E aqui estamos, 12 meses depois. Para sermos justos com os números, antes da pausa o United vinha em uma série invicta de 11 jogos, com atuações que agradaram até os mais críticos ao trabalho do norueguês.

Alguns aspectos já são consensuais. Ole Gunnar Solskjaer é uma figura querida no United, por jogadores, comissão e direção. Após um ano conversando com pessoas do clube, já sabemos que ele é extremamente detalhista nos treinamentos, que podem chegar a até duas horas de duração - as atividades nos meses finais de Jose Mourinho no clube eram bem mais curtas. Seus assistentes, Michael Carrick e Kieran McKenna, são figuras importantes no dia a dia e extremamente atuantes no centro de treinamentos e na área técnica, passando instruções até durante o jogo.

A política de contratações também se mostrou acertada: os cinco reforços nas duas janelas de transferência deram resultado em campo. O mais recente, e talvez o que mais impressionou, foi Bruno Fernandes. Solskjaer também soube insistir em jogadores com quem a torcida não demonstrava mais paciência. Fred é o exemplo máximo disso: nos últimos meses ganhou espaço e a confiança dos fãs, e arrancou elogios até da carrancuda imprensa inglesa. Matic, que aos 31 anos parecia figura descartada, voltou a receber chances.

Contratações com Solskjaer

2019:

Daniel James (Swansea) - £17m

Aaron Wan-Bissaka (Crystal Palace) - £50m

Harry Maguire (Leicester) - £80m

2020:

Bruno Fernandes (Sporting) - £68m

Odion Ighalo (Shanghai Shenua) - Empréstimo

Mas nem tudo são flores no reino do quinto colocado da Premier League. Nos últimos 12 meses, o United teve uma média de 1.6 gol por jogo (apesar das 15 finalizações por partida), ainda distante do DNA ofensivo do clube. A diretoria, aliás, vê em Solskjaer a chance de voltar a demonstrar aspectos que moldaram os Red Devils ao longo dos anos: jogar um futebol atraente, dar chance a jovens e olhar mais para as categorias de base do clube.

Nem sempre convencendo, o United, que chegou a ocupar a 14ª posição na Premier League, hoje está três pontos atrás do quarto colocado Chelsea, e segue vivo nas disputas da Liga Europa e da Copa da Inglaterra. Sem Paul Pogba e, mais recentemente, sem Marcus Rashford, ambos machucados. Suficiente para convencer os críticos de Solskjaer? Talvez seja necessário mais tempo para isso. Mas sobreviver as pressões do seu primeiro ano como treinador efetivado já é algo digno de comemoração.