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Ex-Palmeiras e Flamengo vivencia país-fantasma na Malásia, um dos últimos da Ásia a interromper o futebol

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Há 10 dias isolado na Malásia, e com previsão de mais tempo, Diogo, ex-Palmeiras e Flamengo se exercita como pode em casa (0:49)

Atacante conversou com o ESPN.com.br e falou da rotina no país asiático (0:49)

A despeito da proximidade com a China, a Malásia foi um dos últimos países da Ásia a interromper o futebol profissional por conta da pandemia da COVID-19. Apenas em 14 de março, portanto, há 12 dias, o Campeonato Malaio parou.

"Mas hoje, em compensação, recebi uma comunicação no grupo de mensagens do clube dizendo para ficarmos em casa até o dia 31", contou ao ESPN.com.br o atacante Diogo, Ex-Portuguesa, Flamengo e Palmeiras.

Em seu segundo ano no Johor, time da cidade homônima, distante uma ponte aérea da capital Kuala Lumpur, o jogador está encarando de perto, no continente onde a doença explodiu, as medidas para conter a pandemia.

Antes da parada, porém, Diogo chegou a atuar para um estádio lotado, na inauguração do Sultan Ibrahim Stadium, onde sua equipe, também conhecida como JDT, manda seus jogos, em 28 de fevereiro.

Na nova casa, Diogo ajudou a equipe a faturar o título da Supercopa da Malásia 2020, após o triunfo por 1 a 0 sobre o Kedah.

Nesta mesma data, mais de 3 mil pessoas já haviam morrido na China por conta da doença.

"É, mas agora está todo mundo levando a sério. Não é brincadeira", diz ele. Atualmente, a Malásia contabiliza dez mortes e mais de 1300 casos de COVID-19. Johor, a cidade de Diogo, tinha 156 casos e dez mortes até a quarta-feira (25).

Diogo está em isolamento com a esposa e os dois filhos. "É ruim não poder sair", atesta, replicando um pensamento de 80% dos 7 bilhões de habitantes do planeta.

Como recomendam as autoridades sanitárias, o jogador só sai de casa para resolver questões importantes. E tem se deparado com um cenário de cidade-fantasma.

"Estive em um supermercado aqui perto e só vi duas pessoas na rua durante todo o tempo", conta. Os filhos estudam por meio de tablets, em casa. E só brincam no quintal, sem contato com vizinhos.

Futebol pegado

Depois de deixar o Palmeiras, no fim de 2014, Diogo passou primeiro pelo Buriram, da Tailândia, onde atuou por quatro anos com grande destaque.

Diogo fez 133 gols e deu 44 assistências em 156 partidas disputadas pelo clube. A média de gols do atacante foi excelente: 0,85 gol por jogo

Há um ano, ele decidiu aceitar a transferência para a Malásia, onde encontrou um futebol um pouco mais pegado, de muito contato físico. Na Tailândia, o futebol era mais solto e aberto.

Mesmo assim, em 2019, com o JDT campeão nacional, Diogo anotou 12 gols em 22 jogos e foi o vice-artilheiro da Superliga. Neste ano, em quatro partidas, o time tinha obtido três vitórias e um empate.

Desde que chegou ao clube, Diogo disputou 42 partidas pela equipe, com 22 gols anotados e quatro títulos conquistados - Superliga da Malásia, Copa da Malásia e Supercopa da Malásia.

As características do futebol de Tailândia e Malásia casam em parte com a dos próprios países.

"A Tailândia é um país festeiro. Aqui, até por ser um país de maioria muçulmana, ele são um pouco mais fechados. Não tanto como outras nações muçulmanas, mas, ainda assim, fechados", diz.

Por outro lado, o futebol malaio não tem concentração antes das partidas, o que permite aos atletas dormir em casa antes de jogos.

Além do futebol, a pandemia tem mexido com hábitos muito importantes do país. Da casa de Diogo, por exemplo, ele não tem mais escutado os chamados diários para as preces nas mesquitas.

Diogo está curioso para entender como a Malásia vai coordenar período sagrado do Ramadam com o isolamento por causa do Coronavírus.

Além de jejuns durante quase todo o tempo em que estão acordados, os muçulmanos têm que manter um cronograma de orações e comparecer às mesquitas neste período, que começa daqui a menos de um mês, em 23 de abril.

E o Brasil?

É de Johor que Diogo tem mandando recomendações para seus avós não saírem nas ruas e tomarem os devidos cuidados com lavagem de mãos e uso de álcool gel aqui no Brasil.

Com contrato com o Johor até o fim do ano, Diogo está contente no país e não tem intenção de encerrar o vínculo antes do tempo.

"No ano passado, a temporada foi até novembro. Suponho que chegue até dezembro neste ano", diz.

No clube, Diogo tem como um dos mais próximos o zagueiro brasileiro Maurício Nascimento, ex-Palmeiras, com quem, neste período de quarentena, tem falado muito por Whatsapp.

"Toda vez que falo dele, alguém me pergunta se é o que brigou com o Obina", conta, entre risos. E sim, trata-se do próprio.

Já sua esposa fez amizades na cidade. Troca muitas mensagens com a esposa de um funcionário do clube, em inglês.

Quando não está jogando uma calendário com muitas partidas, Diogo coonsegue levar uma vida normal, com idas a cinema, shoppings centers e restaurantes.

"Televisão, a gente quase não vê. Então, nos informamos muito pela internet", conta.

Com 32 anos e bom desempenho físico, Diogo sabe que ainda teria espaço no futebol brasileiro. Mas sente-se bem na Ásia, embora não negue que a voltar ao Brasil é sempre uma ideia que ronda sua cabeça.

"Porque a gente sente saudade de estar mais perto dos familiares", diz. "Mas sou muito grato por tudo que conquistei aqui na Ásia", afirma.