Faro de gol. Instinto de artilheiro. Conhecer os atalhos dentro da pequena área. Estas são frases comuns que o torcedor costuma usar para se referir aos artilheiros do futebol mundial, que realizam como ninguém a função de balançar as redes adversárias, aqueles que não tremem quando estão cara a cara com o goleiro na hora de finalizar a jogada.
São tantos jogadores e momentos que fica complicado lembrar de algum em específico na memória do torcedor.
Pensando nisso, o jornal inglês The Guardian entrou na brincadeira. O periódico elegeu os seis maiores momentos 'cara a cara' do futebol mundial. Confira abaixo a lista e os momentos elencados pelo jornal.
1 - Davon Suker (Croácia 1 x 2 Alemanha - Quartas de final - Euro 1996)
Disputando uma Euro pela primeira vez na história, a Croácia fazia uma campanha memorável. A novata equipe dos balcãs se classificou na segunda colocação do grupo D, eliminando a atual campeã Dinamarca com uma acachapante vitória por 3 a 0, com dois gols de Suker, inclusive.
Nas quartas, os croatas encontraram a Alemanha, vice-campeã da edição anterior da Euro. Perdendo por um a zero, a seleção pressionava a saída de bola alemã, quando, aos seis minutos do segundo tempo, uma falha da zaga deixou a bola no pé de Suker na entrada da grande área. O camisa 9 teve a frieza de um atacante nato e, com calma, apenas fintou o goleiro Kopke para deixar tudo igual no marcador em Old Trafford.
A Alemanha acabaria vencendo o jogo por 2 a 1, mas o gol de Suker entrou para a história como o grande momento da partida.
2 - Careca (Brasil 2 x 1 Suécia - Primeira fase - Copa do Mundo 1990)
O primeiro brasileiro a aparecer na lista do jornal é Careca. Estreando na Copa de 1990, a seleção brasileira de Sebastião Lazaroni enfrentava a Suécia no estádio Delle Alpi, em Turim - um campo bem conhecido pelo centroavante, que defendia o Napoli na época.
Aos 40 minutos, Branco fez uma boa jogada pelo meio, passou pelos marcadores e encontrou o camisa 9 entrando em velocidade, sem marcação. Com toda sua frieza, Careca não deu chances para Ravelli, que apenas ficou batido no chão enquanto via a bola morrer no fundo do gol após ser driblado.
"Sua calma e precisão no drible, segurando a bola até o limite do tempo necessário para bater o arqueiro sueco com um rápido movimento com a perna direita, fazem deste um grande cara a cara da história do futebol", ressalta o Guardian.
3 - Kanu (Arsenal 5 x 1 Deportivo La Coruña - Quarta Fase - Copa da UEFA 2000)
Carrasco do Brasil nos Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta, o centroavante nigeriano Kanu também aparece na lista.
Na primeira partida da quarta fase da Copa da Uefa de 2000, Arsenal e La Coruña se enfrentavam em Londres. A equipe inglesa liderava o placar por 3 a 1 quando, aos 22 minutos da segunda etapa, uma falha na defesa espanhola permitiu que o atacante pegasse a bola em velocidade em direção ao gol.
Com a frieza e muita calma, Kanu apenas segurou a bola até o momento certo e, com um belo jogo de corpo, deixou o goleiro Songo'o deitado no chão da pequena área, para apenas empurrar a bola para o gol vazio.
O Arsenal venceria a partida por 5 a 1 e chegaria na final da Copa da UEFA, sendo derrotado pelo Galatasaray.
4 - Romário (Brasil 2 x 0 Uruguai - Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994)
Maracanã, 19 de setembro de 1993. Talvez um dos dias que mais ficou marcado no futebol brasileiro - e muito por conta do baixinho Romário.
O Brasil enfrentava um sério risco de ficar de fora de um Mundial pela primeira vez na história. Para isso não acontecer, a vitória sobre o carrasco Uruguai, dentro do Maracanã, era obrigatória.
Apesar de todos os fantasmas presentes para o torcedor brasileiro, Romário decidiu o jogo. O 'baixinho' já havia deixado o dele para abrir o placar, com uma cabeçada indefensável na pequena área, mas o segundo gol do jogo entraria para a história.
Aos 38 do segundo tempo, Romário recebeu passe açúcarado de Mauro Silva. Com todo o faro de gol que lhe é peculiar, o camisa 11 deu uma finta de corpo em Siboldi e cortou para a direita, deixando o arqueiro perdido. Ele chegou na bola e, com um leve toque, garantiu a classificação do Brasil para a Copa de 1994 - e o resto virou história.
5 - Maradona (Napoli 4 x 1 Milan - Campeonato Italiano 1988/89)
Maradona também está presente na lista do jornal inglês. Frio como poucos na cara do gol, o craque argentino poderia ter mais de um gol eleito - como o clássico tento contra a Inglaterra, em 1986 - mas entrou na seleção por um gol com um dos clubes que mais fez sucesso na carreira: o Napoli.
No primeiro turno da Serie A italiana da temporada 1988/89, o Napoli recebia o Milan no estádio San Paolo. Aos 40 minutos do primeiro tempo, Maradona recebeu lançamento preciso entre os zagueiros do Milan e saiu cara a cara com o goleiro Galli. Percebendo a saída do arqueiro da meta, o craque argentino aproveitou o quique da bola e deu uma cabeçada por cobertura, sem chances para o camisa 1 se recuperar.
O gol abriu a goleada por 4 a 1, que ainda contou com dois gols de Careca, companheiro de Maradona na equipe napolitana.
6 - Jorge Burruchaga (Argentina 3 x 2 Alemanha Ocidental - Final Copa do Mundo 1986)
O gol que fecha a lista do jornal inglês é 'apenas' um gol de título mundial. Argentina e Alemanha Ocidental faziam um jogo muito parelho, com uma incrível recuperação alemã após sair perdendo por 2 a 0, marcando duas vezes em sete minutos para deixar tudo igual no marcador.
Com apenas 5 minutos faltando no relógio, Maradona, então bem marcado pelos alemães, encontra um belo passe para Burruchaga. O camisa 7 recebe em velocidade e, com calma, aproveita a indecisão de Schumacher para dar um toquinho no canto do gol, vencendo o arqueiro e dando o título mundial para a Argentina.
