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Honda no Botafogo: Saiba mais da passagem do japonês por Pachuca e Vitesse

A espera, finalmente, acabou! Keisuke Honda vai estrear pelo Botafogo, neste domingo, contra o Bangu, pela Taça Rio (o segundo turno do Campeonato Carioca).

Foram 44 dias desde o anúncio em 31 de janeiro até o meia japonês poder pisar oficialmente no gramado do Estádio Nilton Santos como jogador do Glorioso – infelizmente sem torcida por causa da pandemia do coronavírus.

Jovem prodígio em seu país, Honda se destacou no Nagoya Grampus Eight antes de chegar à Europa pelo VVV-Venlo, que sob sua batuta subiu à primeira divisão holandesa em 2009. Dali, ele chegou ao CSKA Moscou e brilhou com títulos, gols e assistências para então dar o salto rumo ao Milan.

Na Itália, o destaque foi menor, e a partir de 2017 Honda começou um “tour” pelo futebol mundial: América do Norte, Oceania e um breve (e esquecível) retorno à Europa até chegar à América do Sul pelo Botafogo.

O ESPN.com.br conta abaixo a passagem do japonês por dois dos últimos times antes de aterrizar no Brasil: Pachuca e Vitesse.

Pachuca

Ricardo Cariño, ESPN México

Em 2017 Honda tornou-se a principal contratação do Pachuca, um reforço que provocou rebuliço nos meios de comunicação e na própria instituição, que assegurava contar com o melhor elenco de sua história de olho no Mundial de Clubes que disputaria ao final do ano.

O meio-campista chegou após um ano ruim com o Milan, mas sua participação com os Tuzos no futebol mexicano foi destacada, e seu desempenho no campo o colocou como o elenco mais importante no Apertura 2017 e Clausura 2018.

A chegada de Honda ao continente americano provocou que a camisa do Pachuca fosse vendida no país do sol nascente. Além disso, a equipe ganhou na parte económica, já que os jogos eram transmitidos na Ásia.

“Se você estivesse na apresentação de Honda, ficaria impressionado. Veio Nipon TV, Japan TV, cinco ou seis televisões, oito ou dez de imprensa e internet, havia mais de 50 japoneses. É uma loucura o furor por Honda”, afirmou o presidente e dono do Pachuca, Jesús Martínez.

O jogador se tornou em um exemplo de profissionalismo dentro da instituição e deu o que falar ao contar com seu próprio departamento de comunicação e redes sociais. Inclusive, em sua primeira entrevista coletiva, apareceu com um tradutor pessoal, o mesmo que o acompanhou ao longo de sua experiência na Liga MX.

O meia contava com seu próprio chef, mas tampouco teve problemas em provar a gastronomia mexicana e apareceu aos diversos eventos organizados pelos próprios jogadores.

Internamente Honda se integrou ao elenco, mas na comissão técnica existia incômodo com o preparador físico pessoal, que chegou a contradizer o recomendado pelo profissional do clube.

A nível de espetáculo, sua presença se transformou em um atrativo para a comunidade japonesa no México. O jogo entre León e Pachuca no estado de Guanajuato provocou que pouco mais de mil torcedores originários do Japão fossem à partida, e isso também se repetiu na visita da equipe a Torreón, onde algumas dezenas de asiáticos estiveram nas arquibancadas do estádio TSM.

Ele foi uma peça destacada para o clube, e ao longe de 36 jogos marcou 13 gols e deu oito assistências. Além disso, em seu primeiro semestre, o clube foi vice-campeão da Copa MX após perder na final para o Monterrey.

O jogador decidiu colocar ponto final a sua aventura no México ao finalizar o Clausura 2018 e cumpriu 100% seu contrato, mesmo que fosse durante quase 12 meses o mais bem-pago do elenco.

Vitesse

Pascal Kamperman, Fox Sports Holanda

Nós temos boas memórias de Honda na Holanda, por causa de sua ótima passagem pelo VVV-Venlo. Ele foi um dos melhores jogadores na Eredivisie e conseguiu uma transferência para o CSKA Moscou em 2020. O técnico naquele momento do CSKA era Leonid Slutsky – ele e Honda trabalharam por muitos anos juntos na Rússia e tinham uma boa relação.

Em novembro de 2019, Slutsky estava com problemas no Vitesse: os torcedores e a direção do clube não estavam felizes com o estilo de jogo, e o treinador precisava de um jogador novo, criativo. Honda não tinha contrato naquele momento e ainda possuía o desejo de jogar a Olimpíada de Tóquio. Então, ele precisava jogar em algum lugar. Seu último jogo fora pelo Melbourne Victory, e ele precisava ficar em forma.

Slutsky e Honda pensavam que eles poderiam se ajudar, uma situação ganha-ganha. Mas desde o início ficou claro para todos: Honda não estava em forma, não estava em boa condição. Eu fui a sua primeira partida com o Vitesse, contra o Sparta Rotterdam, e falei com ele no final. Todos, claro, podem ver que ele é um bom jogador. Quando ele tem a bola, ele pode mostrar ótimas habilidades e sua criatividade. Mas ele ainda não estava em forma, tinha problemas para defender e com a velocidade do jogo. Após essa partida, ele ficou decepcionado, não poderia criar um impacto maior no time.

Quando Slutsky se demitiu, Honda sentiu-se responsável por isso. Além disso, o japonês não estava mais no time titular, ficava só no banco. Então, para ser honesto, sua passagem em Vitesse foi um fracasso. Honda decidiu sair também – ele não se encaixava mais no time, seu amigo Slutsky foi embora, então não havia mais razão para ele ficar.

Eu acredito que quando ele disse adeus ninguém ficou surpreso. E os torcedores não ficaram tristes, porque a contribuição que Honda tinha para a equipe não era a que eles esperavam, e os fãs perceberam que o meia não fazia o time melhor. Então, infelizmente, ele só jogou quatro partidas pelo Vitesse. Não foi como ele queria quando chegou a Arnhem.

Resumindo, sua passagem por Arnhem foi um fracasso total, e eu acho que ele vai para o Botafogo para manter seu sonho dos Jogos Olímpicos vivo.