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Neymar: 11 anos como profissional em 11 momentos e mais uma 'faixa bônus'

Palmeiras x Corinthians. A rodada 12 do Campeonato Paulista de 2009 tinha como maior atração a partida entre os grandes rivais no Morumbi, dia 8 de março. Empataram em 1 a 1, enquanto outro favorito, o São Paulo, era derrotado por 2 a 0 pelo Mogi Mirim. Mas nenhum deles, nem Keirrison, nem Hernanes, tampouco Ronaldo, que voltava ao Brasil após uma curta e acidentada passagem pelo Milan, ocuparam as manchetes daquele fim de semana.

Um dia antes, em 7 de março, se enfrentaram no Pacaembu Oeste e Santos. E só um nome existia no ambiente: Neymar, o jovem de 17 anos considerado naquele momento digno herdeiro de Pelé e a quem Vagner Mancini relacionou pela primeira vez, deixando-o de início no banco. O Santos venceu por 2 a 1, e os 21.918 torcedores que assistiram à partida viram in loco sua estreia, quando aos 13 minutos do segundo tempo entrou em campo na vaga de Molina. E em seu primeiro lance, deu cruzamento da direita, com veneno, que acertou a trave.

Ali começava a carreira de um jogador diferente, com estilo próprio, uma espécie de Rei Midas do futebol que em algumas ocasiões foi mais notícia por seus devaneios fora de campo do que por sua excelência dentro dele.

E completando 11 anos de sua estreia - curiosamente em outro sábado -, detalhamos aqui 11 momentos especiais da carreira de Neymar. Mais uma "faixa bônus", imprescindível para entender sua história futebolística.

1 - Final da Libertadores, 22 de junho de 2011

O Santos, que conquistou sob o comando de Pelé a Copa Libertadores em 1962 e 1963, acumulava 48 anos de decepções na competição máxima do continente. Mas a seca estava para terminar. Em seu retorno ao torneio, após dois anos de ausência, o Peixe, com liderança indiscutível de Neymar, já havia superado algumas armadilhas: América-MEX, Once Caldas e Cerro Porteño ficaram pelo caminho nas oitavas, quartas e semifinais, respectivamente.

E na final, o duelo contra o Peñarol, cujo quinto e último título do torneio havia acontecido em 1987. A ida, jogada em Montevidéu, terminou sem gols. E na volta disputada no Pacaembu, o Santos alcançou a glória. Venceu por 2 a 1, e Neymar, autor do primeiro gol, alcançou o status de estrela indiscutível.

2 - Final do Mundial de Clubes, 15 de dezembro de 2011

Como campeão da Libertadores, o Santos chegou ao Mundial de Clubes e ganhou a semifinal sem problemas diante do Kashiwa Reysol, por 3 a 1, com gol e grande exibição de Neymar. Na final, teria pela frente o Barcelona.

Três semanas antes, os jornais espanhóis publicaram que o clube catalão queria atravessar a negociação de Neymar com o Real Madrid, para onde os veículos garantiam que o jogador iria em 2014, por 60 milhões de euros. A final do Mundial era sua apresentação para o mundo.

Em 15 de dezembro de 2011, o Barcelona de Guardiola passou por cima do Santos, goleando por 4 a 0 em um atropelamento sem discussão, em partida na qual o time brasileiro ficou sem reação. Foi a primeira grande decepção de Neymar, que conheceu pessoalmente Messi.

3 - Contratação pelo Barcelona, 24 de maio de 2013

Durante o mês de fevereiro, o Real Madrid, sabedor dos movimentos do Barcelona para contratar Neymar, enviou representantes ao Brasil para falar com o jogador. Mas o Santos comunicou Florentino Pérez de que não havia nada a fazer, porque Sandro Rosell, presidente do clube catalão, havia feito o necessário para ficar com o jogador.

Tanto Neymar quanto sua família, agentes e o Santos guardaram segredo, apesar da notícia de sua ida para o Barcelona ter se tornado viral. Até que, em 24 de maio, o Barcelona tornou oficial sua contratação, anunciada por 58 milhões de euros, mas que, com o passar do tempo, provocou um escândalo maiúsculo com a revelação de uma operação que, descobriu-se, custou mais de 100 milhões de euros e acabou motivando a renúncia do presidente do clube.

4 - Final da Copa das Confederações, 30 de junho de 2013

Bicampeã da Europa e vencedora da Copa do Mundo, a fama e a glória acompanhavam a Espanha por onde fosse. Até que sua estrela começou a apagar e a realidade a desmontar na Copa das Confederações de 2013, disputada no Brasil e que teve os dois países na final no Maracanã, com os anfitriões diante dos grandes favoritos.

O Brasil venceu por 3 a 0, destroçando a equipe de Vicente del Bosque, incapaz de frear um endiabrado Neymar, que, autor de um gol e uma assistência, enlouqueceu Arbeloa e Sergio Ramos e chegou a provocar a expulsão de Piqué no segundo tempo.

5 - Quartas de final da Copa do Mundo do Brasil, 4 de julho de 2014

Neymar estava diante de um desafio fundamental e definitivo de suceder Pelé, Romário e Ronaldo. O Brasil, em casa, disputava a Copa do Mundo de 2014, e o atacante do Barcelona estava correspondendo. Dois gols para começar contra a Croácia, outros dois contra Camarões, assistência e pênalti decisivo contra o Chile... E chegou o jogo das quartas de final contra a Colômbia.

O Brasil vencia por 2 a 1. Neymar, muito marcado, brilhava em lances esporádicos, mas o suficiente para preocupar toda a defesa adversária até o fim. Ao tentar controlar uma bola despachada pela defesa, sofre uma entrada arrepiante de Zúñiga, que chocou seu joelho com as costas do craque, provocando sua ida imediata ao hospital e seu corte para o resto do torneio.

Aquele 4 de julho terminou com Neymar chorando de dor e impotência, sabendo que estava fora das semifinais quatro dias depois, contra a Alemanha. O 7 a 1 que destroçou os mandantes foi assistido por ele, incrédulo, das tribunas. O sonho terminou em pesadelo.

6 - Final da Champions League, 6 de junho de 2015

A segunda temporada de Neymar no Barcelona foi a de sua confirmação e do nascimento do explosivo tridente, com a chegada de Luis Suárez ao clube para acompanhar a ele e Messi em um ataque dos sonhos. No meio da temporada, explodiu uma crise entre Messi e o treinador, Luis Enrique, que quase provocou uma queda da equipe. Mas, a partir daí, o Barça se fortaleceu no campo e arrasou.

Primeiro, ganhou a Copa do Rei. Depois, LaLiga. E em 6 de junho, enfrentava em Berlim a Juventus pelo título da Champions League. A equipe catalã venceu por 3 a 1, com Neymar anotando o último gol. Em tempo, declarou chorando: "Por isso vim para a Europa, por isso vim para o Barcelona".

7 - Final dos Jogos Olímpicos, 20 de agosto de 2016

O Rio de Janeiro recebeu os Jogos Olímpicos, e Neymar liderou uma seleção brasileira que nunca havia conquistado o ouro. O que não conseguiram Romário em 1988, Ronaldo em 1996 e Ronaldinho em 2000 e 2008, ele buscava desesperadamente em 2016, quatro anos depois de, em Londres, ser derrotado pelo surpreendente México na decisão.

Em casa, isso não poderia acontecer novamente. E depois de superar sem brilho a primeira, o Brasil avançou à final deixando pelo caminho, sucessivamente, Colômbia e Honduras. Em 20 de agosto, no Maracanã, o Brasil enfrentou a Alemanha, que, dois anos antes, com a equipe principal, humilhou a seleção na Copa. E Neymar se tornou o diretor absoluto de uma partida duríssima, que acabou em 1 a 1, marcando o gol dos anfitriões.

Chegando aos pênaltis, o Brasil venceu por 5 a 4, com Neymar convertendo a última cobrança. A seleção era campeã olímpica, e o atacante era o herói indiscutível.

8 - A virada contra o Paris Saint-Germain, 8 de março de 2017

O Barcelona de Luis Enrique havia sido atropelado no Parque dos Príncipes por um PSG que o goleou por 4 a 0 na ida das oitavas de final da Champions. Nunca na história do torneio um clube tinha conseguido uma virada deste tamanho.

Mas em 8 de março, em um Camp Nou lotado e embalado, a equipe de Luis Enrique conseguiu a maior virada já vista. Messi brilhou menos que o esperado e deixou todo o protagonismo para Neymar, autor de dois gols e duas assistências para explicar o 6 a 1 final com que a equipe desmontou o PSG. A noite mais explosiva, com a camisa catalã, de Neymar.

9 - Clássico com o Real Madrid em Miami, 30 de julho de 2017

"Neymar vai embora". "Neymar não ficará". Foram duas semanas de uma novela que o Barcelona viveu, e sofreu, em pleno tour pelos Estados Unidos. Piqué chegou a publicar uma foto junto ao brasileiro nas redes sociais, com a legenda: 'Fica', tentando encerrar o assunto. E no dia 30 de julho, o Barça faria um clássico com o Real Madrid em Miami.

Ninguém tinha certeza, mas muitos sentiam que esta seria a última partida de Neymar com a camisa do time. Jogou como sempre, se entregou, encarando Carvajal, e foi substituído no segundo tempo por Arda Turán. No banco, após sair de campo, tirou o casaco. Não voltaria a colocá-lo.

10 - Contratação pelo PSG, 3 de agosto de 2017

De volta dos Estados Unidos, o Barcelona retornou aos treinos em 2 de agosto, mas Neymar apareceu no CT apenas para se despedir de seus companheiros, enquanto o PSG anunciava que o Barcelona havia recebido o valor de 222 milhões de euros estabelecidos em sua cláusula de rescisão.

No dia 3 de agosto, tornou-se oficial sua intempestiva saída de um Barcelona que, pela terceira vez na história (depois de Maradona e Ronaldo), contemplava impotente a fuga de um craque.

11 - Divórcio em Paris, 27 de agosto de 2019

Após duas temporadas menos felizes do que o esperado no PSG, com lesões, desentendimentos no vestiário e com torcedores, eliminações na Europa e a sensação de que sua saída do Barcelona foi um erro, Neymar informou ao clube seu desejo de retornar.

No Camp Nou, foi ligada uma máquina para tentar tornar possível a operação que, sabia-se, era dificílima. E Neymar, através de seu pai, sentenciou publicamente suas intenções em 27 de agosto. "A saída do Barcelona foi equivocada e seu desejo é voltar". O PSG não cederia, e o craque, repudiado pela torcida, teria de permanecer em sua chamada "prisão de ouro". Ao menos por mais um ano

12 - Faixa bônus - Neymar madridista, 30 de março de 2006

A história poderia ter sido muito diferente. Muito. Em março de 2006, um Neymar muito jovem (acabara de completar 14 anos) viajou a Madri na companhia de seu pai e de seu agente Wagner Ribeiro. Já despontava nas categorias inferiores do Santos e, apadrinhado por Ronaldo, treinou durante duas semanas com os garotos do Real, causando sensação por sua incrível qualidade.

Tanto foi assim que em 30 de março, quatro dias depois de comparecer ao Santiago Bernabéu para ver ao vivo uma goleada merengue (4 a 0) sobre o Deportivo La Coruña, na qual Ronaldo lhe dedicou um gol, o Real enviou sua ficha para a Federação Madrilenha de Futebol. A contratação era considerada certa, até ser interrompida de forma abrupta.

Abrupta, inesperada e dolorosa para sua família. O Real vivia uma época complicada após a renúncia inesperada de Florentino Pérez como presidente, e o diretor geral corporativo do clube, Carlos Martínez de Albornoz, não atendeu a solicitação do secretário técnico, Ramón Martínez, de fechar a contratação... Porque entendeu que era sem propósito pagar os 60 mil euros em que haviam acordado o acerto pelo jovem.

E Neymar voltou ao Brasil. O Real Madrid, com o passar do tempo, entendeu o erro estratégico e monumental que cometeu. Tentou, depois, aproveitar a relação com seu pai para fechar a contratação em 2009. E em 2010 e 2011. E também em 2012... Mas não conseguiu. O Barcelona jogou suas cartas com agilidade e acabou levando em 2013, sete anos depois do Real Madrid ter o jogador em suas mãos.