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Caso Ronaldinho gera crise interna no Paraguai: mensagem no Whatsapp, demissões e até 'máfia'

Os passaportes apreendidos com Ronaldinho Gaúcho e seu irmão Assis geraram trocas de acusações entre autoridades do Paraguai. Há questionamentos sobre como a dupla conseguiu entrar no país com os documentos e só ter que prestar esclarecimentos já na noite de quarta-feira, no hotel.

Ministro do Interior paraguaio, Euclides Acevedo cobrou investigação e prometeu também demissões, se dirigindo, principalmente, aos responsáveis pela imigração ainda no aeroporto.

“(O Departamento de) Migrações não devia deixa-lo entrar, aqui há várias responsabilidades a serem assumidas, porque esse tipo de coisas não se podem tolerar. O mais provável é que estejam envolvidas”, disparou Acevedo, em entrevista à rádio local “Monumental 1080 AM”.

“A Polícia se deu conta de que o documento não figurava no sistema com o nome de Ronaldinho e avisou. O responsável de Migrações deixou passar” seguiu. “As pessoas envolvidas serão investigadas e dependendo do resultado veremos as responsabilidades”, completou.

No foco das críticas está Alexis Penayo, diretor de Migrações no Paraguai, que rebateu Acevedo. “Eu tenho a prova que alertei o ministro. O informei via Whatsapp que esses dados não figuram no sistema e que (Ronaldinho) aparecia como naturalizado. Ele só visualizou”, afirmou.

“Fico com as provas. Eu tenho as provas que alertei o Ministério do Interior e o diretor de Identidades. Enviei as fotos dos passaportes e avisei: ‘não está no sistema’”, continuou.

“Informei das minhas ações. Fora isso, a Polícia o escoltou desde que chegou até a noite. Por que escoltaram? Por que se sabiam disso, não denunciaram e o detiveram?”, questionou.

Além da troca de farpas entre os dois e as promessas de investigação e até demissões, políticos paraguaios também entraram na discussão, sem poupar críticas.

Fernando Lugo, por exemplo, ex-presidente do Paraguai e hoje senador, atacou: “A questão não é nova. Isso é da década de 70, gente da Brigada Vermelha tinha passaporte paraguaio na Europa. Depois, a máfia da Migração e, sobretudo, também Identidades, segue funcionando... E isso é a mostra mais palpável de que segue funcionando”.

Outro senador, Arnaldo Franco também disparou contra as instituições. “Houve uma falha e tem que haver punição, seguramente. Tem que haver um responsável. As instituições têm que assumir sua responsabilidade. Isso mostra a debilidade do Estado e essas são os órgãos que têm que controlar isso.”