Sem clube desde o fim de novembro de 2019, Unai Emery deu declarações importantes nesta segunda-feira. O ex-treinador de Arsenal e PSG falou sobre pontos polêmicos de seu período na França e também na Inglaterra em entrevista publicada pela revista France Football.
E quando se aborda o time parisiense, não há como esquecer de Neymar. O treinador falou sobre o brasileiro e disse até que ajudou a convencê-lo a deixar o Barcelona.
“Sempre me senti apoiado pelo presidente Nasser (Al-Khelaifi). Por exemplo, quando estávamos na iminência de contratar o Neymar, coube a mim, pessoalmente, explicar a ele que iríamos construir um time ao seu redor”, contou o espanhol.
“Com um jogador tão fenomenal, você não pode dizer que já tem um time montado e que ele precisa se adaptar. Você precisa fazer o time para ele. Se não, ele não virá, isso com certeza. O presidente e a diretoria conversaram sobre o contrato, mas é o técnico que precisa convencer em termos de projeto dentro do campo”, explicou o treinador.
Thiago Silva e 'zona de conforto'
Neymar não foi o único brasileiro sobre quem Emery falou. O profissional de 48 anos também abordou questões táticas de Thiago Silva, zagueiro o qual elogiou, mas fez ressalvas.
“Eu queria que o time defendesse mais à frente. Thiago Silva é um superjogador, mas eu queria que ele se posicionasse mais à frente e não tive sucesso em convencê-lo a aceitar isso. Eu queria que ele saísse da sua zona de conforto, para que ele defendesse mais alto, de forma que a pressão geral do nosso time nos nossos oponentes pudesse ser mais efetiva”, explicou Emery.
“Eu trabalhei com ele para que ele aceitasse isso, mas não tive sucesso. E essa característica do jogo de Thiago Silva reverberou no resto do time, que sob pressão, tinha uma tendência natural de recuar. Como no Camp Nou (na derrota por 6 a 1). Eu dei a instrução de adiantar a marcação, mas não fui ouvido”, declarou Unai.
‘Claramente eliminados pela arbitragem’
Apesar da situação tática com Thiago Silva citada por Emery, o treinador não colocou a culpa da famosa eliminação para o Barcelona nas oitavas de final da Champions League de 2016/17 em seus jogadores. Pelo contrário: para ele, a arbitragem foi a vilã.
“Na partida de volta, fomos eliminados porque o VAR não existia ainda. Claramente fomos eliminados por decisões da arbitragem”, disse o técnico.
Embora não tenha obtido sucesso na competição continental, Emery vê pontos positivos em sua passagem na França.
“Eu ganhei o Francês, quatro copas domésticas e duas Supercopas da França. O objetivo principal era a Champions League. No primeiro ano, nas oitavas contra o Barcelona, produzimos um nível muito impressionante na partida de ida”, relembra o técnico, citando o duelo vencido por 4 a 0.
“No segundo ano, contra o Real Madrid, perdemos para um time que ganhou três Champions seguidas, e de novo, na partida de ida, também podemos olhar para a arbitragem. Em resumo, perdemos na primeira vez por causa da arbitragem e na segunda contra os campeões”, sintetizou o espanhol.
Críticas às estrelas do Arsenal
Após deixar o PSG, Emery foi contratado pelo Arsenal em maio de 2018. O treinador ponderou sobre sua primeira temporada, na qual não teve tanto sucesso.
“O Arsenal era um clube numa descendente por dois anos antes de eu chegar. Nós paramos essa queda e até começamos a reconstruir o clube com uma final de Europa League e um quinto lugar na Premier League, só um ponto atrás do Tottenham, apesar do fato de que só conquistamos um ponto nos cinco jogos finais. Tínhamos a classificação para a Champions League na mão e deu errado no fim”, disse Emery.
O espanhol, entretanto, não gostou do comportamento das lideranças do clube.
“Foi uma boa temporada e tínhamos essa noção de continuar a evoluir. Mas perdemos nossos quatro capitães: Koscielny, Cech, Ramsey e Monreal. Eles eram personalidades das quais sentimos falta nesta temporada para ficar no caminho certo. E algumas estrelas não tinham boa atitude e pediam mais do que davam de volta. Considerando tudo isso, precisávamos de tempo para ter sucesso com nossa transição para o novo Arsenal que eu queria”, definiu Unai.
