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Reforço do Botafogo e ex-10 do Milan, Honda foi lapidado por técnico brasileiro

Reforço do Botafogo para 2020, Keisuke Honda começou a carreira no Japão como jogador sob os olhos de um brasileiro. No início dos anos 2000, com apenas 15 anos de idade, o meia foi treinado por Fahel Júnior, em uma escola japonesa chamada Seyrio Koko de Kanazawa.

“Eu fui para o Japão jogar futebol em 1991 e trabalhava em algumas empresas. Depois, virei treinador em uma escola. O Honda foi meu aluno no time entre 2000 e 2002, porque lá quase não tem categorias de base nos clubes. Os colégios são muito fortes no esporte”, afirmou Fahel ao ESPN.com.br.

Ainda muito novo, o japonês sempre se destacou entre os companheiros. Não só pela liderança técnica, mas também pela liderança comportamental com os colegas.

“Ele tinha 15 anos e estava em fase de formação. Era um molecão, mas já era destaque do colégio e vários times queriam ele. Sempre foi um líder e falava muito dentro de campo. Ele passou um tempo morando na Argentina jogando antes do colégio, bem garoto mesmo”, completou o treinador.

O técnico brasileiro lembra que ajudou a melhorar uma deficiência do garoto.

"Era um ala esquerdo e até falava para usar mais a perna direita, só usava a esquerda. Era meio penso (risos). Cobrava muito isso do Honda. Cheguei a colocá-lo de ala esquerda e meia", comentou.

O brasileiro comentou que, pouco tempo depois, quando completou 16 anos, Honda já era capitão do time. Porém, o colégio era muito forte e exigia ótimas notas, assim os alunos podiam participar dos treinamentos.

Além dos estudos, como todo estudante japonês, limpava o banheiro da escola com seus colegas.

“Ele tem uma personalidade muito forte. Questionava muito sobre tática, qual a função dos treinos. Ele vinha, conversava sobre a formação do time e interagia com os treinadores. Não era quieto, nem tinha vergonha como os japoneses. Era uma inteligência fora de série. Queria entender, ficava mexendo na minha prancheta de botões e pensando em posicionamentos diferentes”, disse Júnior.

O meio campista sempre admirou o futebol brasileiro. Até no jeito de ser, era mais extrovertido que os japoneses habitualmente. Quando fazia suas refeições com o antigo treinador, fazia questão de sempre falar sobre o Brasil, além de perguntar sobre jogadores com Zico e Ruy Ramos.

O ponto primordial da carreira de Honda aconteceu quando chegou ao terceiro colegial. Na ocasião, era necessário que optasse por seguir à universidade ou tentar a carreira em um time profissional.

“Eu viajei até Nagoya. Fui procurado pelos scouts e o indiquei ao Nagoya Grampus, que o treinador era o Nelsinho Baptista. Ele foi para lá e fez história”.

Pelo time de Nelsinho, atuou de 2005 até 2007. Daí em diante, seguiu evoluindo em sua carreira. Após o futebol japonês, migrou para o VVV-Venio, da Holanda, onde atuou por mais dois anos. Em sua primeira temporada, acabou sendo rebaixado. Mas, no ano seguinte, foi o principal jogador da equipe no retorno a elite do futebol holandês.

O grande pulo em sua carreira aconteceu no ano de 2010, quando Honda acertou sua transferência para o CSKA Moscou, da Rússia, por aproximadamente 6 milhões de euros.

Pelo CSKA, tornou-se o primeiro atleta japonês a chegar às quartas de final da Champions League.

Em 2013, com ótimas atuações no futebol russo, foi cogitado por grandes clubes europeus, assim concretizando sua ida para o Milan. Fez sua estreia contra o Sassuolo.

Na segunda temporada pelo clube italiano, tornou-se o camisa 10 da equipe. Manteve-se por lá até o durante quatro temporadas, até o fim de seu contrato, em 2017.

Depois, defendeu Melbourne Victory e Vitesse antes de chegar ao Botafogo. Mesmo depois de uma carreira de sucesso, Honda não esquece suas origens.

“O Honda ainda ajuda muito o colégio até hoje. Manda chuteira para os garotos e ainda passa lá de vez em quando. Fico feliz porque hoje é um dos maiores ídolos da história do Japão. Queria ter encontrado com ele na Copa do Mundo de 2014 do Brasil, mas não consegui”, finalizou Fahel.