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Real Madrid x Sevilla: Lopetegui perdeu Copa pelo Real, durou só 135 dias e hoje revê ex-clube

Um dos responsáveis pela ótima campanha do Sevilla em LaLiga, o técnico Julen Lopetegui teve uma passagem de apenas 135 dias - e muito conturbada - pelo Real Madrid em 2018. Ele irá reencontrar o clube merengue no Santiago Bernabéu no jogo que terá transmissão da ESPN Brasil e do WatchESPN, neste sábado, às 12h (de Brasília).

“Os jogadores serão o centro das atenções, eles é que são os protagonistas no futebol. É normal haver algum protagonismo dos treinadores quando regressam, mas quando o árbitro apitar as atenções viram-se para o jogo”, disse Lopetegui em coletiva nesta sexta-feira.

O basco chegou a Madri sob o signo da discórdia. Quando era técnico da seleção da Espanha, ele foi anunciado pelo Real às vésperas da estreia da Roja na Copa do Mundo de 2018. Descontente, Luis Rubiales, presidente da Real Federação Espanhola, o demitiu, colocando o auxiliar Fernando Hierro em seu lugar.

Apresentado pelo presidente Florentino Perez, menos de 24 horas depois de deixar a seleção espanhola, Lopetegui chorou muito ao discursar.

“Desde a morte de minha mãe, ontem foi o dia mais triste da minha vida. Mas hoje é o mais feliz, porque sou o técnico do Real Madrid”, disse à época.

Ele assumiu a vaga de Zidane na equipe tricampeã da Champions League e que perdeu sua maior estrela, Cristiano Ronaldo, para a Juventus.

135 dias turbulentos

Lopetegui estreou de forma oficial no Real Madrid com uma derrota para o Atlético de Madrid, na final da Supercopa da Uefa. De virada, os merengues levaram 4 a 2 dos rivais.

No Espanhol, o primeiro jogo, contra o Getafe, foi uma vitória por 2 a 0. Na Champions League, competição na qual o clube defendia o título, o time venceu a Roma por 3 a 0.

Em pouco tempo, porém, a equipe começou a dar sinais de queda. Em LaLiga, perdeu três jogo seguidos. Na Champions, caiu diante do CSKA, em Moscou, por 1 a 0, e suou para superar o Viktoria Plzen, por 2 a 1.

Além dos resultados, as rusgas do treinador basco com a direção do clube também minaram o treinador. Aposta pessoal do presidente do clube, o brasileiro Vinícius Jr. não conquistou o técnico e acabou sendo relegado de diversas convocações da equipe - constantemente atuando pelo time B.

No clássico contra o Barcelona, mesmo liberado após briga jurídica, o jogador não foi nem sequer relacionado para o banco de reservas - o que certamente não deixou contente a direção do clube.

A partida terminou com uma derrota por 5 a 1, o que encerrou a trajetória de Julen Lopetegui no comando do Real Madrid. Ele foi o primeiro treinador demitido, com apenas 11 semanas de competição no cargo, em toda a história merengue. Ele saiu com 6 vitórias, 2 empates e 6 derrotas em 14 jogos, depois de ter ficado 20 jogos consecutivos sem perder pela seleção da Espanha.

Depois de passar seis meses desempregado, o treinador assumiu o Sevilla em junho de 2019. Desde então, é o quarto colocado de LaLiga com 35 pontos, apenas cinco atrás dos líderes Real Madrid (2º) e Barcelona (1º).

"Gentil e bem vestido"

Ex-goleiro com passagens por Real Madrid, Barcelona, Rayo Vallecano e seleção espanhola (foi reserva de Andoni Zubizarreta na Copa do Mundo de 1994), Lopetegui começou a carreira como treinador no Rayo, em 2003.

"Ele é um ídolo do time, mas infelizmente foi demitido no meio da temporada. É uma pessoa criativa, enérgica e inteligente. Foi um privilégio trabalhar com ele", disse o ex-meia Iriney, ao ESPN.com.br.

Nesta época, Lopetegui já demonstrava ser um treinador preocupado com a estratégia de jogo.

"Era um cara que trabalhava muito o sistema tático com as linhas bem próximas. Você ataca e defende de forma unida. É uma organização muito diferente em relação ao Brasil. Era um cara que se preocupava muito com o sistema defensivo, acho que até por ter sido goleiro (risos). Mas não era um retranqueiro", explicou o brasileiro.

Fora de campo, o técnico chamava atenção pela elegância. "Ele passava muita confiança e era muito profissional. Um cara muito educado, gentil e bem vestido", observou.

Depois do Rayo, ele treinou Real Madrid B (Castilla), Espanha (seleções de base), Porto, seleção espanhola principal, Real Madrid e Sevilla.