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Camisa 24 é usada no Brasil por obrigação e por goleiros que nem jogam

A cada ano, os clubes brasileiros vêm ampliando o discurso de combate à homofobia. Na prática, porém, alguns sinais escancaram que o preconceito ainda está muito presente no esporte. Um exemplo é a rejeição à camisa 24, utilizada no país apenas por obrigação e por jogadores que dificilmente entram em campo.

O 24 se tornou “proibido” no futebol por causa de uma crença popular que o liga à homossexualidade. A explicação mais plausível para isso é o “Jogo do Bicho”. Nele, o número está ligado ao veado.

Independentemente do motivo, o fato é que o número se tornou tabu no futebol brasileiro, e prova disso foi dada pelo diretor de futebol do Corinthians, Duílio Monteiro Alves, nesta sexta-feira. Pouco antes da apresentação de Cantillo como novo reforço do clube, o dirigente foi flagrado explicando o motivo pelo qual o volante trocou a camisa 24, usada por ele na Colômbia, pela 8: “24 aqui não!”.

De fato, não é apenas no Corinthians que o número é tabu. Entre os 20 times que disputaram a Série A do Campeonato Brasileiro do ano passado, a norma foi usar a camisa 24 apenas em casos obrigatórios, e normalmente com jogadores que poucas chances tinham de entrar em campo.

Como as competições da Conmebol obrigam que os jogadores vistam números de 1 a 30, as equipes precisam inscrever alguém com a camisa 24. O próprio Corinthians, por exemplo, teve o atacante Gustavo Silva e, posteriormente, o volante Matheus Jesus com o número na disputa da Copa Sul-Americana em 2019.

O atacante Carlos Eduardo foi inscrito com esta camisa pelo Palmeiras na Copa Libertadores, assim como o colombiano Anderson Plata no Athletico-PR. No Fluminense, o jovem Marcos Paulo ficou com a 24 na Sul-Americana, mas, no geral, o número foi destinado a terceiros goleiros, casos de Santos, Atlético-MG, Bahia, Botafogo e Chapecoense, na Sul-Americana; Cruzeiro, São Paulo, Internacional, Grêmio e Flamengo, na Libertadores. No time rubro-negro, Pablo Marí foi inscrito na vaga de Thiago na fase final e herdou o número.

A única exceção ficou por conta do Grêmio. Foi o terceiro goleiro do clube, Brenno, quem ficou com a camisa 24, mas utilizou-a também no Campeonato Gaúcho. Inclusive, em sua estreia como profissional, simplesmente em um Gre-Nal.

"Não foi uma escolha minha de ter esse número, mas também não chegaram em mim e falaram para eu usar. Não vejo problema nenhum, não tenho esse pensamento. O importante é ir para os jogos e ajudar a equipe", explicou em entrevista ao portal iG Esporte, no ano passado. "Foi o meu número de estreia. Estreei em um Gre-Nal, então vai ficar marcado na minha vida como uma coisa boa. Por isso, não vejo problema nenhum. É tranquilo, não tem mistério."

Um dos maiores ídolos da história do próprio Corinthians, o goleiro Cássio iniciou sua vitoriosa trajetória no clube com a camisa 24. Na Libertadores de 2012, assumiu a titularidade na segunda fase da competição com esse número às costas e foi fundamental para a primeira conquista da equipe paulista na história da competição. Posteriormente, porém, passou a utilizar a camisa 12.