Nesta sexta-feira, o Goiás acertou a venda de Michael, grande revelação do último Campeonato Brasileiro, ao Flamengo, por 7,5 milhões de euros (R$ 34,2 milhões).
Desta forma, o atleta torna-se mais um atacante a ser negociado com um clube do grupo dos 12 grandes após se destacar com a camisa do Esmeraldino, algo muito comum nas últimas décadas.
Desses jogadores que foram vendidos pela equipe de Goiânia, muitos tiveram enorme sucesso ao longo da carreira, enquanto outros jamais repetiram o mesmo sucesso dos tempos de Verdão.
Veja abaixo alguns casos de atletas que deixaram o Goiás em alta:
TÚLIO MARAVILHA
Revelado pelo Goiás no final dos anos 80, Túlio arrebentou pela equipe profissional entre 1988 e 1992, faturando quatro títulos Goianos. Seus melhores anos foram 1989, quando ele tornou-se o mais jovem artilheiro da história do Brasileirão (fez 11 gols), e 1990, quando quase conseguiu ganhar a Copa do Brasil com o Esmeraldino - acabou derrotado pelo Flamengo na final.
Seu sucesso logo levou o matador para o futebol europeu, com o Sion, da Suíça, contratando o brasileiro em 1992. Até fez gols e sucesso na equipe, mas optou por retornar ao futebol brasileiro e acertou com o Botafogo em 1994.
Em General Severiano, logo tornou-se ídolo, comandando a conquista do Campeonato Brasileiro de 1995. Foi nesta época que ele ganhou o apelido de "Maravilha", que acompanha o folclórico atleta até hoje, e chegou à seleção, sendo vice da Copa América de 1995 (ele acabaria marcado por marcar um gol muito polêmico contra a Argentina e também perder uma cobrança na decisão por pênaltis contra o Uruguai, na grande final).
Em 1997, foi comprado pelo Banco Excel e levado ao Corinthians, sendo artilheiro e campeão do Paulista pela equipe. No entanto, após se lesionar, perdeu a vaga para Donizete "Pantera", e acabou repassado pelo banco ao Vitória, clube que também era patrocinado pelo grupo. Em Salvador, fez dupla com ninguém menos do que o tetracampeão do mundo Bebeto.
No restante de sua carreira, Túlio jogou por outros gigantes, como Cruzeiro e Fluminense, e teve várias outras passagens pelo Botafogo. Ele se notabilizou pela eterna luta para marcar o 1000º gol (segundo suas próprias contas), que acabou saindo em 2014, jogando pelo pequeno Araxá, de Minas Gerais.
Apesar de ter 50 anos, o "Maravilha" segue sem se aposentar oficialmente, tendo jogado a Série B do Paulista pelo Taboão da Serra em 2019 - mesmo ano em que participou da 11ª edição do reality show "A Fazenda", da TV Record.
DILL
Revelado em 1994 pelo Goiás, o atacante viveu um ano mágico em 2000.
Primeiro, fez 29 gols no Campeonato Goiano, o que lhe coloca até hoje como maior artilheiro em uma única edição deste Estadual até hoje. Depois, na Copa João Havelange (o Brasileiro daquele ano), foi o artilheiro do torneio, com 20 tentos, ao lado de ninguém menos que Romário, então no Vasco, e Magno Alves, destaque do Fluminense.
A temporada absurda rendeu uma boa negociação ao Olympique de Marselha, da França, que o comprou pelo valor hoje equivalente a 300 mil euros (cerca de R$ 1,4 milhão). No entanto, fracassou no gigante marselhês e acabou indo para o Servette, da Suíça, no qual também não se firmou.
Dill acabaria retornando ao futebol brasileiro em 2002, quando foi contratado pelo São Paulo. Sua passagem pelo Morumbi foi fraquíssima, e ele marcou apenas um gol: na última rodada do Brasileiro daquele ano, anotou contra o Botafogo e rebaixou o time carioca para a Série B.
Curiosamente, a equipe de General Severiano contratou o atleta logo depois, e ele ajudou o Bota a retornar à elite.
O centroavante rodaria ainda por outros clubes brasileiros, como Flamengo, Bahia e Brasiliense, e também pelo futebol português. Aposentou-se em 2009, pelo Santa Cruz, sem jamais lembrar o "furacão" dos tempos de Goiás.
FERNANDÃO
Revelado no início dos anos 90 pelo Goiás, inicialmente jogava como meio-campista. Arrebentou pelo Esmeraldino, ganhando cinco Goianos, duas Copas Centro-Oeste e uma Série B do Brasileiro, destacando-se por armar o jogo e também aparecer de surpresa na área, sempre com cabeçadas mortais.
Em 2000, foi vendido para o Olympique de Marselha pelo valor hoje equivalente a 5 milhões de euros (R$ 22,79 milhões), uma fortuna na época. Atuou por três anos pela equipe e depois transferiu-se para o Toulouse, também da França, clube no qual mudou de posição e passou a atuar como centroavante.
Em 2004, retornou ao Brasil para jogar no Internacional. Logo de cara, marcou o gol 1.000 da história do clássico Gre-Nal, num prenúncio do que seria sua brilhante passagem pelo Beira-Rio.
Ao longo dos anos, Fernandão tornou-se talvez o maior ídolo da história colorada, sendo decisivo nas conquistas da Libertadores e do Mundial de Clubes em 2005, em cima do poderoso Barcelona de Ronaldinho Gaúcho. Ele ainda faturou uma Recopa Sul-Americana e dois Gaúchos pela equipe de Porto Alegre.
Depois, o craque passou pelo Al-Gharafa, dos Emirados Árabes, teve nova passagem pelo Goiás, entre 2009 e 2010, e foi contratado pelo São Paulo, que defendeu entre 2010 e 2011. Aposentou-se em julho de 2011, e passou a trabalhar como treinador - o Internacional foi o único clube que comandou nesta função.
Fernandão faleceu de maneira trágica em junho de 2014, quando o helicóptero em que estava caiu em Aruanã-GO. Foi enterrado em Goiânia, sua cidade natal.
DIMBA
Revelado pelo Sobradinho-DF, Dimba passou por diversas equipes (inclusive pelo Botafogo, no qual fez o gol do título carioca em 1997 e comeu grama na comemoração da taça) até ser alçado ao estrelato nacional em 2002, quando acertou com o Goiás.
No Brasileirão do ano seguinte, o atleta marcou incríveis 31 gols, terminando como grande artilheiro da competição.
Acabou comprado pelo Al Ittihad, da Arábia Saudita, mas ficou pouco na equipe, sendo negociado na sequência com o Flamengo.
Na Gávea, chegou em meio a enorme crise financeira, com outros atletas do grupo reclamando que se o time tinha dinheiro para contratar o reforço de peso, tinha que arrumar um jeito de pagar os salários atrasados.
Nem é preciso dizer que, em meio à enorme pressão, Dimba acabou fracassando no Fla e deixou o clube carioca já em 2005, indo para o São Caetano (à época uma potência financeira).
Depois, voltou à sua vida de "cigano da bola", passando por diversas equipes do Distrito Federal até aposentar-se em 2015 pelo Sobradinho, mesmo clube que o revelou.
ALOÍSIO CHULAPA
Revelado pelo CRB, o grandalhão passou discretamente por Flamengo e Guarani antes de chegar ao Goiás, em 1997.
No Esmeraldino, Aloísio comeu a bola, sendo campeão do Goiano três vezes seguidas entre 1997 e 1999. O ótimo futebol lhe rendeu uma transferência ao Saint-Étienne, da França, que o levou pelo valor hoje equivalente a 900 mil euros (R$ 4,1 milhões).
Depois, passou pelo Paris Saint-Germain, também da França, e pelo Rubin Kazan, da Rússia, antes de retornar ao futebol brasileiro em 2005, contratado pelo Atlético-PR (hoje Athletico).
Em Curitiba, o "Chulapa" voltou a jogar muito, destacando-se pelo seu estilo pivô e levando o Rubro-Negro à final da Libertadores. Foi vice para o São Paulo, que o contratou logo após o torneio da Conmebol.
Aloísio é lembrado com carinho até hoje pelos torcedores tricolores, já que, contra o Liverpool, deu o passe mágico para Mineiro marcar o gol do tricampeonato mundial de clubes.
Nos anos seguintes, ele ainda seria decisivo nas conquistas de três Brasileiros (2006, 2007 e 2008), sendo peça chave no esquema do técnico Muricy Ramalho.
Em 2008, foi para o Al-Rayyan, do Catar, e nos anos seguintes rodou por diversas equipes, incluindo o Vasco (2009), antes de se aposentar pelo pequeno Nova Conquista-TO, em 2017.
SOUZA
O grandalhão começou sua carreira no Madureira e passou discretamente por Vasco, CSKA Sofia (Bulgária), Marítimo (Portugal) e Internacional antes de chegar ao Goiás, por empréstimo, em 2006.
No Brasileirão daquele ano, Souza arrebentou, terminando como artilheiro da competição (17 gols) e destacando-se principalmente por marcar contra os grandes do país.
Seu faro de artilheiro despertou a cobiça do Flamengo, que o levou em 2007 para ser o destaque do clube na busca pelo título da Libertadores.
O atleta, que passou a ser conhecido pelo apelido de "Caveirão" nesta época, acabou indo muito mal no Fla, vivendo jejum de gols e vendo a torcida perder a paciência com seu futebol pouco técnico.
Nos próximos anos, passou por Panathinaikos, da Grécia, e pelo Corinthians, no qual fez parte da equipe comandada por Mano Menezes, que ganhou a Copa do Brasil e o Paulista em 2009.
Na reta final da carreira, jogou por Bahia, Vitória, Criciúma, Brasil-RS e Paysandu antes de se aposentar pelo mesmo Madureira que o revelou.
Souza é até hoje lembrado por suas comemorações com provocações, como quando fez o gesto de "chororô" ao anotar sobre o Botafogo.
ALEX DIAS
Revelado pelo Remo, Alex Dias (à época chamado também de Alex Pantaneiro) três duas passagens pelo Goiás.
A 2ª delas ocorreu em 2004, quando ele comeu a bola no Campeonato Brasileiro e foi vice-artilheiro da competição, com 22 gols.
A ótima temporada rendeu uma transferência ao Vasco, clube no qual ele fez dupla de ataque com Romário, já na reta final de sua longeva carreira.
A passagem por São Januário foi boa e cheia de gols, mas ele acabou entrando na Justiça em 2006 para rescindir com o time por conta de salários atrasados.
Após longa batalha nos tribunais, acabou acertando pelo São Paulo, no qual foi bastante irregular, mas acabou se sagrando campeão brasileiro em 2006.
Nos anos seguintes, rodou por muitos times, com destaque para o Fluminense e para um novo período no Goiás, mas sem repetir o mesmo sucesso de antes.
Aposentou-se em 2015, no pequeno Fernandópolis-SP.
WELLITON
Revelado pelo Goiás em 2005, o atacante arrebentou em três temporadas pela equipe, sendo campeão goiano em 2006 e um dos grandes destaques do Brasileirão de 2007.
Durante este Brasileiro, aliás, acabou vendido ao Spartak Moscou, da Rússia, por 8 milhões de euros (R$ 36,46 milhões, na cotação atual), sendo até hoje a maior negociação da história esmeraldina.
Na capital russa, viveu ótimos anos em 2009 e 2010, fazendo muitos gols e terminando como artilheiro do campeonato local, mas depois viu a fonte secar.
Em 2013, foi emprestado ao Grêmio, pelo qual passou sem destaque. Depois, passou também por empréstimo (e sem brilho) por São Paulo e Celta de Vigo, da Espanha.
Na temporada 2014/15, acertou a ida para o desconhecido Mersin Idman Yurdu, da Turquia, e teve dois bons anos pela equipe, indo para o Kayserispor, clube de expressão no país.
Na sequência, defendeu o Al Sharjah, dos Emirados Árabes Unidos, com sucesso, e atualmente defende o Al Wasl, do mesmo país, aos 33 anos.
BRUNO HENRIQUE
Após destacar-se pelo Itumbiara na 2ª divisão do Goiano, em 2015, foi contratado pelo Goiás.
No Campeonato Brasileiro daquele ano, jogou o fino da bola, sendo imediatamente vendido para o Wolfsburg, da Alemanha, por 4,5 milhões de euros (R$ 20,5 milhões, na cotação atual).
Na equipe alviverde, chamou a atenção do mundo ao "acabar" com o Real Madrid durante um jogo pela Champions 2015/16, tendo grande atuação e dando uma assistência na vitória por 2 a 0 sobre os merengues.
Sua passagem pela Bundesliga durou até 2017, quando ele foi contratado por quatro anos pelo Santos. Teve impacto imediato pelo clube praiano, fazendo um ótimo Brasileirão.
No início de 2018, porém, sofreu uma grave lesão no olho durante jogo do Campeonato Paulista e perdeu quase toda a temporada, tendo até mesmo que viajar aos Estados Unidos para realizar tratamento.
Na temporada seguinte, forçou a saída para o Flamengo, que o comprou por cerca de R$ 23 milhões (mais o empréstimo do volante Jean Lucas).
Na Gávea, o jogador viveu temporada mágica, anotando 35 gols e dando 16 assistências em 62 partidas no ano. Destacou-se por marcar especialmente em clássicos e jogos importantes.
Foi decisivo na conquista da Libertadores e do Brasileirão, sendo eleito o melhor jogador dessas competições por Conmebol e CBF, respectivamente.
ERIK
Revelado pelo Goiás, viveu ótimos momentos pelo clube, destacando-se especialmente no Campeonato Brasileiro de 2015 e ganhando duas vezes o Goiano.
Em 2017, foi anunciado como reforço de peso pelo Palmeiras, que desembolsou R$ 13 milhões para fechar por cinco anos com o jovem atleta.
No Palestra Itália, porém, jamais conseguiu repetir o bom futebol. Até fez três gols na campanha do título do Brasileiro em 2016, mas ficou quase sempre "sumido".
De 2018 em diante, passou a ser frequentemente emprestado pelo Alviverde.
Primeiro, jogou sem destaque pelo Atlético-MG, mas depois teve duas boas passagens pelo Botafogo, equipe na qual tornou-se xodó da torcida.
em 2019, foi novamente repassado pelo Palmeiras, desta vez ao Yokohama F-Marinos, do Japão, que é sua atual equipe.
Ele tem 24 anos e segue vinculado ao clube palestrino.
CARLOS EDUARDO
O atacante foi revelado pelo Goiás, fazendo sua estreia profissional pela equipe em 2015.
Na Série B de 2017, foi um dos grandes destaques do torneio, sendo depois vendido pelo Esmeraldino ao Pyramids FC, clube do Egito que fez a "rapa" no futebol brasileiro em 2018.
Sua passagem pelo futebol africano, todavia, durou pouco, já que, em 2019, ele foi contratado por mais de R$ 25 milhões pelo Palmeiras, a pedido do técnico Luiz Felipe Scolari.
No Palestra Itália, Carlos Eduardo foi um fracasso retumbante, anotando apenas um gol no ano e irritando a torcida com suas atuações tenebrosas.
Nesta semana, foi anunciado como reforço do Athletico-PR, que acertou seu empréstimo por três temporadas.
