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Barcelona, 10 anos da perfeição: como Guardiola, Messi e cia. fizeram o impensável em 2009

Há exatos 10 anos o Barcelona terminou 2009 com sua temporada dos sonhos e um recorde de seis troféus. Também significa que, há uma década, os gigantes espanhóis sofriam demais para completar o “sextete” na final do Mundial de Clubes da Fifa contra o Estudiantes de La Plata.

O time argentino vencia por 1 a 0 em Abu Dhabi, com o jogo prestes a acabar. O gol então solitário do hoje corintiano Mauro Boselli estava dando o título para os sul-americanos. Então, em um lance distante do estilo do futebol daquele Barça de Pep Guardiola, Pedro aproveitou o desviou de cabeça do “atacante” Gerard Piqué para levar o jogo para a prorrogação. Em uma bola cruzada da direita, Lionel Messi marcou o gol da virada aos 110 minutos, em um toque genial com o peito. Foi o sexto título de um ano histórico para os catalães e seu primeiro triunfo no Mundial de Clubes da Fifa.

Para o Barcelona, 2009 foi o ano de goleadas e sofrimentos. Os dramas: o gol de Andrés Iniesta em Stamford Bridge na semifinal da Champions League, o gol da vitória anotado por Pedro na Supercopa Europeia, a defesa de Jose Pinto na cobrança de pênalti contra o Mallorca no caminho para a final da Copa do Rei. Por outro lado, foi também um ano de grande arrogância e ousadas atuações. A equipe de Guardiola estava levando o jogo a novos níveis – a vitória esmagadora por 6 a 2 sobre o arquirrival Real Madrid é um exemplo disso –, e Messi, com um elenco de apoio cheio de protagonistas, estava emergindo como o melhor do jogo.

A ESPN conversou com pessoas envolvidas naquele ano incrível. Dos jogadores como Daniel Alves e Pedro ao preparador de goleiros Juan Carlos Unzue, passando pelo presidente Joan Laporta e pelos rivais da final do Mundial de Clubes, como Juan Sebastián Verón e Alejandro Sabella, essa é a história do Barcelona de 2009.

Como esse Barça se construiu

Guardiola deu seus primeiros passos como técnico em 2007, com o Barcelona B. Depois de ganhar a promoção para a terceira divisão do futebol espanhol, ele inesperadamente recebeu o convite para assumir a equipe principal em 2008. O cenário para um período notável na história do clube estava sendo preparado.

Dani Alves chegou ao Barcelona em 2008, vindo do Sevilla, por 32 milhões de euros, o que o tornou o terceiro defensor mais caro da época. Ele ganhou 23 troféus no clube, incluindo cinco títulos de LaLiga e três coroas na Champions League antes de partir em junho de 2016. Ele também foi uma das primeiras contratações de Guardiola como técnico do Barça.

Alves: Qual foi a melhor coisa daquele time? Eu acho que a unidade do grupo. Foi brutal. E a pior? Nada.

Eu não quero entrar muito nisso por que é uma questão delicada para os fãs do Barca, mas acho que o grande sucesso do Barça é uma fusão de duas coisas. Não é apenas La Masia (a prolífica academia de jovens de Barcelona) que torna o Barça tão bom. É uma mistura, com La Masia como base e jogadores estrangeiros fornecendo o apoio.

Joan Laporta foi presidente do Barcelona de 2003 a 2010. Durante seu mandato, o clube catalão conquistou 4 títulos de LaLiga, duas Champions e uma Copa do Rei.

Laporta: Não vamos desrespeitar os adversários, mas foi uma temporada em que sabíamos que venceríamos. E às vezes perguntávamos: quantos gols vamos marcar hoje? Se sofrêssemos um gol, sempre tínhamos confiança absoluta de que conseguiríamos marcar um ou dois gols a mais e mudar as coisas. Havia muita certeza em nossa maneira de jogar. Foi um show. Foi balé. Para mim, o mais importante é como jogamos. Era uma máquina de futebol.

Obviamente, eu pensava que tudo ia correr bem, mas a realidade superou todas as expectativas por que... Acho que foi o melhor time do Barça de todos os tempos. Esses troféus, assim como as vitórias e as conquistas das últimas temporadas, não podem ser entendidos sem Leo Messi, com Leo como líder.

Pedro foi atacante do Barcelona entre 2008 e 2015. O espanhol foi promovido do segundo para o primeiro time por Guardiola e, em 2009, se tornou o único jogador espanhol que marcou pelo menos um gol nas seis competições oficiais de clubes da mesma temporada.

Pedro: Chegamos a um ponto em que vamos jogar uma final e todos já estávamos pensando em ganhar antes de jogar. [Vencer as decisões] não são fáceis nos esportes, mas podemos sentir o domínio que tínhamos em campo e o respeito que os rivais tinham por nós, o que também jogou a nosso favor. Tínhamos muita confiança.

Contando com um grupo de jogadores que nunca se repetirá, como Xavi, Iniesta, Messi, Dani Alves. Também era uma equipe muito forte, muito competitiva. Depois, a ideia que Pep teve e que realizamos com perfeição em campo. Você pode ver como dominamos [os jogos], que tudo aconteceu. Você sente esse domínio quando está em campo e os oponentes até lhe dizem o quanto eles tiveram de lutam quando jogavam contra o Barcelona.

Para mim, jogar com Leo, com jogadores únicos e ser capaz de passar por aquela era de ouro com Pep como treinador... Acho que o futebol que vimos, aquele domínio, um futebol tão atraente, é difícil que isso aconteça novamente.

Juan Carlos Unzue foi o preparador de goleiros do Barcelona de 2003 a 2010, e um dos conselheiros de Guardiola durante o caminho para os seis títulos em 2009.

Unzue: Quando o rival fala sobre você dessa maneira, é porque há medo. E, possivelmente, naquele momento, ninguém imaginava que fosse uma equipe que venceria tudo. Isso, de certa forma, acaba te fortalecendo. De certa forma, você sente isso.

Fizemos algo tão simples, mas tão complicado, que é escolher a maioria dos jogadores que conhecem o clube como ninguém, e os prós e os contras que o acompanham. Estamos falando de Pedrito, [Sergio] Busquets, Xavi, Iniesta. OK, talvez no caso de Victor [Valdés] ou Iniesta ou Xavi tenha sido o momento perfeito, com experiência em jogos, o que significava que a equipe poderia trabalhar muito rapidamente. Pedro e Busquets foram adicionados a esse núcleo, vindos da terceira divisão.

Guardiola confiava neles por que os conhecia e confiava que eles poderiam dar o que era necessário, em termos de expectativas e da obrigação de vencer neste clube. [Guardiola] também transmitiu suas ideias para aqueles que foram chegando muito rapidamente.

Guardiola chega com tudo como treinador

No início da temporada 2008-09, poucos poderiam imaginar o que estava prestes a acontecer em Camp Nou. A decisão do presidente Joan Laporta de substituir o técnico Frank Rijkaard por um não testado Guardiola levantou as sobrancelhas dentro e fora do clube. Mais confusão veio quando Ronaldinho foi autorizado a sair, indo para o Milan em junho, depois que Laporta disse publicamente que o brasileiro "precisava de um novo desafio".

Alves: Ele chegou com ideias muito claras sobre o que queria e como poderia nos ajudar para que pudéssemos fazer o que fizemos. Acho que, em parte, [o sucesso] foi por causa do Pep, porque muito disso começou com o relacionamento entre os jogadores. Ele nos uniu, não permitiu telefones, não podíamos passar o dia todo em um universo paralelo. Ele tentou evitar isso.

Foi um momento em que precisávamos viver juntos, interagir uns com os outros para que houvesse fluidez [entre nós] por que, no fim do dia, é isso que você precisa em campo. Quanto melhores amigos você tiver fora de campo, mais parecidos com irmãos você estará. Essa é uma regra básica.

Laporta: Naquele momento, precisávamos iniciar um novo ciclo e senti que ele era a pessoa certa. Ele estava com o Barça B. A primeira razão que eu daria é que Pep ama o Barça. Ele é um fã do Barcelona de coração. Depois disso, tive uma referência de Rafael Yuste, que estava seguindo o Barça B. Ele era um dos diretores muito próximos de mim e tivemos uma boa amizade. Ele me disse que Pep estava pronto e que era trabalhador, alguém que era o primeiro a chegar e o último a sair. Depois, consultei Johan [Cruyff, lenda do Barça como jogador e técnico] e Txiki [Begiristain, diretor de futebol do Barça de 2003 a 2010, agora no Manchester City], dizendo a eles que eu estava pensando que Pep poderia ser o novo treinador do Barça. Eles me disseram que ele estava absolutamente pronto.

Para falar a verdade, com a maioria da mídia e até alguns membros do meu conselho – felizmente uma minoria – pensando em Mourinho, eu queria surpreender as pessoas com uma pessoa que conhecia e tinha participado completamente da filosofia de Cruyff, que incorpora o estilo genuíno de futebol no qual nosso modelo se baseia. Imediatamente, o pessoal de Mourinho me ligou: "Suponho que tudo isso sobre você querer Guardiola não é verdade e que você quer Mourinho". Eu disse a eles: "Olha, Mourinho é um ótimo profissional, mas eu decidi por Pep Guardiola. Eu tenho uma maioria no conselho. Eu sei que existem três ou quatro que não têm certeza, o que é respeitável. Eu vou convocar uma reunião do conselho porque esta é uma decisão realmente importante para mim."

Eu só tive dois técnico [como presidente do Barça]. Rijkaard, que fez um trabalho extraordinário, e Guardiola, que alcançou a excelência. Eu disse que queria que fosse uma decisão unânime no conselho. Foram necessárias três reuniões, mas, no fim, conseguimos: todos concordaram com Pep. Eu sabia que seria uma bagunça por que a mídia estava dizendo que, se pensássemos em Pep, éramos novatos, que não tínhamos aprendido nada, que éramos adolescentes. Lembro-me de algumas das manchetes: não aprendemos nada depois de vencer LaLiga, a Champions League e Supercopas. Isso me motivou mais. A sensação que tive foi de que, quanto mais eles diziam não, mais eu queria que fosse um sim.

Em sua primeira entrevista coletiva, em 17 de junho de 2008, Guardiola disse que não queria Ronaldinho, Deco ou Samuel Eto'o (embora Eto'o tenha ficado mais uma temporada) em seu começo de trabalho com esse time do Barcelona.

Unzue: Na primeira pré-temporada, percebi que as coisas já estavam indo bem. Primeiro, por causa da convicção de [Guardiola] na mensagem que ele passou – apertem os cintos, vamos nos divertir – e, em segundo lugar, porque o que eu estava vendo e ouvindo era novo para mim, apesar de ter estado com o Dream Team por dois anos, com Rijkaard, vencendo a Champions, LaLiga e jogando um futebol espetacular. O que eu estava vendo e ouvindo era diferente e algo que notei que estava chegando aos jogadores. Ele foi capaz de convencer os atletas. O que Guardiola mostrou com o tempo é que ele sabia como adaptar seu discurso e suas nuances ao futebol, o que ele queria que os jogadores executassem, às capacidades dos jogadores. Adaptar-se a eles.

Apesar de muita confiança em torno da entrada do clube no início da temporada 2008-2009, o reinado de Guardiola começou com uma derrota por 1 a 0 em Numancia e um empate contra o Racing Santander.

Pedro: Lembro que foram momentos difíceis, principalmente para Pep, porque ele estava sob muita pressão. É verdade que houve muita emoção no início do projeto de Pep. Ele é um ótimo treinador. Ele tinha sido um grande jogador. Lembro-me do nervosismo dos dois primeiros jogos. Até me lembro que ele disse que ia tentar e me colocar em campo. E veja o que se seguiu, tudo o que ele ganhou e a temporada que tivemos.

[Sobre como ele lidou com Ronaldinho] Eu acho que [Guardiola] sempre foi muito claro sobre o que ele ia fazer bem, com os jogadores que ele tinha, o vestiário... Mas também foi um momento difícil porque havia foi uma mudança, uma transição. Quando jogadores importantes como Ronaldinho deixam o Barça, pode ser difícil, mas é verdade que vemos o surgimento de Leo, embora ele estivesse jogando bem há um tempo, e [Pep construiu] um time espetacular, que conseguiu ganhar todos os troféus possíveis.

Unzue: A chegada de Pep veio no contexto de resultados inconsistentes e as mudanças [como deixar Ronaldinho partir] foram justificadas. É um momento chave. E a ideia de manter a filosofia na maneira de jogar com um técnico que jogou sob o comando de Cruyff é vital nessa mudança.

Está associado à chegada de Pep, sim, mas foi mais uma decisão – e acho que deveria ser assim – feita pelo clube, com todos de acordo. É a única maneira de obter sucesso e evitar que a mudança de ciclo seja tão abrupta quanto na maioria dos casos. Foi uma decisão tomada por Pep, como chefe do projeto, mas todos estavam convencidos de que estava certo.

"Sem aquele jogo, não teríamos vencido LaLiga"

Em maio, o Barcelona ainda estava vivo nas três competições: LaLiga, Copa do Rei e Champions. No Espanhol, o Real Madrid tinha vencido 17 de seus últimos 18 jogos para diminuir a diferença para o líder Barca, o último time a derrotá-los em LaLiga. A distância era de quatro pontos, com cinco jogos pela frente. Porém, qualquer esperança que eles tinham de alcançar o time de Guardiola foi extinta por uma impressionante atuação do Barcelona no Santiago Bernabéu. Thierry Henry e Lionel Messi conseguiram dois gols cada um em uma incrível goleada por 6 a 2, que efetivamente encerrou a briga pelo título, que acabaria se tornando o segundo dos seis troféus naquele ano, depois da Copa do Rei.

Aquele clássico em Madri também foi a primeira vez que Guardiola usou Messi como falso nove, uma jogada que provou ser um golpe de mestre.

Laporta: Como frequentei uma escola religiosa, mortificação é algo que carrego dentro de mim. E foi uma mortificação cheia de satisfação, porque era o Dia da Comunidade de Madri, em 2 de maio.

Eu tive que me comportar: a verdade é que, toda vez que marcávamos, eu beliscava a perna do pobre rapaz sentado ao meu lado. Acho que ele era um ministro. De qualquer forma, ele encarou de maneira muito esportiva, porque entendeu que era uma delícia marcar (tantos) gols no Bernabeu. Além disso, vou lhe dizer uma coisa: se não vencêssemos esse jogo, não acho que teríamos vencido LaLiga. E, por esse motivo, [também não teríamos vencido] o sexteto. A vitória no Bernabéu foi [como] outro troféu, porque foi um resultado histórico, comparável aos 5 a 0 no Bernabéu, pelo Espanhol, em 1973-1974, com Johan (Cruyff) como jogador.

Pedro: Esse foi o maior jogo da temporada, porque quando você vai para o Bernabéu, você está sempre contra um lado difícil. É um lugar difícil de ganhar. Sempre há muita tensão em torno de um El Clásico e, para obter esse resultado e, além disso, fazê-lo jogando tão bem... Acho que foi a partir deste momento, com o time jogando em um nível tão alto, que você vê que as ordens de Guardiola obterão realmente bons resultados.

"Um momento espetacular": Iniesta salva o Barça em Stamford Bridge

Apenas quatro dias depois da goleada em Madri, o Barça enfrentou o Chelsea em Stamford Bridge, dia 6 de maio, por uma vaga na semifinal da Champions. Depois de um empate sem gols no Camp Nou, o Barça saiu perdendo, mas encontrou um gol e um herói em Londres. Nos acréscimos, do nada, Iniesta apareceu, levando a comemorações das mais íntimas, já que aquele gol levou a um boom de bebês na Catalunha nove meses depois .

Alves: Acho que os fãs que vão ao Camp Nou gostam das performances mais bonitas, mais do que o resultado em si.

Laporta: Uma coisa terrível aconteceu em Stamford Bridge. Nós fomos para lá com um resultado que significava que, se não marcássemos, estávamos fora. Entrei no banheiro e vi pessoas do Chelsea abrindo garrafas de champanhe e comemorando por que já estava nos acréscimos. Eu estava nervoso. Ainda faltavam três ou quatro minutos. Voltei e sentei-me porque os diretores [das duas equipes] não estavam sentados juntos lá - [os diretores do Barça] estavam todos juntos. E de repente, quando marcamos, eu pulei, porque você podia comemorar lá e havia uma avalanche de colegas do conselho. Outros estavam congelados com o que tinha acontecido.

Não sei quem, mas alguém me agarrou... Se não, eu teria caído no gramado!

Pedro: Oh, eu me lembro muito bem. Lembro-me de que era um jogo que nunca venceríamos da maneira como foi. Para ser sincero, o Chelsea foi superior. Eles foram para cima e lutávamos para encontrar espaços entre as linhas, para criar chances. Eles estavam bem posicionados. Depois, há o cartão vermelho para [o defensor do Barça] Abidal. As coisas estavam contra nós, mas, finalmente, imagine, em um lance isolado no último minuto, quando Andrés marca... Lembro de todos nós do banco correndo em direção ao córner para comemorar com ele, com nossos fãs que estavam em Stamford Bridge. Foi um momento espetacular.

Chegamos à final, que era nosso objetivo, e encerramos uma temporada magnífica. A decisão em Roma contra o United também foi muito difícil no início.

Unzue: Eu nunca esquecerei [o gol de Iniesta]. Eu estava do lado de fora do quando ele marcou, nas escadas, descendo pela área de imprensa, que foi onde assisti ao jogo naquele dia. Eu não conseguia sentar no banco como preparador de goleiros, então fiquei na arquibancada. O clube me deu uma multa.

Nos minutos finais, vi que muitas pessoas estavam prestes a sair e eu não queria ser flagrado no meio de tudo isso, então, com o resultado que teria nos derrubado, comecei a descer escadas. E ouvi que foi gol. "Foi gol", pensei, mas não para o Chelsea, com base na comemoração. Então comecei a correr e vejo uma televisão através de uma janela na área da imprensa. Vou até lá e vejo que estamos comemorando. Imagine! Fui para os vestiários e lembro que o roupeiro estava lá, eu o agarrei e ficamos nos abraçando, um momento de felicidade.

A vitória em Londres foi o início de algumas semanas incríveis. Em 13 de maio, o time derrotou o Athletic Bilbao na final da Copa do Rei, virando o placar para um indiscutível 4 a 1. Três dias depois, foram coroados campeões da Espanha quando o Real foi derrotado pelo Villarreal. Então, em 27 de maio, eles derrotaram o Manchester United por 2 a 0 em Roma e venceram a Champions pela terceira vez na história do clube, selando seu primeiro triplete.

"Ninguém pode tirar isso de nós"

Mais sucesso se seguiu no final de um verão europeu em que o clube gastou muito dinheiro com Zlatan Ibrahimovic. A vitória da Supercopa da Espanha contra o Athletic Bilbao, em agosto, mostrou a importância de La Masia. Xavi e Pedro marcaram os gols na vitória por 2 a 1 no jogo de ida; com dois de Messi e um de Bojan Krkic, vitória agregada por 5 a 1 estava garantida na volta. Mais um título.

O penúltimo passo em direção ao sexteto levou o Barça a Mônaco em 28 de agosto, onde enfrentou o Shakhtar Donetsk na Supercopa da Europa. Após 90 minutos sem gols, Pedro marcou na segunda metade da prorrogação.

Na Espanha, o Mundial de Clubes não tem necessariamente o prestígio de LaLiga ou da Champions, mas esse Mundial significava tudo para Barcelona. Eles não estavam apenas tentando ganhá-lo pela primeira vez na história do clube; eles também estavam tentando se tornar o primeiro time a conquistar seis troféus em um ano. Eles foram para Abu Dhabi em grande forma, mas sob grande pressão. Essa pressão quase os pegou na semifinal contra o mexicano Atlante, quando eles saíram atrás no placar para virar e vencer por 3 a 1, indo para a final contra o Estudiantes.

Alves: Quase fomos mandados para casa na semifinal. Depois, juro que, quando chegamos à decisão, eu disse que ninguém ia tirar isso de nós.

Laporta: Em 2006, perdemos em Yokohama, no Japão, e dissemos que estaríamos de volta para [o Mundial de Clubes] e conseguimos. Em Abu Dhabi, conseguimos com um gol de Messi. É realmente ilustrativo que o melhor jogador da história faça o gol na final e nos dê o troféu que não tínhamos para completar o sexteto. Um registro inigualável. Ele marcou o gol com o peito. Com o distintivo.

Na Copa del Rey, [Jose Manuel] Pinto salvou um pênalti na semifinal contra o Mallorca. Se ele não fizesse isso, não íamos para a final - uma decisão extraordinária contra o Bilbao [que o Barça venceu por 4 a 1]. Em LaLiga, no Bernabéu, se não vencêssemos o jogo por 6 a 2, também teríamos sofrido. Em Stamford Bridge, se não fosse o Iniestazo, não chegaríamos à final em Roma. Claro que a sorte teve influência. Apenas uma equipe vence e tivemos a sorte de vencer, de sermos campeões e depois de vencer tudo de novo e de novo...

Pedro: Havia muita pressão, mas o mais estressante era a expectativa [dos fãs] de que poderíamos vencer. A final foi muito difícil, muito competitiva. O Estudiantes preparou um jogo realmente físico. Eles jogaram muito bem, principalmente na defesa, e lutamos para encontrar os contra-ataques. Eles seguiram em frente e foi muito difícil mudar o jogo. Felizmente, conseguimos marcar com o meu cabeceio no passe de Piqué. Para mim, o Mundial foi o ponto final de tudo o que aconteceu em um espaço tão curto de tempo.

[Então Messi marcou o gol da vitória] foi o ponto alto de um período incrível. Todos sabemos que tipo de jogador Leo é. Estamos praticamente falando do melhor jogador de todos os tempos. E que ele joga pelo Barça, que ganhou tantos troféus individuais e coletivos e que ganhou aquele troféu com seu gol... Para nós, foram as melhores notícias. Eu não acho que havia uma maneira melhor de selar isso.

Juan Sebastián Verón era uma lenda da seleção argentina, mas também jogou grande parte de sua carreira na Europa, com passagens por Manchester United, Lazio, Parma e Chelsea, antes de retornar ao seu primeiro clube, o Estudiantes, em 2007. Ele estava no time que perdeu para o Barça na final do Mundial de Clubes.

Verón: Além da frustração, porque você não pensa na equipe que tem à sua frente como uma das melhores de sempre, você pensa em quão perto estava e no fato de ter sido incapaz de cruzar a linha. Por outro lado, o [Estudiantes] deu tudo. Foi um jogo incrível e, além dessa frustração, ficamos satisfeitos por que fizemos tudo o que planejamos: o que a equipe sentiu, o que o treinador pensou e para o que treinamos.

A verdade é que, se você me dissesse hoje: 'Você jogaria o jogo novamente?', eu diria que não. Porque, para mim, jogamos o jogo que tínhamos que jogar. O resultado não foi o melhor no final, mas, em geral, fizemos tudo o que pudemos para ganhar a taça.

Alejandro Sabella era o técnico do Estudiantes naquele dia. Ele treinou a seleção argentina entre 2011 e 2014.

Sabella: Estávamos perto da glória, mas enfrentamos um time que talvez seja um dos melhores da história. Mas também há uma grande satisfação por termos segurado aquele time tão longe e eles empataram em apenas dois minutos. Porque dois anos depois, eles jogaram contra Santos e marcaram quatro ou cinco gols. Mais tarde, jogaram contra o River e venceram por 3 a 0. [Esses resultados] agregam um pouco mais de valor ao que esse grupo de jogadores fez.