Cruzeiro na Série B: Veja o que aconteceu com cartolas que rebaixaram outros grandes no Brasileiro

O Cruzeiro vai jogar a segunda divisão do Campeonato Brasileiro em 2020. Após não conseguir ultrapassar o Ceará, o pesadelo se tornou realidade.

No campo, caíram os jogadores após o 2 a 0 do Palmeiras. Mas, para além deles, quem será para sempre lembrado também serão os dirigentes.

No caso celeste, tratam-se do presidente Wagner Pires, do ex-diretor de futebol Itair Machado e do atual gestor do departamento, Zezé Perrella - que assumiu há cerca de um mês como presidente do conselho deliberativo, mas esteve na diretoria anteriormente.

No passado, não bastasse o eterno carimbo de "rebaixado", dirigentes que participaram das quedas acabaram sofrendo com algumas "maldições", desencadeadas pelo descenso no Brasileiro. Veja abaixo o destino de alguns deles:

Grêmio-91

Em 1991, o Grêmio caiu para a Série B do Campeonato Brasileiro. Apesar do então presidente da época, Rafael Bandeira dos Santos dizer que, mesmo rebaixado, o time gaúcho não disputaria a segunda divisão, foi justamente isso que aconteceu. O clube voltou para a elite em 1992, ano que terminou o mandato do cartola.

Fluminense-96

José Gil Carneiro Mendonça venceu as eleições para o triênio (1996-1998) e tornou-se presidente do Fluminense no final de 1995. O cartola, entretanto, amargou o rebaixamento logo no seu primeiro ano de gestão e, em novembro do mesmo ano, renunciou ao cargo. "Não aceito molecagem, não sou moleque", disse na despedida, em entrevista ao jornal "O Globo".

Fluminense-97

Após a renúncia do então presidente, o Conselho Deliberativo organizou novas eleições, que apontaram Álvaro Ferdinando Duarte Barcelos como novo mandatário. O cartola, porém, também foi rebaixado e, assim como seu antecessor, renunciou em 1998.

Palmeiras-02

Um dos presidentes mais emblemáticos da história do Palmeiras, Mustafá Contursi ficou a frente do clube entre 1993 e 2005. Neste meio tempo, amargou o rebaixamento para a Série B em 2003. Agora, mesmo longe dos cargos oficiais, o cartola tem grande influência nos rumos políticos do clube.

Botafogo-02

No segundo mandato como presidente do Botafogo, entre 2000 e 2002, Mauro Ney Palmeiro teve uma passagem turbulenta. Ele assistiu sua equipe cair para a segunda divisão no último ano, ficou marcado por atrasos de salários e ainda viu seu ex-secretário-geral, Bebeto de Freitas, assumir o clube em 2003 depois de discordar com a gestão da época.

Grêmio-04

Flávio Obino comandou o Grêmio em 2004 e viveu, após o centenário do clube, o rebaixamento para a Série B. Com grandes dívidas, o presidente não evitou a queda, deixou a presidência no ano da segunda divisão (2005) e agora é membro do Conselho Deliberativo.

Atlético-MG-05

Ricardo Guimarães assumiu o Atlético-MG em 2001, mas disputou a Série B em seu último ano de mandato, em 2006. O dono do banco BMG passou os anos seguintes recebendo parcelas de pagamentos por empréstimos realizados ao clube mineiro. Hoje, ele ainda participa da gestão do banco, que patrocina o Corinthians e o próprio Atlético-MG.

Corinthians-07

Andrés Sánchez assumiu o Corinthians em outubro de 2007, para completar o mandato de Alberto Dualib, que renunciou ao cargo após polêmicas de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. No mesmo ano, Andrés viu o Corinthians ser rebaixado para a Série B. Já em 2008, quando começou o seu mandato "oficial", o dirigente viu a equipe sair da Série B e conquistar grandes títulos nos anos seguintes.

Sánchez teve breve passagem pela CBF, mas jamais deixou de ter influência na política do Corinthians, onde também foi superintendente de futebol em 2015 e 2016. Cumpriu também mandato como deputado federal pelo PT-SP, entre 2014 e 2018. No último ano de sua legislatura, foi novamente eleito presidente do Corinthians. Seu mandato vai até o fim de 2020.

Vasco-08

Dentro de campo, Roberto Dinamite foi um grande ídolo vascaíno. Fora dele, ganhou muitos críticos. O maior deles foi Eurico Miranda, morto em 2018, que foi presidente de 2001 a 2008. Na sequência, o ex-atacante assumiu o clube em junho daquele ano, mas logo de cara viu a equipe ser rebaixada para a Série B.

Palmeiras-12

Eleito para o biênio 2011/2012, Arnaldo Tirone deixou o Palmeiras com o time na Série B, chegou de dívidas e foi ameaçado até de morte por alguns torcedores. Em um episódio inusitado, o dirigente foi flagrado em uma praia no Leblon, no Rio de Janeiro, um dia depois do rebaixamento da equipe.

Como todo ex-presidente do Palmeiras, Tirone é membro nato do COF e conselheiro vitalício do clube.

Vasco-13

A maldição da Série B voltou a atormentar o Vasco em 2013. Novamente com Dinamite na presidência, o clube cruz-maltino foi caiu de novo. Já no final de 2014, o cargo que pertencia ao ex-jogador acabou novamente com o Eurico Miranda, seu rival.

Botafogo-14

Mauricio Assumpção foi do céu ao inferno como presidente do Botafogo. O cartola ficou no cargo por seis anos, e a parte boa teve dois títulos cariocas, a contratação de Seedorf e a volta do Botafogo à Libertadores após 17 anos. Porém, o lado ruim ficou marcado com dívidas, o choro em reunião com a presidente Dilma Rousseff e o rebaixamento para a Série B do Brasileiro.

Vasco-15

O mesmo Eurico, que havia ganhado nas urnas o cargo de Dinamite, esteve com a nova reconstrução do Vasco nas mãos. O cartola, entretanto, mais uma vez envolveu-se em polêmicas, apostou em Celso Roth para tentar salvar o clube carioca, mas não conseguiu. Nem mesmo a ótima campanha de Jorginho à frente da equipe cruz-maltina deixou o gigante do Rio de Janeiro na Série A. Ainda com Eurico Mirando no poder, o Vasco retornou à Série A com muitas dificuldades já em 2016.

Internacional-16

Em 2016, pela primeira vez em sua história, o Internacional foi rebaixado à segunda divisão. No último dia 6 de novembro, parte da diretoria responsável pelo clube naquele ano caiu em desgraça, nos primeiros desdobramentos da "Operação Rebote", deflagrada pelo MP em dezembro do ano passado.

O ex-presidente Vitório Píffero e o ex-vice-presidente de finanças Pedro Antônio Affatato, foram acusados pelo Ministério Público de um desvio de R$ 12,8 milhões com apresentação de notas fiscais de obras não realizadas e saques diretos. A promotoria também denunciou o ex-vice-presidente de futebol Carlos Capparelli Pellegrini, que obteve indevidamente mais de R$ 230 mil em negociações de jogadores.