<
>

Flamengo: Campeão brasileiro lembra quando Adriano Imperador chorou em avião

Dez anos depois de conquistar o Campeonato Brasileiro pelo Flamengo, uma cena não sai da cabeça de Toró: Adriano Imperador chorando de emoção em uma viagem de avião. O volante, que era xodó da torcida rubro-negra, era muito fã do atacante que marcou época na Itália e na seleção brasileira.

"O Imperador era - e ainda é - um ídolo meu. Uma vez voltando de um voo, eu contei o quanto eu o admirava porque jogava videogame com ele e falei da história do gol na Argentina no último minuto na final da Copa América de 2004. Do nada, ele começou a chorar! Essa imagem eu tenho dele", contou Toró à ESPN.

Em 2009, Adriano tinha deixado a Inter de Milão e chegou a dizer que iria "dar um tempo na carreira", mas alguns meses depois acabou sendo contratado pelo Flamengo.

"Eu pensava: ‘O cara conquistou o rótulo de Imperador, venceu títulos e tem grana, mas ainda se emociona e tem muita vontade de ganhar. Temos que ajudá-lo porque tinha certeza que ele nos ajudaria a realizar o sonho de ser campeão e entrar para história do Mengão'", afirmou.

Na Gávea, o Imperador brilhou: foi artilheiro do Brasileiro com 19 gols marcados (ao lado de Diego Tardelli) e um dos protagonistas do título brasileiro.

O atacante foi um dos símbolos da arrancada flamenguista depois de um começo ruim no torneio, que terminou com a demissão de Cuca e a efetivação de Andrade como treinador.

O time sagrou-se campeão na última depois de derrotar o Grêmio de virada por 2 a 1. O gol da conquista foi marcado de cabeça pelo zagueiro Ronaldo Angelim após uma cobrança de escanteio.

"A partida final me marcou demais porque entrei em campo com a minha filha. Depois, o gol do título foi marcado por um cara que merecia demais entrar para história do clube dessa maneira que é o 'Magro de Aço', o Angelim", relatou.

Outra cena marcante para Toró naquela partida foi o abraço emocionado que ele deu no lateral-esquerdo Juan, com quem tinha se desentendido semanas antes.

"Tenho saudade de vestir o manto, entrar em campo e ver a nação. Não tem coisa melhor!", disse o xodó flamenguista.

Morando na Finlândia desde o começo do ano, Toró é fã de Gerson e diz que sempre acompanha o clube da Gávea.

"Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer. O time tem enchido a gente de orgulho e dá gosto de ver. Jorge Jesus chegou de uma forma surpreendente. Mudou a maneira do time de jogar e deixou o Brasil encantado. Sem sombra de dúvidas faz o melhor trabalho do Brasil e da América do Sul", contou.

"Do elenco atual se espera tudo. O time do Liverpool dispensa comentários, é uma seleção em todas as posições e tem um treinador fora de série. Mas esse Flamengo cada dia nos mostra que podemos sonhar com o título!", afirmou.

'Perdi as unhas'

Fenômeno nas categorias de base do Fluminense, Rafael Ferreira Francisco ganhou o apelido de Toró porque "fazia chover" nas quadras e nos campos do clube das Laranjeiras. Aos 16 anos, ele interpretou Pelé no filme "Pelé eterno", lançado em 2004.

O garoto participou da recriação do golaço marcado por Pelé na goleada por 5 a 1 sobre o Fluminense (Rio-São Paulo de 1961), que gerou a expressão "gol de placa".

"Lógico que sempre soube quem foi e é o Pelé, o 'Rei do futebol', mas quando somos jovens não temos a noção e simplesmente vivemos o momento. Mas foi fantástico, não cheguei a conhecê-lo. Ele somente autografou a camisa que eu usei na gravação", contou.

Em 2006, ele foi contratado pelo Flamengo, no qual venceu o Brasileiro (2009), Copa do Brasil (2006) e Carioca (2007, 2008 e 2009). Ele saiu da Gávea em 2010 e rodou por Atlético-MG, Bahia, Figueirense, Sagamihara-JAP, Goiás e Anápolis-GO antes de ir ao HIFK, da Finlândia.

"O diretor do clube, que trabalhou com o Thiago Fadel, meu fisioterapeuta particular, precisava de um jogador com as minhas características. Eles perguntavam se eu topava vir. Eu gostei da ideia e aceitei esse grande e prazeroso desafio", garantiu.

O volante de 33 anos, que algumas vezes atua como um meia mais avançado, diz que o futebol finlandês tem muita força física. Fora de campo, ele sofre com as temperaturas negativas.

"O país é fantástico e tem pessoas super do bem. Eu, por ser carioca, odeio frio, mas vamos que vamos. A história mais curiosa é que já perdi quase todas unhas com o frio. Eu não sinto o pé direito treinando e jogando, quando vou tomar banho a unha está preta e logo cai", afirmou.

Outro fator que complica um pouco a vida de Toró é a culinária local.

"Eu sou muito chato hoje em dia com a alimentação. Como muito pouco. Moro sozinho porque a família ficou no Brasil e não sei cozinhar bem. Por isso, compro comida pronta e só esquento, mas na maioria das vezes como muita salada mesmo", finalizou.