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Cobreloa: Como está hoje o rival do Flamengo na final da Libertadores-81

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Celso Unzelte diz qual é o 'único jeito' do River Plate derrubar o Flamengo na Libertadores (1:48)

Para o professor do BB Debate, o clube argentino tem bola para se impor contra o time carioca. (1:48)

Enquanto o Flamengo segue se preparando para a final da Libertadores contra o River Plate, no próximo dia 23, em Lima, muitos torcedores rubro-negros mais velhos se agarram às memórias da final da 1981 para torcer por um novo sucesso do time carioca no torneio continental.

Mas, lembrando da emocionante decisão vencida pelo supertime de Zico, fica uma dúvida: afinal, o que aconteceu com o Cobreloa, o clube que era uma das grandes potências do Chile - e que vendeu muito caro aquele título para os brasileiros?

Pois a situação da equipe de Calama é muito diferente de outros tempos...

PATROCÍNIO ESTATAL

O Cobreloa é um clube relativamente jovem, tendo sido fundado em 1977 pela Codelco (Corporación Nacional del Cobre de Chile), a empresa estatal chilena de mineração de cobre.

Recebendo muito dinheiro via patrocínio do Estado, o clube do deserto do Atacama rapidamente tornou-se uma potência local.

Já em 1977, veio o acesso à elite do Chile. Três anos depois, as "Raposas do Deserto" conquistaram pela primeira vez a liga nacional, classificando-se para a Libertadores.

Na temporada seguinte, o Cobreloa já chegou à final do torneio da Conmebol, sendo derrotado pelo Flamengo na melhor de três na final.

O dinheiro da Codelco seguiu jorrando, e o clube laranja alcançou novamente a final da Libertadores em 1982, mas perdeu para o fortíssimo Peñarol, do Uruguai.

Durante os anos 80 e 90, até a metade dos anos 2000, as "Raposas" seguiram como uma potência, sempre apoiados no dinheiro da mineradora.

Foram oito títulos chilenos conquistados no período (1980, 1982, 1985, 1988, 1992, 2003 Apertura, 2003 Clausura e 2004 Clausura), além de uma semifinal de Libertadores em 1987 e uma Copa do Chile (1986).

Em 2011, porém, as coisas mudaram drasticamente...

FIM DO DINHEIRO DA MINERAÇÃO

Até 2011, a Codelco depositava cerca de US$ 1,5 (R$ 6,21 milhões) anualmente nas contas do Cobreloa, o que fazia a equipe nadar de braçada no futebol chileno.

No entanto, neste ano a estatal mudou seu contrato com o clube, passando a reduzir de maneira escalonada seus investimentos até 2017, quando encerrou de vez o patrocínio.

E como o time laranja nunca se estruturou para uma vida sem o dinheiro estatal, a vida econômica do clube passou a degringolar.

Já em 2015, as "Raposas" foram rebaixadas para a 2ª divisão chilena, com direito a pontos perdidos no tapetão por escalação irregular do treinador (acredite se quiser) - o episódio envolvendo o técnico Alejandro Hisis ficou conhecido como "Caso Hisis"..

No ano seguinte, antes do final do contrato com a Codelco, o então presidente da equipe, Adrián León, revelou que o time era insolvente e corria sério risco de falir e desaparecer.

Seria o fim?

VIDA DURA NA SEGUNDONA

Desde que caiu, o Cobreloa nunca mais retornou à 1ª divisão chilena.

No entanto, por conta da gestão responsável de recursos ocorrida na gestão do atual presidente, Walter Aguilera, as "Raposas" conseguem agora subsistir, sem risco de falência.

Isso não quer dizer, porém, que haja bonança em Calama. Muito pelo contrário.

Atualmente, o Cobreloa tem um elenco extremamente jovem, com média de idade de 24,45 anos e formado em boa parte por revelações das categorias de base, misturados a alguns veteranos.

Segundo o site especializado Transfermarkt, todo o plantel atual da agremiação vale 3,78 milhões de euros (R$ 17,27 milhões). Ou seja: praticamente 20% do atacante Gabigol, do Flamengo, avaliado em 18 milhões de euros (R$ 82,25 milhões).

Hoje, as "Raposas" estão em 5º lugar da Primera B, na zona de playoffs para disputar o acesso à elite.

Todavia, com 39 pontos, o lugar não está garantido, já que a distância atual para o 11º colocado, o Deportes Santa Cruz, é de apenas 2 pontos.

Em entrevista recente, o presidente Walter Aguilera disse que tem muita esperança de recolocar a equipe na 1ª divisão do Chile, mas que não pode exigir o acesso de uma equipe formada por garotos.

Além disso, ele revelou que conversa com o Codelco para tentar retomar o patrocínio da estatal - com números diferentes do passado, porém.

"Não estamos falando de um monte de dinheiro. Pensam que vamos pedir US$ 1 milhão, mas não é bem assim", garantiu.

"E, além disso, aprendemos a viver sem a Codelco", finalizou.