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Elano conta como Rodrygo quase foi ao Liverpool antes de brilhar no Santos e ir para o Real Madrid

Em poucos meses no Real Madrid, Rodrygo encantou Zidane e recebeu diversos elogios da imprensa espanhola e dos torcedores merengues. Com apenas 18 anos, o atacante passou a jogar com frequência e a fazer gols em partidas importantes.

Todo esse sucesso do brasileiro não é uma supresa para quem o conhece desde a base. Elano, treinador que subiu Rodrygo ao time profissional do Santos em 2017 e o colocou em sua primeira partida oficial, aposta que o pupilo irá ainda mais longe.

"Apesar da pouca idade, ele tem uma maturidade e personalidade de jogo já formadas. Acredito muito no futebol dele. Ele ainda tem muito a crescer", disse o atual técnico da Inter de Limeira, ao ESPN.com.br.

Nesta quarta-feira, Rodrygo deverá estar em campo no jogo do Real Madrid contra o Galatasaray, pela Champions League. Mas a história poderia ter sido diferente: o Liverpool já "negociou" forte pelo jovem, mas não levou...

Veja essa e outras histórias de Rodrygo na entrevista com Elano:

Como você conheceu o Rodrygo?
Eu voltei em 2015 ao Santos e ele era um menino que já comentavam bastante. Em 2016, quando eu me aposentei, passei a acompanhar todos os jogos e treino da base durante o ano todo. Eu costumava treinava junto com ele no time sub-17. Nós criamos uma amizade que mantivemos no profissional.

Ele quase saiu do Santos antes mesmo de profissionalizar?
Houve um período que houve uma negociação muito forte do Liverpool para ele sair quando ainda estava na base. Os valores eram muito baixos, mas eles queriam ir. A oferta do Real depois foi em torno de 30 milhões euros (R$ 132 milhões pela cotação atual) a mais (risos). Eu tive uma conversa com o pessoal e disse que o menino valia a aposta e deveríamos subi-lo porque gostaria de trabalhar com ele. Graças a Deus deu tudo certo pelo mérito do Rodrygo.

Como foram os primeiros dias de treino quando ele subiu?
O ambiente no elenco era muito bom e todo mundo o abraçou. Nós raspamos o cabelo dele (risos). O Rodrygo queria participar dos jogos e sempre pedia a bola. Finalizava muito bem e fazia muitos gols nos treinos. Já conseguia se destacar, ainda mais na parte de finalização.

No que mais te impressionou nele?
Ele já tinha poder de decisão no profissional mesmo com pouca idade. Jogadores diferentes têm isso desde cedo. Quando conseguem controlar isso, eles se tornam cada vez melhores.

Você esperou um pouco até ele estrear...
Ele ficou conosco por um mês para se adaptar. Eu disse que ele iria participar de tudo: treinar, viajar e se concentrar, mas não iria entrar em campo. Queria que ele entendesse o processo. Ele já estava treinando muito bem, mas é sempre importante ter um pouco de paciência para dar a oportunidade na hora certa.

Como foi a estreia dele como profissional contra o Atlético-MG na Vila Belmiro? Ele entrou bem no fim do jogo...
Lembro que quando o chamei para entrar, ele veio sorrindo. Eu já tinha comentado antes: ‘Se prepare porque hoje eu vou te colocar’. Mas o jogo contra o Avaí foi o mais marcante para mim porque ele quase fez um gol na Vila!

Em pouco tempo ele fez sucesso no Santos...
Apesar da pouca idade, ele tem uma maturidade e uma personalidade de jogo já formadas. Ele tem recursos técnicos e um controle muito apurado dos movimentos. Essa adaptação ao profissional não demorou por isso. Foi bem rápida.

Te surpreendeu o sucesso tão rápido dele no Real Madrid?
Eu fui para Madri em novembro no ano pasasdo, quando chegou o Zidane, e ele já muito esperado por lá. A expectativa era muito grande e me perguntaram sobre o Rodrygo. Eu respondi que ele teria muito sucesso porque acredito muito na personalidade e no futebol dele. Ele ainda tem muito a crescer.

Como é o Rodrygo? Por que as responsabilidades vão mudar...
Ele pessoalmente é bem tranquilo com isso, mas as coisas vão mudando. Ele joga na seleção brasileira principal e no Real Madrid. Tudo na vida dele vai aumentar. Ele vai ter que tomar um certo cuidado.

O Rodrygo é filho de Eric Goes, um ex-jogador de futebol profissional. O quanto isso o ajuda a pular etapas?
O Eric foi muito importante e é uma influência muito positiva para ele. Isso ajuda muito. Eu conheço toda a família, que é muito boa.

Qual a última vez que você falou com o Rodrygo?
Falei com o pai dele há quase um mês. Dei os parabéns pela convocação para a seleção. A última vez que vi o Rodrygo foi no aniversário dele de 18 anos aqui no Brasil. Eu até brinquei: ‘Não te chamo mais de mais juvenil porque você já pode até dirigir’ (risos).