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Bicampeão da Copa do Brasil pelo Cruzeiro conta como é jogar a Champions League e enfrentar Cristiano Ronaldo

Bicampeão da Copa da Brasil pelo Cruzeiro, Murilo foi no meio deste ano para o Lokomotiv Moscou-RUS. O zagueiro em pouco tempo conseguiu pular a fase de adaptação, algo bem comum entre os jogadores brasileiros, e rapidamente virou titular da equipe russa.

Ele jogou as duas primeiras partidas pela Champions League, e deverá estar em campo no jogo contra a Juventus, válido pela terceira rodada da competição. O duelo será realizado no Allianz Stadium, em Turim, nesta terça-feira, às 16h (de Brasília).

"É um sonho de moleque, via os jogos sempre que podia. Adorava a música e é o tipo de partida que me agrada. Tenho que aproveitar cada momento. Vai ser um grande aprendizado para minha carreira enfrentar os melhores do mundo. Gosto de desafios. O Ronaldo tem uma carreira de sucesso. A gente sabe que é difícil, mas tem que dar o melhor", disse ao ESPN.com.br.

Quando era pequeno, o garoto natural da Bahia ajudava seu pai em uma loja de peças de motos e também capinava jardins pela vizinhança para ganhar dinheiro.

"Eu gostava de ter o meu dinheiro e cheguei trabalhar na loja que vendia peça de bicicleta com meu pai, mas não curtia muito. Também ja limpei jardim, mas eu pai ficou bolado. Não era um emprego porque era novo", explicou.

Mas o futebol sempre foi sua grande paixão. Após começar em escolinhas, ele chegou a tentar alguns clubes. Aos 13 anos, ele foi aprovado colo volante no Cruzeiro e foi morar nos alojamentos da Toca da Raposa.

"Eu jogava como meia e era baixinho. Cheguei a fazer teste no Vasco, Inter e Vitória. Era muito criança e não aguentava ficar sozinho fora de casa. No Inter eu não passei e no Bahia não fiquei porque não tinha alojamento. Queria um lugar mais perto de casa. Vitória fui reprovado e pouco tempo depois eu fui ao Cruzeiro. Me aprovaram depois de dois testes e permaneci".

De 5ª opção a titular

Na base, virou zagueiro e chegou a defender a seleção brasileira sub-20.

"Sair de casa cedo foi difícil. Eu queria ajudar minha família, mas ainda só recebia ajuda de custo. Até me acostumar e ganhar melhor demorou um pouco".

Ele estava preparado para jogar a Copa São Paulo de juniores de 2017 quando recebeu uma ligação do então vice-presidente de futebol (Bruno Vicintin) o chamando para o elenco profissional.

O defensor estreou em 2017 no amistoso contra o Brasília, em que o Cruzeiro goleou por 8 a 2. Pouco tempo depois, ele atuou contra o Joinville, pela Primeira Liga.

Durante o ano, Murilo passou de quinta opção para a zaga do Cruzeiro a titular absoluto. A mudança começou em junho. A chance apareceu depois que dois titulares se machucaram, outro defensor foi para seleção. Quando teve uma chance, o jovem soube aproveitar e não saiu mais do time até o final do ano.

"Meus pais sempre me deram apoio para me deixar tranquilo. Quando a chance veio eu estava com a cabeça boa pra aproveitar".

Murilo conquistou o título da Copa do Brasil contra o Flamengo, vencida nas penalidades.

"Jogo de volta pela semifinal contra o Palmeiras no Mineirão na volta, nós estávamos muito bem, mas levamos um gol que não merecíamos. A gente ia ser eliminado, mas no final, nós empatamos e nos classificamos. Deu uma força enorme!", recordou

No ano seguinte, Murilo perdeu espaço para Léo e Dedé e virou reserva. Mesmo assim, foi peça importante na conquista do segundo título seguido da Copa do Brasil.

O frio e a Champions

No meio deste ano, após defender a seleção sub-23, Murilo foi vendido para o Lokomotiv Moscou. Desde que chegou à Rússia, ele conta com o apoio do colega de time Guilherme, goleiro brasileiro naturalizado russo, para se adaptar ao país.

"A diferença é grande, tem um frio também. Ainda vou pegar temperaturas negativas. Minha adaptação foi rápida e sou cara tranquilo que gosta de se cuidar bem. Sofri no começo, mas me acostumei. Eu me cobrei muito para que esse ano não fosse só de adaptação. Queria pular logo esta etapa e jogar. Estou me saindo bem".

Agora, o defensor espera além de realizar o sonho de jogar na Europa consiga defender o Brasil nos Jogos de Tóquio, em 2020.

Mesmo longe do Brasil, o zagueiro ainda acompanha os amigos que deixou no Cruzeiro e torce para que o time saia da zona de rebaixamento.

"Os últimos jogos ajudaram muito a melhorar a confiança deles com as vitórias", finalizou.