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André Ramalho levou Red Bull Salzburg para 1ª Champions League e hoje reencontrará Mané, seu antigo parceiro

Para tentar parar o poderoso ataque do Liverpool, que joga em casa pela segunda rodada da Champions League, o Red Bull Salzburg conta com uma boa atuação de André Ramalho. O brasileiro já enfrentou vários jogadores dos Reds ao longo da carreira e conhece Sadio Mané como poucos, já que eles foram colegas há algumas temporadas na equipe austríaca.

"É o time a ser batido porque são os atuais campeões. Eles perderam o primeiro jogo para o Napoli e querem mostrar em casa a força para recuperar os pontos. Sabemos da qualidade deles, mas queremos vencer também. Sabemos da dificuldades, mas temos valores no nosso elenco. Faremos de tudo para pelo menos arrancar um ponto de lá", disse ao ESPN.com.br.

"A expectativa é grande. É um estádio de muita tradição e história. Sabemos do que o Liverpool é capaz na casa deles. E o melhor exemplo foi o que eles fizeram contra o Barça na última semifinal", disse o brasileiro.

O zagueiro e volante não se surpreende com a grande amizade entre Mané e o atacante Roberto Firmino.

"Vai ser um oportunidade legal para revê-lo. É um excelente jogador e uma pessoa fantástica. Vai ser interesse esse duelo. Ele gosta muito de brasileiros mesmo. Mas não vou conseguir trocar camisa com ele porque a prometeu para outro jogador nosso (risos)", contou.

Em 2017, Ramalho contou à ESPN como o antigo colega se entrosava bem com os brasileiros.

"O Mané era um cara muito alegre no vestiário e muito gente boa. Nós conversávamos bastante naquela época. Africano e sul-americanos sempre se dão bem", disse.

Os brasileiros gostavam de brincar com o sobrenome do companheiro imortalizado na canção "malandro é malandro e mané é mané", interpretada pelo sambista Bezerra da Silva.

"Uma vez a gente contou para ele o que significava a palavra 'mané' em português e ele deu muita risada e falou assim: 'Eu não sou mané!' (risos). Era uma figura. Eu acho até que o Alan mostrou a música para ele", prosseguiu.

Ramalho lembra que o senegalês, fã de Ronaldinho Gaúcho, treinava várias vezes com a chuteiras desamarradas.

"Sempre achei muito estranho isso (risos). Não faço a menor ideia da razão dele fazer isso. Eu pensava: 'Como alguém treina assim?' (risos). Eu não sei se ainda faz isso", recordou.

"No começo ele não fazia tantos gols, mas na segunda temporada ele começou a jogar muito. Ele chegou muito jovem e precisava ainda evoluir. Depois que pegou confiança ele deslanchou. Ele não era nosso centroavante, era um atacante de ponta e dava também muitas assistências".

Em pouco mais de duas temporadas, Mané fez 87 jogos, 45 gols e faturou dois títulos da Liga Austríaca. Para André Ramalho, porém, o jogo mais marcante do senegalês pelo time austríaco foi um amistoso vencido por 3 a 0 sobre o Bayern de Munique de Pep Guardiola, em 2014.

"Ele arrebentou, fiquei até com dó dos zagueiros deles (risos). Ele bagunçou e fez um gol. Para a gente foi especial a vitória por ser um time tão forte como o deles".

Além de Mané, Ramalho também atuou com o meia Naby Keita, do Liverpool, no Red Bull Salzburg.

"Ele teve algumas dificuldades no começo, mas tinha muita qualidade. Fez um bom primeiro ano, mas explodiu de fato no segundo. Foi o melhor da Áustria naquele ano. Depois, foi ao RB Leipzieg e ao Liverpool. Não me surpreende estar tão bem", contou o brasileiro.

Pelo Salzburg, o brasileiro foi adversário do zagueiro Virgil van Dijk, finalista do prêmio de melhor jogador do mundo da Fifa.

"Eu joguei contra o Vin Djik na Escócia quando ele estava no Celltic. Nós vencemos o time deles por 3 a 1 pela Liga Europa com dois gols do Allan - eu dei uma assistência - e um do Keita", contou.

1ª Champions

Apesar de ser hexacampeão austríaco, o Red Bull Salzburg está disputando a fase de grupos pela 1ª vez desde que foi comprado pela companhia de energéticos. Na primeira partida, o time da Áustria venceu em casa o Genk por 6 a 2.

"Foi sensacional jogar e um fato incrível. Estava há muito tempo esperando por isso, mas não imaginava que faríamos um placar assim. Foi um alívio muito grande. Ficamos ansiosos desde que soubemos que iríamos jogar a fase de grupos Estes três meses pareceram eternos! Fizemos bonito e a espera a valeu a pena", disse Ramalho, que jogou uma partida de Liga dos Campeões - contra o Bate Borisov - quando atuava pelo Bayer Leverkusen

"Todos os ingressos foram vendidos para as três partidas em casa muito tempo antes de sabermos quem seriam os nossos adversários. A casa estava cheiam foi lindo. Após o apito final, eu e outros jogadores com mais tempo de casa ganharam as bolas do jogo do treinador da equipe", disse.

Aos 27 anos, André Ramalho precisou superar dispensas na base do São Paulo e do Palmeiras e passou pelo São Bento antes de chegar ao Red Bull Brasil. Na equipe, ele jogou a Série B do Paulistão (4ª divisão estadual) e a Copa São Paulo, antes de se aventurar na Europa.

Aos 18 anos, foi para a Áustria e jogou por FC Liefering (clube então na 3ª divisão) e USK Anif antes de jogar pelo Red Bull Salzburg, pelo qual conquistou duas vezes a Liga Austríaca (2014 e 2015) e a Copa da Áustria (2014 e 2015).

Em 2015, ele foi para o Bayer Leverkusen, no qual teve a chance de jogar a fase de grupos da Uefa Champions League. Após ser emprestado na temporada ao Mainz-ALE, ele retornou ao Leverkusen antes de se transferir novamente ao Red Bull Salzburg.

Na temporada retrasada, ele ajudou o time da Áustria a conquistar mais uma vez a liga austríaca (2018) e chegar à inédita semifinal da Europa League, quando caiu para o Olympique de Marselha. Ano passado, ele faturou mais uma vez o Campeonato Austríaco.

"Eu amadureci muito nos últimos anos e sou um dos mais experientes do elenco, por incrível que pareça, mesmo com apenas 27 anos. Estou em um ótimo momento e estou atingindo objetivos importantes. Acho que a parte individual aparece por causa do time todo estar se destacando", disse.