No duelo válido pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro nesta quinta-feira, no Maracanã, Caio Henrique, do Fluminense, terá a chance de reencontrar o Santos, time no qual foi revelado. Dentro de campo, ele terá que esquecer as boas lembranças para ajudar o clube das Laranjeiras a deixar a zona de rebaixamento da competição.
"Guardo um carinho pelo Santos por tudo que passei lá no início da minha trajetória e tenho boas lembranças na memória. Mas hoje defendo o Fluminense e quando a bola rolar tenho que me doar pelo clube que hoje represento. Será um jogo muito difícil, pois é uma equipe qualificada e muito bem treinada. Temos que estar muito focados", disse, ao ESPN.com.br.
Caio chegou à Vila Belmiro ainda nas categorias de base, mas foi para o Atlético de Madrid, da Espanha, antes mesmo de estrear entre os profissionais, aos 18 anos.
"Já tinham alguns observadores do Atlético de Madrid me monitorando. Eles fizeram uma oferta. Conversei com a minha família e aceitei. Era o melhor a fazer naquele momento", revela.
Depois de passar um tempo nas equipes inferiores do clube colchonero, ele foi integrado aos comandados por Diego Simeone em 2016-17, mas teve poucas oportunidades na Espanha.
A maior dificuldade foi a distância da família: "Senti bastante a falta da minha família e dos meus amigos no começo. Nunca tinha saído de casa antes. Estava muito frio em Madrid e como sou da Baixada Santista não estava acostumado", disse, em 2017, à ESPN.
O ida para a Espanha aconteceu por um desejo do Atlético de Madrid. Com o contrato próximo do final, os espanhóis fizeram uma proposta e o jogador rumou a Madri.
Apesar das poucas chances no time principal, Caio Henrique vê como válida a experiência no exterior.
"Costumo falar que o futebol na Espanha, principalmente com o Simeone, é muito mais intenso. Então é algo que eu aprendi com ele e com o Atlético de Madrid, que é impor intensidade no jogo, velocidade, estar sempre em movimento. Além de toda a parte tática, das linhas de marcação. Foi uma escola muito valiosa em minha vida", conta Caio.
E com Simeone, Caio viveu bons momentos. A fama de durão, de nunca parar e de tirar o máximo dos jogadores é real, tanto que Caio ri ao relembrar uma história com o argentino.
"Em uma partida contra o Sporting Gijón, nós estávamos vencendo por 4 a 1. Ele estava louco na beira do campo maluco. Gritava e gesticulava. A gente no banco de reservas comentava: ‘Mas falta só um minuto para o jogo acabar'. Isso nos passa muita vontade e confiança quando entramos em campo. Cada bola em campo, cada dividida precisamos ganhar. Isso é o segredo do Atlético de Madrid".
Capitão na seleção e chegada ao Paraná
Em 2017, o jogador foi capitão da seleção brasileira sub-20 no Sul-Americano, que terminou na 5ª posição. Ano passado, ele foi emprestado ao Paraná para a disputa do Campeonato Brasileiro, no qual a equipe foi rebaixada com apenas 23 pontos, 20 a menos do que o 16º colocado, Vasco.
"A experiência no Paraná foi muito enriquecedora para mim. Amadureci demais com o ano que tive por lá, nunca havia jogado uma Série A de Campeonato Brasileiro, nem mesmo pelos profissionais aqui no Brasil, então me fez crescer e viver situações que nunca havia vivido. Óbvio que fica a tristeza pelo resultado final, queríamos ter mantido o time na elite, mas individualmente foi algo que me fez evoluir".
Neste ano, Caio foi emprestado ao Fluminense. Nas mãos do técnico Fernando Diniz, o meio campista passou a jogar também como lateral-esquerdo e virou um dos destaques do time.
"Acho que estou tendo uma boa temporada no geral. Já tinha feito alguns treinos como lateral no Atlético de Madrid e me adaptei bem na função esse ano. Meu objetivo é sempre ajudar o Fluminense no que for preciso. Se for necessário voltar ao meio-campo, estarei pronto da mesma maneira. O importante é colaborar com a equipe", afirmou.
Agora, o objetivo do jogador é ajudar o time das Laranjeiras a melhorar no Brasileiro.
"Não tem outra alternativa a não ser trabalhar cada vez mais. É uma situação que incomoda, mas sabemos que temos condições de sair lá de trás para uma posição mais confortável na tabela. Estamos todos determinados a mudar isso o mais rápido possível", disse.
Além disso, Caio quer uma vaga na seleção olímpica, que vai brigar para chegar aos Jogos de Tóquio, em 2020.
Sob contrato com o Atlético de Madrid até 2023, o jogador tem multa rescisória milionária, de 30 milhões de euros (cerca R$ 136 milhões) e está emprestado ao Fluminense até o final da temporada.
