O começo nas ruas, a dificuldade de se desenvolver fisicamente, a explosão no Bayer Leverkusen e a consagração no Bayern de Munique e no Chelsea. Michael Ballack teve uma carreira de sucesso, e cresceu para o futebol até ser comparado a Lothar Matthäus e Franz Beckenbauer.
Agora aposentado, o ex-meia divide suas histórias e conta um pouco de sua trajetória dentro da Premier League.
Na edição desta semana do Mundo Premier League, o episódio com Juan Mata e Michael Ballack tem tudo sobre a evolução e o sucesso do meia alemão. Para conferir o episódio completo é só clicar AQUI.
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COMEÇO NO FUTEBOL
Meus pais se mudaram para Karl-Marx-Stadt, que hoje se chama Chemnitz, e vivi cerca de 19 ou 20 anos lá. Foi uma boa época, eu comecei no futebol muito cedo, com 6 ou 7 anos. Sete em um clube. Meus pais diziam que eu tinha que ir para escola primeiro, antes de ir para um clube.
Havia muitas crianças, sabe? E sempre nos reuníamos na rua para jogar futebol, quase todos os dias.
São as regras da rua, sabe? E é uma coisa que aprendi muito cedo. Quando eu era mais novo, eu não era fisicamente muito forte. E quanto fui para o time principal, aos 18 ou 19 anos, eu vi a diferença. Eu não estava fisicamente pronto para o futebol profissional. Por isso tive que imediatamente aprender a melhorar meus aspectos físicos.
Eu o conheci nas divisões de base do Chemnitzer, e depois que ele ficou afastado um bom tempo por causa de uma lesão nos juvenis, ele foi para a equipe principal. Acho que ficou claro que ele era um jogador de futebol excepcionalmente bom. - Christoph Franke, ex-técnico do Chemnitzer FC
A compreensão que o Michael tinha do futebol era fenomenal. Ele podia ler a situação em campo e lidar com as coisas muito bem, para alguém tão jovem. Ele ficava à vontade usando os dois pés, era fisicamente muito forte naquela idade, e era ótimo pelo alto. - Torsten Bittermann, ex-companheiro de time de Ballack
Claro que um técnico sempre fica triste quando perde seu melhor jogador, ou jogadores muito bons. Mas era claro como o dia que ele jogaria no mais alto nível e que, um dia, sua hora ia chegar. - Christoph Franke, ex-técnico do Chemnitzer FC
Foi muito importante para mim quando saí do Chemnitzer depois de dois anos para ir pra um time onde eu teria uma boa chance de jogar. O Kaiserslautern tinha vindo da segunda divisão e tivemos um bom começo, um grande começo. Ganhamos do Bayern de Munique fora de casa no primeiro jogo, e a partir daí fomos liderando o campeonato até o fim. Conquistar o título foi incrível. É uma cidade que vive o futebol, só pensa no futebol, é uma cidade pequena. Foi uma coisa nunca mais aconteceu, ainda mais vindo da segunda divisão. Foi meio como o Leicester, mas eles já estavam há um ano na Premier League. É, foi inacreditável.
Ele sempre vai dividir opiniões, onde quer que vá. Isso é inevitável, por isso ele é Michael Ballack. Para mim, ele é um superastro internacional, e é assim que vamos lembrar dele. E podemos ficar felizes porque ele veio de Chemnitz. - Torsten Bittermann, ex-companheiro de time de Ballack
BAYER LEVERKUSEN E BAYERN DE MUNIQUE
Fui para o Bayer Leverkusen, e em 2002 tivemos um ano incrível com Klaus Toppmoller, chegando em todas as finais. Éramos líderes da liga a três rodadas do fim com 5 pontos de vantagem. Todos estávamos muito confiantes, mas acabamos perdendo o título para o Borussia Dortmund. Perdemos a final da Copa da Alemanha, perdemos a final da Liga dos Campeões. Mas tivemos uma temporada fantástica. O futebol é assim.
Com a mudança para o Bayern de Munique, as expectativas cresceram, esperavam muito mais da minha pessoa. O discurso era a obrigação de vencer, não a possibilidade de vencer. É muito diferente quando você tem que ganhar. Em quatro anos conquistamos os dois títulos nacionais três vezes, o que mostra o domínio do Bayern de Munique na Bundesliga.
Cheguei num ponto em 2006 em que tinha que decidir se estendia o meu contrato com o Bayern. Mas eu sentia que o clube não era competitivo o bastante para conquistar a Liga dos Campeões.
IDA PARA O CHELSEA
O Chelsea era um clube fantástico para ir, porque eu via todos aqueles grandes jogadores jogando lá, e para mim seria o último grande desafio. Eu tinha 29 anos e podia fazer uma coisa diferente. A proposta do Chelsea era fantástica, e para mim era uma grande oportunidade de ir para a Premier League, a liga mais forte do mundo.
Estou muito feliz por estar aqui e por assinar o contrato. Perguntei a alguns jogadores sobre a Inglaterra, sobre o futebol inglês: Jurgen Klinsmann, Robert Huth, Jens Lehmann, e todos me disseram coisas boas sobre este país. Então, sim, estou feliz por estar aqui.
Havia uma diferença em termos de estilo de jogo entre a Premier League e a Bundesliga. Todos sabem que o futebol é mais direto, há mais passes rápidos no ataque.
Além disso, os árbitros não apitavam tanto. Havia mais liberdade nas divididas, nos desarmes. Dava pra sentir que era preciso ser fisicamente mais forte para competir com todos aqueles caras grandes às vezes, e na Alemanha era um futebol mais de passes. Essa foi a maior diferença quando fui para o Chelsea.
O Mourinho nos passou aquela mentalidade vencedora, e essa foi a diferença, esse foi o segredo. Eu imediatamente senti que havia algo, havia um clima aqui voltado para a vitória, e não havia outra opção a não ser vencer
"Havia um clima voltado para a vitória, e não havia outra opção a não ser vencer" - Michael Ballack, ex-meia do Chelsea.
Eu realmente podia sentir a fome para conquistar cada vez mais coisas, nesses jogadores e nos olhos dele. E Mourinho, é claro, era o líder de tudo isso e o criador desse ambiente e dessa dinâmica. Então, sim, acho que foi realmente especial na época.
A LESÃO E O ERRO MÉDICO
Eu me machuquei, tive uma lesão grave no tornozelo, um problema na cartilagem que tive em Newcastle. E acho que houve uma confusão em relação à gravidade da minha lesão. Eu lembro que tive que ir para a Alemanha para ver outro médico para corrigir esse erro. E Mourinho não podia acreditar. Claro que todo técnico quer que o jogador volte logo, e ele precisava de mim, mas eu tive que ouvir o meu corpo. E se o seu corpo diz que não está pronto, você não está pronto.
Foi um momento muito especial para mim, o primeiro jogo depois da contusão. Acho que foi contra o Aston Villa. Eu voltei um pouco antes porque acho que o Frank Lampard teve uma lesão muscular, ele teve que sair e eu entrei bem antes. Não tinha planejado voltar tão cedo, mas surgiu a chance depois de sete meses machucado, e voltar a campo foi uma sensação incrível.
O RETORNO E A GLÓRIA
O Chelsea esperava demais. Na época, o Roman Abramovich tinha investido muito dinheiro, e o sucesso tinha que vir rápido. E às vezes isso não dá certo em um time de futebol.
Não acho que exista uma estratégia para demitir um técnico rapidamente. Acho que é o momento, é uma combinação de expectativas do clube, do dono, do conselho, e de não atuar bem em certos momentos, em certas épocas da temporada, e isso causa pressão.
Não se pode comprar o sucesso. Há muitos outros aspectos em um time de futebol que precisam dar certo e que precisam funcionar em torno de todos esses investimentos, juntamente com isso, ao lado de todos esses bons jogadores.
Mas quem dá o tempo para isso hoje em dia? Especialmente no Chelsea. Claro que, se olhar nos últimos dez ou quinze anos, houve talvez um ou dois técnicos a mais do que deveria.
Depois de tantas tentativas, finamente eu venci. Nós vencemos.
Foi inacreditável, mas nós merecemos, com Carlo Ancelotti. Ele estava lá no momento certo com seu carisma, com sua paciência. Ele lidou com o elenco de uma forma fácil. Jogamos um futebol fantástico, um futebol agradável. Parecia que não havia pressão. Ele achou uma forma de colocar todo mundo na mesma direção e as coisas funcionavam. Acho que foi por isso que ganhamos os dois títulos.
Fico muito feliz quando vejo futebol, quando posso falar de futebol, e isso é algo que sempre esteve na minha vida, o futebol foi uma parte crucial da minha vida e acho que continuará sendo até o fim da minha vida.
CLAUDE MAKÉLÉLÉ SOBRE MICHAEL BALLACK
O Mourinho precisa de um jogador como esse. Ele sabe exatamente o apoio que quer dar ao elenco, a qualidade do jogador, mentalidade, personalidade. Acho que o Michael tinha tudo isso e o Mourinho sabia muito bem disso.
Para mim, eu o coloco no mesmo nível na Alemanha de jogadores como Beckenbauer, Matthaus. Acho que ele dá muito por seu país. Uma lenda do futebol no mundo todo.
PETR CECH SOBRE MICHAEL BALLACK
Imediatamente vimos que tínhamos muita coisa em comum, e nos demos muito bem. Gosto de pessoas que levam a sério seu trabalho, e como colega de time, quando temos alguém que é muito sério e preparado, podemos confiar em sua disciplina e em seu preparo. Isso é uma coisa que você aprecia porque sabe que esse cara vai estar pronto todas as vezes que você precisar.
Você precisa ter vencedores, precisa ter pessoas movidas pelo sucesso, e ele era um dos jogadores que realmente se encaixava na filosofia do nosso time.
Acho que ele sempre vai ser lembrado como o jogador que sempre se dedicou ao máximo, que fez gols importantes. Ele tinha uma personalidade forte e obviamente muita qualidade no futebol. Os passes, a visão de jogo, e era um vencedor.
