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Ex-Vasco virou mentor de Courtois e De Bruyne na Europa e hoje cuida da carreira de 30 jogadores

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Seleção dos mais caros da Champions tem trio de 530 milhões de euros no ataque; veja titulares e reservas (2:00)

A equipe principal atua no 4-3-3, com Oblak; Alexander-Arnold, Van Dijk, De Ligt e Lucas Hernández; Kanté, De Bruyne e Messi; Mbappé, Neymar e Kane. Cristiano Ronaldo, que vale 90 milhões, não aparece nem entre os suplentes. (2:00)

Revelado no começo do século pelo Vasco, João Carlos jogou ao lado de Romário antes de fazer uma carreira de quase 15 anos na Europa. Quando atuou na Bélgica, ele ajudou os futuros astros do futebol mundial a se firmarem na carreira.

Aposentado desde 2018, o ex-zagueiro é empresário de 30 jogadores espalhados pelo país.

“Meus sócios e eu começamos a trabalhar com jovens atletas há cinco anos, quando eles ainda estavam na base. Agora, alguns deles começaram a despontar, como o Saulo, goleiro do Botafogo. Eu voltei ao Brasil no ano passado porque os garotos foram crescendo e precisavam de um suporte maior”, disse, ao ESPN.com.br.

A decisão de pendurar as chuteiras veio após ele defender o Al Jazhira, dos Emirados, em 2017.

"Eles precisavam de um zagueiro urgentemente e fui contratado. Eu tinha um sonho de jogar em Dubai, vi a estrutura e era um paraíso. Achei que ia parar por porque nós fomos campeões", afirmou.

Em 2018, João estava decidido a tocar seus negócios no Brasil e recebeu um convite para defender o Madureira no Carioca.

“Eu topei porque meus filhos estavam perto de onde o time treinava, era bacana porque tinha estrutura boa e poderia pagar minhas contas. Eu achei até que dava para jogar mais tempo depois que enfrentei grandes times como Flamengo e Botafogo”.

“Quando acabou o Estadual eu vi que não adiantava bater cabeça porque o pessoal tem muita coisa com idade, não olha tanto para o futebol. Não ia conseguir um time legal”, explicou.

Durante a carreira, João Carlos defendeu CSKA Sofia-BUL e Lokeren-BEL antes de acertar em 2008 com o Genk-BEL. Na equipe belga, ele jogou com Thibaut Courtois, goleiro do Real Madrid e Kevin de Bruyne, meia do Manchester City.

Os pais de De Bruyne gostavam muito do brasileiro, a quem consideravam uma boa influência para o filho.

"Ele vem de uma família muito estruturada, tem uma educação fora do normal e pais muito legais. Eles sempre o acompanhavam nos treinos e jogos, e sempre me perguntavam se ele estava evoluindo", disse.

Isso porque o brasileiro teve um papel decisivo no surgimento da joia do Genk.

"Quando o Kevin subiu para o profissional, o técnico me perguntou: 'E esse garoto, acha que tem futuro?'. Eu respondi na lata: 'Professor, ele não pode mais descer pra base. Tem que ir com o grupo para os jogos, nem que seja pra ficar no banco'. O treinador ainda falou: 'Ele é muito jovem, muito quieto...'. E eu cravei: 'Tem que levar, professor, ele tem muita qualidade'. Ainda bem que ele me ouviu", exalta João Carlos.

"Eu não era só o capitão do Genk, era uma espécie de líder geral, porque nosso treinador não era de falar muito. Eu que precisei chamar a responsabilidade naquele momento. Qualquer decisão sobre treino, folga, essas coisas, passava por mim. Eu decidia pelo bem do grupo e por isso ganhei respeito e fiz muitas amizades. Éramos um time muito unido. Qualquer festinha ou encontro tinha pelo menos uns 16 jogadores com a família", rememora.

Em uma delas, Courtois cortou o pé após uma brincadeira na casa do brasileiro. Por causa disso, ele não conseguiu fazer sua primeira partida profissional. Alguns dias depois, o zagueiro conseguiu contornar a situação e foi importante para tirar qualquer pressão das costas do arqueiro em sua estreia pelo Genk.

"Eu disse para ele: 'Vai lá e jogue seu futebol tranquilo. Qualquer erro que você cometer pode colocar na minha conta'. Eu dava sempre opção para ele. Daí, depois da estreia, ele falou isso para os pais dele e para os jornalistas, que depois vieram falar comigo".

"Isso repercutiu demais. Foi uma palavra normal, que eu falaria para qualquer um. Eu disse que foi uma coisa normal, mas os pai deles até hoje são muito agradecidos a mim. Eles falaram: ‘Muito obrigado pela força, nosso filho gosta muito de você’. Depois disso, criamos uma ótima relação", comenta.

João chegou a marcar Lukaku, da Inter de Milão, que já era um fenômeno com apenas 16 anos quando atuava pelo Anderlecht.

"Era difícil de marcá-lo, e o pessoal dizia na Bélgica que era 'gato' [gíria para jogar com idade adulterada]", recordou.

Após faturar a Liga Belga ao lado da dupla, João Carlos foi para o Anzhi, da Rússia, em 2010. No começo, porém, a equipe mal tinha material esportivo e estrutura. Com a chegada de astros do calibre de Willian, Eto'o, Las Diarra e Roberto Carlos, porém, tudo mudou.

O clube do Daguestão, que jogava em Moscou por causa dos conflitos locais, começou um projeto para dominar o futebol russo, mas durou pouco tempo. Após sair do Anzhi, o defensor passou por Spartak, Lokeren e Al Jazira e Madureira.