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Douglas Luiz chegou ao City com 'cornetada' de Guardiola e superou burocracia para ser trunfo de R$ 76 milhões na Premier League

Na saída do estacionamento no Pacaembu, por volta das 23h30, eu estou arrumando os equipamentos no carro da ESPN para ir embora. Todos os jogadores e jornalistas já tinham ido embora. Havia cumprido minha função, mas estava com uma certa frustração: tinha entrevistado vários atletas da seleção olímpica, mas não tinha conseguido falar com Douglas Luiz.

Revelado no Vasco da Gama, o volante foi contratado pelo Manchester City por 13 milhões de euros (R$ 59 milhões), mas não conseguiu permissão de trabalho para ficar na Inglaterra. Após permanecer duas temporadas emprestado ao Girona, da Espanha, o jovem finalmente conseguiu o documento que precisava para atuar na Premier League. Ou seja, bons assuntos para explorar.

Nisso, vejo um grupo com cerca de 12 jovens sorridentes, que brincavam o tempo todo, passeando pelas dependências do complexo esportivo. Quando olho com atenção, vejo um cara de tranças no cabelo, bermuda, chinelos, camiseta regata e algumas correntes no pescoço.

Era Douglas Luiz, que não havia passado naquela noite pela zona mista, junto com seus amigos. Ele estava visivelmente animado por ter sido capitão nas duas vitórias da seleção olímpica (contra Colômbia e Chile).

Percebi que o grupo desejava tirar uma foto, mas pela quantidade de pessoas, uma selfie não iria resolver. Vi ali uma grande oportunidade de trocar umas palavras com o jogador. Me aproximei deles e me ofereci para fazer a fotografia.

Fiz a gentileza, e logo em seguida pedi uma entrevista. Simpático, o jogador a princípio negou pelo horário. Eu insisto, digo que será rápido. Ele brinca com um de seus amigos que será o assessor e topa falar com a reportagem.

Desde 2017 na Europa, Douglas chegou fazer algumas pré-temporadas com a equipe do City e viu de perto o estilo obcecado por trabalho de Pep Guardiola.

“O Guardiola é um cara fora do normal, vive para o futebol e quer melhorar todo dia e nunca está satisfeito. Isso o faz ser o melhor e conseguir colocar a ideia nos jogadores para eles cumprirem”, disse, à ESPN.

“Quando eu cheguei lá logo tomei uma cornetada dele (risos). Ele disse que estava vendo apenas cinco metros do campo ao meu redor e teria que ver 30. Isso me fez pensar muito em querer melhorar. E no pouco tempo que trabalhamos juntos, ele me fez melhorar bastante e me posicionar melhor em campo”, explicou.

Depois de regularizar sua situação, o jovem foi vendido no meio deste ano ao Aston Villa por 15 milhões de libras (R$ 76 milhões), mas o Manchester City possui uma cláusula de recompra do brasileiro.

“Fiquei muito feliz com a notícia de consegui o visto, era o meu maior objetivo. Estou satisfeito no clube que estou, e agora é manter a sequência. Nosso maior objetivo é nos mantermos na 1ª divisão”, disse Douglas.

A equipe de Birmingham, que venceu a Champions League de 1982, foi recém promovida à Premier League nesta temporada. Ela efrentará em casa o West Ham, nesta segunda-feira. A ESPN Brasil e o WatchESPN transmitem o duelo a partir de 15h50 (de Brasília).

“Individualmente eu acho que para mim está sendo bom. A gente perdeu três jogos e ganhou um, estamos nos conhecendo melhor. Temos jogadores novos e isso está sendo a maior dificuldade, o entrosamento. Estreei como titular e fiz um gol”.

Uma da maiores dificuldades de Douglas neste momento é a comunicação. Para não sofrer com apuros, o volante faz aulas de inglês e conta com o auxílio do atacante brasileiro Wesley Moraes, que chegou também no meio do ano.

“O Wesley é um cara que virou um irmão. Conheci-o há pouco tempo, mas já o considero bastante. Ele está me ajudando muito porque fala o idioma”, finalizou.