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Clube espanhol foi sensação milionária da Champions há seis anos; hoje, luta contra rebaixamento por drama financeiro

Seis após surpreender em sua primeira participação na Champions League, derrotando e superando o Milan na classificação, o Málaga luta para sobreviver e agora para não ser rebaixado para a terceira divisão do Campeonato Espanhol.

É verdade que a competição ainda está no início (quatro rodadas jogadas) e a posição do clube da Andaluzia na classificação não é das piores (13º, com quatro pontos), mas o risco que bate na porta é de um rebaixamento administrativo.

Em meio ao caos adminsitrativo e financeiro das últimas temporadas, o Málaga violou as regras da competição ao excerder o próprio orçamento salarial, causado por um racha entre diretores que fizeram movimentos divirgentes no mercado.

Em uma manobra no último dia da janela de transferências, a diretoria se acertou e livrou-se de alguns nomes para ficar mais próximo do orçamento de pagamentos, mas não conseguiu e o risco de uma punição tornou-se real.

Segundo o "Marca", "em uma escala de 1 a 10, o risco de ser rebaixado por punição administrativa é 7,5". Isto porque o salário de muitos atletas manteve-se nos patamares anteriores. A folha do time está inflada.

O jornal espanhol publicou que o clube tem de arcar com 15 milhões de euros (cerca de R$ 67,4 milhões) de despesas, sendo que o fólego financeiro do clube é de 9,9 milhões de euros (R$ 43 milhões).

O dono do Málaga é o xeique Abdullah bin Nasser bin Abdullah Al Ahmed Al Thani, um homem rico, mas a imprensa espanhola afirma que ele está distante e, pior, não cumpriu nenhuma das promessas que vez ao virar dono, em 2010.

As promessas de fazer investimentos de alto nível, construção de um novo estádio etc. jamais aconteceram.

Para escapar das sanções da Liga e ser rebaixado, o Málaga tem três possibilidades para trabalhar. A primeira é o dono da equipe fazer um aporte financeiro de 6 milhões de euros (R$ 26,9 milhões). Apesar de aparentar ser a alternativa mais simples (afinal, o dono é mais do que milionário), todos estão céticos quanto a isso.

A segunda possibilidade é venda de jogadores de forma imediata e na próxima janela. O impacto seria no desempenho, com o risco de o time ficar bem enfraquecido e a briga pelo rebaixamento ser em campo. Ainda assim é a melhor opção.

A última possibilidade é a redução de custos por meio de um ERE (uma espécia de lay-off na Espanha), com redução da folha salarial dos colaboradores e, inivitavelmente, a demissão de outros.

A reportagem do "Marca" opina que o clube não deve ficar totalmente pessimista. Existe a possibilidade de a Liga conceder um prazo para que ele se adeque até janeiro, quando ele teria de equilibrar a folha salarial e lutar para sobreviver.

PARAÍSO E INFERNO

A situação causa revolta na fanática torcida do Málaga. O clube foi comprado por Abdullah bin Nasser bin Abdullah Al Ahmed Al Thani com a promessa de ingressas de vez no grupo dos grandes do país.

Somente na primeira janela de transferências, foram investidos mais de 85 milhões de euros (hoje, R$ 281 milhões).

A classificação para a Championes League 2012/13 foi o primeiro sinal de que realmente o Málaga estava iniciando uma nova era. Ainda mais com a campanha feita. Liderou a chave que tinha Milan, Zenit e Anderlecht.

Depois, eliminou o Porto nas oitavas de final e chegou a ficar próximo da semifinal. Foi eliminado pelo Borussia Dortmund, na Alemanha, jogo em que vencia por 2 a 1 até os 45 minutos do segundo tempo, mas levou uma surpreendente virada.

A situação começou a se inverter a partir daí. A Uefa puniu o Málaga e o excluiu de competições europeias por descumprimento das regras do Fair Play Financeiro. Ficou fora da disputa da Liga Europa de 2013/14.

Na sequência, o clube fez temporadas modestas. Obteve as seguintes posições: 11º, 9º, 8º, 11º e 20º, em 2017/18, quando foi rebaixado para a segunda divisão exatos dez anos após ter retornado à elite do futebol do país.

O casamento com o xeique já estava em seus piores momentos, com o pedido de torcedores para que ele deixe o clube. No entanto, punições administrativas também o impedem de colocar o Málaga à venda.