O Senado Federal brasileiro constatou, após análise de trocas de e-mails, que tanto o dono da companhia área LaMia quanto um corretor de seguros da AON sabiam que a companhia boliviana estava proibida de realizar voos em território colombiano. Mesmo assim a empresa transportou a delegação da Chapecoense para Medellín, onde seria jogada a final da Copa Sul-Americana há três anos, numa viagem que acabou de forma trágica, em 28 de novembro de 2016, com 71 passageiros mortos.
A informação foi publicada pelo Uol, nesta terça-feira.
Os e-mails analisados mostram que a responsávle pela LaMia, a venezuelana Loredana Albacete, ignorou que a companhia não podia realizar voos comerciais no espaço aéreo da Colômbia --a aeronave caiu em Cerro Gordo, em Medellín.
A restrição tem a ver com o risco de ataque terrorista na área.
Ainda assim buscou o contato com o representante da segurada para fechar o negócio, assegurando que a parceria seria interessante para ambos os lados devido aos clientes "no mundo do futebol".
Vale lembrar que a mesma empresa transportou a degalação da Argentina, com Messi, durante a eliminatória da Copa de 2018. Além disso, muitos voos tinham com destino países como Colômbia e Venezuela.
Os e-mails confirmam que foi o seguro foi firmado entre as empresas. Apesar disso, as famílias das vítimas até hoje não receberam o valor de indenização. Uma das defesas utlizadas pela seguradora para se recusar a pagar é que o seguro não cobria o voo realizado pela Chape porque o espaço aéreo da Colômbia é proibido para voos fretados.
Como descrito acima, os e-mails analisados pelo Senado Federal mostram o contrário. Que a AON sabia e ainda tentou, em uma das negociações de contrato, reduzir o valor de indenização para vítimas de 50 milhões de dólares para 25 milhões.
"A AON atuou somente como corretora de resseguros, ou seja, intermediando e apoiando na colocação da proteção de resseguros para a companhia seguradora. Qualquer tratativa sobre indenizações e reclamações, e sobre as condições do programa de seguros, deve ser conduzida com o segurador do risco. A AON não comenta assuntos de clientes", respondeu à empresa à tentativa de contato feita pelo Uol.
"A seguradora aceitou esse risco, recebeu a proposta e a emitiu. E nega o sinistro baseada na restrição territorial sabendo que tudo isso foi negociado, que iriam pagar. Sabiam que era usual voar para a Colômbia. Há uma culpa concorrente", disse Abel Dias, consultor especialista em seguros contratado pela Associação das Famílias de Vítimas do Acidente da Chapecoense.
