Apesar de o Manchester United estar indo para a primeira parada internacional com o pior começo de temporada desde 1992-93.
A boa notícia: depois de identificar a necessidade de negociar alguns jogadores que rendiam abaixo do esperado, as coisas acabarão melhorando em Old Trafford. A má notícia: existe um perigo real de as coisas piorarem antes que a luz apareça no final de um longo e escuro túnel para o clube de maior sucesso da era da Premier League.
Um empate contra o Wolverhampton e outro contra o Southampton, e a derrota em casa para o Crystal Palace são mais um reflexo de onde o United está neste momento do que a vitória por 4 a 0 na rodada de abertura contra o Chelsea. Se preparando para receber o impressionante Leicester na volta da pausa, a pressão já está começando a aumentar sobre Solskjaer e seus jogadores, que têm uma dura missão: ficar entre os quatro primeiros.
É possível argumentar que esse é o pior elenco que já defendeu as cores do United em Old Trafford nos últimos 30 anos. Em 1992-93, quando o United começou a campanha inaugural da Premier League com duas derrotas, um empate e uma vitória, o time se ajeitou no meio do ano e conquistou o título, o primeiro do clube desde 1967. Mas nem mesmo o mais otimista jogador, torcedor ou técnico teria coragem de dizer que o United vai replicar o que aconteceu há 27 anos.
Alguns podem contestar a sugestão de que este é o time mais fraco do United em três décadas, lembrando do sétimo lugar em 2013-14 com David Moyes, mas esse time tinha jogadores como Rio Ferdinand, Nemanja Vidic, Patrice Evra, Robin van Persie e Wayne Rooney para recorrer. A equipe de Solskjaer não possui essa profundidade de experiência ou qualidade, e isso se deve principalmente às contratações desastrosas do United desde a virada da década.
Não se engane, os problemas que o United enfrenta agora podem ser rastreados para um período antes da aposentadoria de Ferguson, com as saídas de Cristiano Ronaldo e Carlos Tévez em 2009 provando ser o início da queda do clube. A janela do início de 2019 deu uma bela enxugada no elenco do United. Embora admirável e sensata como uma estratégia de longo prazo, a decisão de limpar a casa e dar chance aos jovens pode se tornar perigosa, principalmente em uma competição tão exigente e implacável quanto a Premier League.
Desde janeiro, Solskjaer autorizou as liberações de Marouane Fellaini, Antonio Valencia, Ander Herrera, Romelu Lukaku, Alexis Sanchez, Chris Smalling e Matteo Darmian, com apenas Harry Maguire, Daniel James e Aaron Wan-Bissaka sendo contratados. Mason Greenwood, 17 anos, foi promovido ao time principal, com Tahith Chong, 19 anos, também tendo oportunidade.
Greenwood e Chong podem se tornar dois dos melhores jogadores do mundo, mas ainda não estão prontos para suportar o fardo de jogar pelo Manchester United.
No meio de campo, não há ninguém para cobrir uma eventual saída de Paul Pogba, caso ele se machuque ou seja suspenso, enquanto uma defesa que tinha sete jogadores antes da venda de Smalling para a Roma ainda conta com Ashley Young, agora com 34 anos, para substituir Wan-Bissaka e Luke Shaw.
O United claramente precisa reformular e reconstruir seu time, mas permitir que tantos jogadores saiam - principalmente depois que a janela fechou - é um risco enorme e possivelmente até negligente. A equipe do Solskjaer está desfalcada em todas as áreas do campo, mas deve encontrar um jeito de navegar com segurança até a janela de transferências de janeiro, sem sofrer muito.
Se o United tivesse conseguido nomear um diretor técnico - eles estão na procura por mais de nove meses - os buracos que apareceram no elenco poderiam ter sido preenchidos antes de aparecerem, mas talvez isso seja uma ilusão.
Enquanto isso, Solskjaer está de acordo com o plano de reformular o elenco, mas também admitiu durante a pré-temporada que precisaria de um substituto na frente se Lukaku fosse vendido. Ninguém chegou, no entanto, e Alexis Sánchez também saiu; em vez de ter um dentro e um fora, o United tinha dois fora e nenhum dentro. Eles também permitiram que dois meias experientes saíssem sem reposições e venderam dois laterais com apenas um sendo contratado.
O United acredita que pode levar até quatro janelas de transferências para que seu time volte a ser competitivo (dois anos), mas eles parecem ter feito todo o corte neste verão sem perceber a necessidade de um elenco forte. É uma estratégia ousada, mas com um treinador inexperiente no comando e muitos jovens em posições importantes, a dor a curto prazo pode sufocar o ganho pretendido a longo prazo.
