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Mino Raiola, o empresário de Balotelli que Flamengo terá que convencer, só assina 1º contrato; o resto é na palavra

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'Apareceu o Mino Raiola': Jorge Nicola explica por que negociação do Fla com Balotelli foi 'adiada' (2:19)

O vice de futebol Marcos Braz, o diretor executivo Bruno Spindel e o advogado Marcos Motta partiram em comitiva à Europa com reuniões marcadas pelo atacante italiano. (2:19)

O Flamengo enviou uma comitiva à Europa para negociar por Mario Balotelli. Um dos homens que estará na mesa é Mino Raiola, representante do jogador e que não é um empresário convencional. Acostumado a protagonizar grandes - e polêmicas - transferências nas janelas da Europa, seu método de trabalho é bastante simples: no "fio do bigode".

O ex-jogador Guilherme Siqueira contou ao ESPN.com.br que para o italiano a palavra vale muito mais do que qualquer minuta de contrato. E ele soube disso quando foi cobrar a renovação de vínculo com o agente, em 2003.

"A primeira procuração que assinei com o Mino tinha duração de um ano ou dois. Assim que venceu esse vínculo, eu fui procurá-lo para falar que tinha acabado. Ele me respondeu: ‘O meu perfil é esse. Só faço um contrato com o jogador: o primeiro. Dura um ano ou dois anos. Se gostou do meu trabalho, a partir disso eu não assino mais. É tudo no boca a boca. Tanto é que com o Zlatan, o Maxwell e os outros eu faço assim’. Fiquei surpreso”, disse Guilherme, em 2017.

Com uma lista de clientes que inclui astros do futebol mundial como Ibrahimovic, De Ligt, Pogba, entre outros, Raiola é famoso por seu temperamento. Ele costuma dificultar as negociações com os clubes.

“O cara tem muita credibilidade lá fora. Não vai ser um papel e uma caneta que fará ele trabalhar melhor ou pior. Esse é o perfil dele e os atletas o respeitam muito. A partir do momento que você tem algo apalavrado com o Mino Raiola sabe que o negócio é sério”, relatou.

Em 2001, a advogada paulista Rafaela Pimenta, braço direito de Raiola, convenceu o lateral-esquerdo que estava no Figueirense a assinar um contrato.

“Eu tinha recebido muitas sondagens de empresários porque tinha sido convocado para a seleção brasileira sub-17. Mas eles tinham muita vontade de trabalhar comigo. O Mino naquela época não era tão conhecido e me colocaram para conversar com um menino que trabalhava com eles naquela época, o Edno [ex-atacante de Corinthians e Portuguesa]. Ele era do Avaí e tinha sido levado por eles ao PSV, da Holanda. Eu peguei referências do Mino e acertei", declarou.

"Eu queria muito conhecê-lo pessoalmente. O Mino costumava vir muito para o Brasil, mas ficava uns dois dias em São Paulo [onde a advogada Rafaela Pimenta tem escritório] e ia embora", falou.

Curiosamente, a primeira impressão que Guilherme Siqueira teve do empresário foi bastante peculiar.

“Eles fizeram um grande esforço e o Mino foi para Florianópolis. Estavam eu, meus pais e minha irmã e iríamos jantar com ele em um hotel. A Rafaela e o Gabrielli, que era scout do Mino, estavam sentados à mesa conosco”, contou.

“Quando a porta do elevador se abriu eu vi sair de lá um cara de roupa de corrida, tênis, barriguinha aparecendo e um cabelo enorme parecendo o do Marcelo do Real Madrid (risos). Eu pensei: ‘Caramba, esse cara é o meu representante’ (risos). Foi muito engraçado na hora o susto que tomei", afirmou.

Guilherme Siqueira rapidamente percebeu que a aparência de Mino Raiola disfarçava um dos mais astutos agentes do futebol.

“Assim que fui para Europa eu vi o respeito que as pessoas tinham por ele e o trabalho dele de perto. É um cara que hoje é o maior empresário do mundo ao lado do Jorge Mendes [agente de Cristiano Ronaldo]. É um cara que tenho um carinho enorme porque me tirou do Figueirense e apostou em mim. Tenho ótimas lembranças dele”, garantiu.

Sob a tutela de Mino Raiola, Guilherme Siqueira passou por Inter de Milão, Lazio, Udinese e Ancona. A parceria entre eles acabou de forma amigável quando o brasileiro foi para o Granada-ESP, em 2010.

O acordo foi feito todo sem burocracias, da forma como o italiano gosta.

“Eu vivia um momento profissional e achava que ele não poderia me ajudar. Tivemos uma conversa bem franca e ele entendeu. Acabei optando por mudar para o empresário Álvaro Torres da empresa You First, da Espanha”, falou.

Depois disso, Siqueira jogou por Benfica, Atlético de Madri e Valencia. Atualmente, o brasileiro está aposentado.