<
>

Ele era pedreiro, foi de nona opção a 'Neymar do Piauí' e agora revê Athletico-PR em final no Japão

A Copa Levain Cup (antiga Copa Suruga) será a chance do atacante Crislan, do Shonan Bellmare-JAP, reencontrar seu ex-clube, o Athletico Paranaense. O jogo, que será realizado nesta terça-feira, às 7h (de Brasília), terá transmissão da ESPN Brasil e do WatchESPN.

"Será especial porque o Athletico foi o meu primeiro time grande fora do Piauí, que me deu a oportunidade de jogar de realizar sonhos, um time que está dentro do meu coração e onde eu fiz grandes amigos", disse, ao ESPN.com.br.

A competição reúne o campeão da Copa Sul-Americana e o da Copa J-League de 2018.

“Faz um tempo que não enfrento uma equipe brasileira. Mas acompanho oas competições sempre que posso. Sei da qualidade do Athletico e que não teremos vida fácil. Vamos nos preparar bem para essa final”, disse.

Antes de passar pelo time rubro-negro, porém, o jogador de 28 anos chegou a trabalhar como pedreiro para ajudar em casa.

"Eu fui auxiliar de pedreiro para o meu pai. Ia a algumas casas que ele trabalhava e fazia massa para ele, que levantava parede e colocava os tijolos. Era divertido, eu ficava o dia todo com meu pai", contouo matador, em entrevista à Rádio ESPN, em 2015.

A paixão pela bola, porém, era grande, e o atacante resolveu fazer um teste no Piauí Esporte Clube, clube de Teresina conhecido como "Enxuga Rato". Passou e entrou em uma rotina desgastante: trabalhava nas construções de manhã e treinava de tarde.

"A gente precisa sempre procurar uma saída para se manter, porque o futebol lá não oferece estrutura pra você se dedicar só a isso, então eu tentava ganhar o meu dinheiro. Desde moleque não gostava de pedir, queria ganhar o meu", lembra o camisa 9, que não sabe a origem de seu nome, digamos, diferente.

"Minha irmã tem o nome de Crislaine, que é mais comum, acho que foi por isso que minha mãe colocou... Já ouvi de técnicos assim: 'Posso me esquecer de qualquer jogador, menos de você, pelo nome e pelo futebol (risos)'. É bem diferente mas acho legal, meus pais me deram com carinho, mas nunca soube a origem", sorri.

9ª opção no Piauí

Muito jovem, ele era apenas a quarta opção de ataque do Piauí quando chegou, quase sem chances de jogar. E a situação só piorou depois que a diretoria contratou reforços.

"Eu era a quarta opção do ataque, daí chegaram mais cinco, e eu fiquei sendo a nona opção! Estava começando a falar pra minha mãe que ia desistir, que não ia conseguir. Mas ela falava: 'Não desista, você vai ter uma chance'", recorda.

"Então teve um amistoso contra o Barras que foi um divisor de águas na minha vida. Entrei faltando 20 minutos eu fiz quatro gols! Aquilo foi marcante pra mim e eu virei titular. Depois, fiz um gol de empate contra o Fortaleza na primeira bola que chegou no meu pé. Daí em diante, as coisas começaram a melhorar", narra.

Na sequência, o canhoto foi bem em uma Copa São Paulo de Futebol Júnior, fazendo quatro gols em três jogos, e chamou a atenção do Comercial de Campo Maior, também do Piauí, que o contratou em 2010.

Logo no ano seguinte, teve seu primeiro momento de brilho, chamando a atenção do Palmeiras em um jogo da Copa do Brasil. Foi em 23 de fevereiro de 2011, quando o Comercial recebeu a equipe alviverde e perdeu por 2 a 1. Crislan entrou no lugar de Zé Rodrigues e mudou o jogo a favor de seu time, que então perdia por 2 a 0, mas conquistou o gol salvador, que deu direito ao time piauiense de disputar a volta no Pacaembu.

"Eu entrei faltando uns 25 minutos para terminar e quase fiz um gol. Recebi a bola e dei um giro no Chico [ex-volante e zagueiro do clube paulisa], mas quando ia fazer o gol acabei errando", relata o atleta. Segundo ele, o lance foi o suficiente para chamar a atenção do Palmeiras.

"Nos dias seguintes, até rolou uma conversa de um interesse deles no meu futebol, mas acabou não dando certo, não era nada concreto...", lamenta.

Do Comercial, Crislan foi para o River, clube pelo qual foi artilheiro do Estadual e ganhou o apelido de "Neymar do Piauí". Rodou ainda por Salgueiro e Belo Jardim, ambos de Pernambuco, antes de chegar ao Atlético-PR, em 2013,

Do clube curitibano, foi emprestado ao Náutico e depois comprado pelo Andraus, time de empresários do Paraná que o repassou ao Penapolense no início de 2015. No Estadual, ele fez 9 gols e chegou a brigar pela artilharia.

Depois, ele rodou por Braga-PORT, Tondela-POR, Vegalta Sendai-JAP, Shimizu S-Pulse-JAP até chegar ao Shonan Bellmare-JAP, no começo deste ano.