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Homenagem ao pai, 'workaholic' e começo como técnico: Frank Lampard abre o jogo em volta ao Chelsea

O empate contra o Norwich, em maio de 2014, marcou a despedida de Frank Lampard como jogador do Chelsea, mas nem de longe significava sua última ida a Stamford Bridge com objetivos profissionais.

"É, obviamente, uma ótima oportunidade para mim no clube que todos sabem que eu amo", declarou em entrevista exclusiva aos canais ESPN.

Hoje técnico do clube que defendeu durante 13 anos, o Super Frankie, como foi apelidado pela torcida, se tornou uma nova fonte de esperança em uma temporada que, para muitos, poderia estar condenada.

Há dois meses, enquanto o Chelsea encerrava uma campanha de pouco brilho, mas inesperadamente coroada com uma vaga para a próxima Champions League, o ex-jogador esteve próximo de promover o Derby County à Premier League ainda em seu primeiro ano de experiência.

"Olhando de fora, deu muito Certo no Derby. Faltou pouco para chegar onde queríamos. Mas foi um período de grande aprendizado para mim. Você aprende todos os dias. Felizmente, eu tive uma carreira, como sempre digo, cercada de boas pessoas. O staff que conheci no Derby e as pessoas que estão comigo no Chelsea agora. Isso obviamente ajuda, não dá para dirigir uma equipe sozinho", afirmou.

É no Chelsea que Frank Lampard encontrará mais um grande desafio para seu segundo ano como treinador. Agora na elite do futebol inglês, ele terá de trabalhar essencialmente com a base do clube londrino para repor peças importantes, como Eden Hazard, sem a possibilidade de fazer contratações.

"Sabemos que temos o que temos e nós acreditamos nisso, nos jogadores jovens, etc. Eu sempre quero progredir, claro, mas sabemos qual é a situação e depende de nós superar esse desafio. Depende de nós mostrar que somos um bom time, que temos bons atletas e que vamos competir. Onde os outros times estão ou não, isso não é problema nosso", declarou Frank sobre as expectativas para a temporada.


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Com sua estreia programada para o próximo domingo, contra o Manchester United em Old Trafford, o treinador mostrou entusiasmo; mas o compromisso mais esperado por ele ainda levará mais uma semana, quando entrará pela primeira vez no Stamford Bridge em seu novo cargo de forma oficial. O clássico ocorrerá no domingo, às 12h30 (de Brasília), com transmissão da ESPN Brasil e WatchESPN.

"Estou bem ansioso, e a chance de voltar no ano passado com o Derby foi muito especial para mim. A recepção que eu tive por parte dos torcedores foi incrível. Agora...como eu disse antes, essa é a minha casa. Foram 13 anos aqui, o suporte que eu tive desde o primeiro dia foi enorme, e isso me deixa muito animado, particularmente para o primeiro jogo, contra o Leicester".

Do outro lado das quatro linhas

Ao voltar um pouco no tempo, Lampard relembrou alguns grandes momentos como jogador com a camisa dos Blues. O primeiro título do Chelsea na Era Premier League - e também Abramovich - chegou após uma vitória sobre o Bolton em 2004/05, quando o ex-camisa 8 marcou os dois gols do triunfo.

"Me deixa arrepiado quando eu revejo esses momentos. Com certeza. Esse jogo contra o Bolton, a primeira vez em que o Chelsea conquistou a Liga há 15 anos, o grupo que tínhamos. Os jogadores tinham uma união especial e eu tive a felicidade de marcar os dois gols", disse durante a entrevista. "O que tínhamos naquele ano me traz lembranças fantásticas".

Frank também relembrou a icônica comemoração após marcar o gol do título da FA Cup de 2009. A corrida ao redor da bandeira fazia referência à celebração do pai, também ex-jogador, quase 30 anos antes. Frank Richard George Lampard foi lateral esquerdo do West Ham entre 1967 e 1985, e peça importante da conquista do título da Copa da Inglaterra de 1980.


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O pai de Frank James Lampard foi o autor do gol que levou os Hammers à vitória sobre o Everton na prorrogação e, consequentemente, à final contra o Arsenal.

"Ele não marcou muitos gols, jogava como lateral esquerdo. Então eu recriei [essa comemoração] quando marquei um gol na final. Mas eu lembro que o meu foi em uma final e o dele em uma semifinal", sorriu o treinador com a lembrança.


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A memória favorita, no entanto, fica por conta de uma de suas últimas conquistas com a camisa dos Blues. "É o melhor da minha carreira", declarou ao rever as imagens da final da Champions League de 2011/12.

Frank não foi o autor do gol que levou a equipe aos pênaltis após sair perdendo para o Bayern de Munique, mas era o capitão da equipe e um dos batedores oficiais - terceiro da lista, segundo a converter a cobrança. Como atleta, chegou a quatro semifinais antes e a uma final em que viu o próprio Manchester United, seu adversário na primeira rodada da Premier League, sair vencedor.

"No final todos começam a me puxar e me levantam e o Bosingwa vem e me agarra bem no momento da câmera. Mas é o melhor da minha carreira. Trabalhamos durante muito tempo para ganhar a Champions League. Como clube nós tivemos falhas em finais, semifinais, e todo torcedor do Chelsea que estava em Munique assistindo aquele jogo acredito que também diria que aquela foi uma das melhores noites de suas vidas", completou, mergulhado na doce lembrança: o dia em que, junto ao time que torcia, chegou ao 'topo do mundo'.