Um relatório da Sindicância realizado pela Comissão Transitória de Apuração, criada pelo ex-presidente do Cruzeiro e atual presidente do Conselho Deliberativo, Zezé Perrella, apresentou ao menos oito pontos "inconsistentes" nos documentos analisados do exercício de 2018 do clube celeste, primeiro ano da gestão de Wagner Pires de Sá à frente do clube.
Jarbas Matias dos Reis e Walter Cardinali Júnior são os responsáveis pelo relatório que aponta aumentos substanciais de salários e gastos irregulares em um arquivo de 70 páginas ao qual os canais ESPN tiveram acesso.
Entre dezembro de 2017 e abril de 2019, o Cruzeiro aumentou sua folha salarial em R$ 7,5 milhões. O gasto com o Conselho Deliberativo, antes inexistente, agora tem 30 membros remunerados pelo valor mensal de mais de R$ 670 mil.
O relatório aponta oito tópicos inconsistentes na questão financeira:
- Valores pagos diferentes dos contratados;
- Funcionários contratados por CLT que também prestam serviços através de empresas em que são sócios;
- Contratos inativos que ainda recebem pagamentos;
- Contratos de 2018 em o contratado recebeu pagamentos referente a serviços prestados em 2017, cuja função inexistia;
- Mais de um intermediário para negociação de um mesmo atleta;
- Pagamento de intermediação para renovação de contrato de atletas que já são do Cruzeiro;
- Objetos contratados diferentes da prestação de serviço;
- Contrato de prestação de serviço, cuja contratada não teve identificado no clube o seu trabalho.
O relatório não cita nomes, mas aponta o salários dos membros da diretoria executiva e da presidência.
Um membro da diretoria que ganhava R$ 2.525,00 mensais teve um aumento salarial de 890% e agora tem vencimentos de R$ 25 mil. Outro diretor teve os ganhos aumentados em 230%, de R$ 18 mil para R$ 60 mil.
O relatório também cita os salários de dois membros da presidências aumentados em 126% (R$ 12,3 mil para R$ 28 mil) e 100% (R$ 6 mil para R$ 12 mil).
