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Tiro-lirolá, tiro-liroli: 70 anos de Osmar Santos e sua incrível vontade de viver

“O tempo passa, torcida brasileira”. O bordão criado pelo saudoso locutor Fiori Giglioti, falecido em 2006, representa bem a bela trajetória e a lição de vida que Osmar Santos virou, principalmente depois do grave acidente que sofreu em dezembro de 1994.

Faz quase 25 anos que o “Pai da Matéria”, como Osmar era chamado pelos companheiros, teve sua vida radicalmente mudada.

Era um dia chuvoso, na antevéspera de Natal, quando Osmar decidiu sair de Marília, no interior de São Paulo, para se dirigir para Tupã, onde no dia seguinte participaria de uma festa com os funcionários de uma de suas revendedoras de automóveis.

Nessa noite, com a chuva que caia na Rodovia Transbrasiliana, nas proximidades de Lins, no município de Getulina, a Mercedes em que o locutor dirigia colidiu na rabeira de um caminhão, dirigido por um motorista embriagado, que fazia uma manobra proibida no meio da estrada. Relatos dizem que o condutor do caminhão, bêbado que estava, viu que estava indo na direção contrária de sua casa quando resolveu fazer a manobra assassina.

No documentário “Vai Garotinho que a Vida é Sua”, produzido pelos canais ESPN, recolhemos informações de que um veículo, pouco antes do acidente, que vinha na direção contrária, deu sinal de luz para o carro de Osmar. Mas não deu tempo de o locutor desviar totalmente do caminhão. E a Mercedes de Osmar Santos pegou de raspão no outro veículo.

Um pedaço do vidro do lado esquerdo do carro se encontrou com um dos ganchos da carroceria da traseira do caminhão. O carro de Osmar quase ficou intacto, não fosse aquele gancho que atravessou o para-brisa da Mercedes atingindo também a cabeça do locutor.

O choque foi profundo e quase mortal. Tirou de Osmar cerca de 15 centímetros de massa encefálica. Ele só sobreviveu porque, além da mãe e dos irmãos, também é um homem de muita fé.

O acontecimento chocou o Brasil. Como um alguém tão poderoso quanto um Fausto Silva de hoje podia ficar quase inválido?

Osmar não ficou! Aliás, jamais se entregou aos duros obstáculos e à drástica mudança de vida que vem enfrentado há 25 anos.

O artista da voz tornou-se um talento dos quadros. Sim, Osmar com toda a dificuldade de locomoção, uma vez que o acidente que afetou parte do cérebro do lado esquerdo praticamente acabou com a voz e também com os movimentos do lado direito, começou a pintar, virou um artista, mais uma vez na acepção da palavra.

Muitos conheceram ele no auge da fama, com prestígio e dinheiro.

Nós, da equipe do documentário, conhecemos um Osmar completamente diferente.

No especial “Vai Garotinho que a Vida é Sua”, mais do que contar um pouco da trajetória no rádio, desde o início em Osvaldo Cruz (terra natal dele e da família), mais do que as passagens pelas ondas cutas de Marília até a chegada a São Paulo, passando pelas rádios Jovem Pan e Globo, mostramos como Osmar e a família dele superaram essa difícil barra pós acidente.

Não foi uma missão das mais fáceis, até porque a gente não sabia se dava para fazer uma entrevista, propriamente dita com Osmar Santos. Então, antes do encontro com ele gravamos com os grandes personagens que participaram de sua história. Aí que surge um detalhe que nos deixou de cabelo em pé. Todas as vezes que falávamos o nome do pai dele, o senhor Romeu, já falecido, algo acontecia com o sistema de iluminação. Ou a luz apagava, ou começava a piscar do nada, enfim, quando era com a família então, sempre algo de estranho acontecia quando o nome do velho pai era citado. E, logo descobrimos que não era à toa. Seo Romeu era benzedor no sítio onde a família morava em Osvaldo Cruz, no interior distante, quase 500 km da capital paulista.

Com o Osmar a coisa também não pareceu diferente.

Durantes as gravações com o Osmar pintando quadros, a sensação que tivemos é que as obras tinham algum auxílio de outro mundo, ou de outra energia enquanto ele desenvolvia as artes.

A forma impressionante de pintar, com uma mão só, as mais diversas figura e paisagens, ali, vendo tudo de perto, nos leva acreditar que existe algo sobrenatural durante o período de confecção de cada quadro, que dura em média duas a três horas, todos os dias pela manhã.

Durante as gravações com os irmão Oscar Ulisses (locutor da rádio Globo) e com Osório, psicanalista, ouvimos histórias inacreditáveis de força e fé. Oscar, por exemplo, nos contou que Osmar um dia lhe disse que não adiantava chorar o leite derramado do copo, mas era importante valorizar o que sobrou para beber. Que não adiantava lamentar o que perdeu, mas dar valor ao que restou, que a vida é o que mais importa.

Osório disse que nunca viu, nesses últimos 25 amos do acidente o irmão Osmar reclamar de algo. Falou ainda que quando está meio triste liga para ouvir o bom dia do irmão mais velho que está sempre feliz.

Esse é o Osmar que conhecemos há cinco anos, desde o documentário que fizemos para ele, a pedido do diretor de jornalismo dos canais ESPN, João Palomino.

Na singela homenagem ao aniversário que fizemos a ele, que está acima, tentamos retratar um pouco da força desse Homem que chega aos 70 anos, cheio de gás e sabedoria para nos ensinar.

Essa reportagem é para todos, principalmente para aqueles que reclamam de qualquer dorzinha de cabeça, de uma unha quebrada, de um pisão que levou na rua ou de um vizinho mal educado que nunca responde ao seu bom dia.

Ah, se você não assistiu ao documentário: Vai Garotinho que a Vida é Sua, então aproveita essa data de aniversário de 70 anos do “Pai da Matéria”, clicando aqui, no WatchESPN, e confira um pouco da fantástica história desse fenômeno do rádio e da vida.

Parabéns, Osmar Santos!

Vida longa, Garotinho !!!!!!!!