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Reunião no São Paulo cobrará de Leco devassa no futebol e contratações, gastos e cargos

O presidente do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, terá nesta quinta-feira um encontro com representantes da base aliada para tratar do futebol do clube. Previsto para o início da tarde, a reunião no Morumbi pode impactar o futuro do departamento.

Apesar de serem aliados, o encontro deve ter um teor mais forte, de cobrança. Fontes ouvidas pela reportagem afirmaram que o grupo trará à mesa uma meta antiga de reestruturação no departamento proposta por eles e que já foi externada ao mandatário.

Juntos, esses aliados representam cinco grupos com 82 conselheiros. O movimento tem crescido e alguns entendem que pode passar para até 110 conselheiros. Eles contam com figuras importantes na política interna, como Marcelo Pupo (presidente do conselho), Carlos Belmonte (diretor do social), Adilson Martins, Júlio Casares e Silvio Medici, estes três são integrantes do conselho de administração.

Leco será cobrado e orientado a promover mudanças sem adiamento. Os aliados pretendem mostrar que há pelo menos uma década o clube perdeu "a mão" com constantes trocas de técnicos, diferentes diretores de futebol e filosofias de trabalho descontinuidades.

Essa é a explicação que eles enxergam para anos sem títulos e crises recorrentes.

Da saída de Muricy Ramalho, então consagrado tricampeão brasileiro consecutivo em dezembro de 2008 e demitido em junho de 2009, o São Paulo teve exatos 30 comandantes até hoje, entre técnicos efetivos e interinos, alguns intercalando períodos diferentes no cargo, como Milton Cruz (demitido em 2016), ou Ricardo Gomes e o próprio Muricy Ramalho, que saíram e voltaram.

O número de chefes no departamento também foi alto. O atual presidente foi vice de futebol de 2006 até 2011. Depois vieram João Paulo de Jesus Lopes, Ataíde Gil Guerreiro e José Alexandre Medicis, o último antes de o cargo ser extinto.

A diretoria de futebol também passou por diferentes mãos. Recortando o mesmo período, o clube viu Jesus Lopes, Adalberto Baptista, Rubens Moreno, Luiz Cunha (que ficou somente três meses) e José Jacobson Neto no comando.

Houve ainda os executivos, como Gustavo Oliveira (filho do ex-jogador Sócrates), Marco Aurélio Cunha (de setembro de 2016 até janeiro de 2017), Vinícius Pinotti e Raí, desde dezembro de 2017. Quase todos com cargos remunerados.

Ainda teve Ricardo Rocha durante o ano passado e Vagner Mancini neste como coordenadores. Também tem Alexandre Pássaro como gerente de futebol desde o início da atual gestão.

A base aliada, que representa inúmeros conselheiros e dá sustentação à governança de Leco, pedirá uma avaliação rigorosa do custo benefício do setor, isto é, o número de funcionários, a função de cada um e os resultados apresentados.

A necessidade de funcionar com o número atual de pessoas também será avaliada. O gasto mensal é próximo de R$ 12 milhões.

Haverá também pedido para que seja feito uma descrição de cargos de cada colaborador do CT, além de uma exigência para que as ações entre os CTs de Barra Funda e Cotia passem a coexistir.

As fontes ouvidas também afirmaram que a pauta não será exclusivamente visando demissões, mas sim de ajustes e com sugestões, como reciclagem para os que têm mais tempo de departamento, avaliação de desempenho, criação de meritocracia e "cortes".

Um dos pontos que receberá atenção especial é o setor de avaliação de desempenho. As fontes dizem que há um incômodo com contratações que exigiram recursos do clube e que acabaram sendo desvalorizadas ou pouco aproveitadas.

Na lista estão muitos casos. Alguns dos citados foram Everton Felipe, cuja segunda parcela ao Sport custou R$ 6 milhões aos cofres tricolores, o goleiro Jean, com investimento de quase R$ 8 milhões, Maicosuel, que acaba de retornar do Paraná Clube com o contrato rescindindo, tem apenas nove jogos pelo time do Morumbi e deve ter o contrato rescindindo, e Tréllez, que custou R$ 6 milhões, ficou um ano no São Paulo e foi emprestado em 2019 ao Internacional (onde acumula apenas 9 jogos).

As constantes eliminações em torneios eliminatórios também será objeto da pauta. Algumas fontes pretendem questionar que há alguns anos os times formados pelo São Paulo não mostram reação e que a diretoria deve cobrar mais comprometimento.

Segundo as fontes consultadas, o técnico Cuca será poupado e até deve ser beneficiado com as mudanças que serão propostas. O entendimento é que o treinador tem encontrado dificuldade para trabalhar e precisa de ajuda.

Cuca tem dito a pessoas próximas que o período de pausa do Campeonato Brasileiro para a Copa América (cerca de um mês a partir de 13 de junho) será decisivo para ele trabalhar como deseja e reerguer a equipe.

Atualmente o São Paulo tem 12 pontos e ocupa a oitava colocação na competição.