Segundo o jornal Le Parisien, especializado na cobertura dos bastidores do Paris Saint-Germain, a acusação de estupro que recaiu sobre o atacante Neymar deixou o jogador com "imagem deteriorada", enquanto o clube ficou "desconfortável".
De acordo com o diário parisiense, há agora um "véu escabroso" em cima do camisa 10, principalmente depois do compartilhamento de conversas que ele teve com a mulher que o acusa e a divulgação de fotos íntimas - tudo foi apagado nesta segunda-feira.
"Imagem deteriorada: o soco que Neymar deu no torcedor do Rennes depois da final da Copa da França lhe rendeu três jogos de suspensão (o PSG apelou) e a perda da braçadeira de capitão da seleção brasileira na Copa América. Mas essa acusação de estupro vem para piorar ainda mais a imagem de um jogador cujas escapadas regulamente fazem a festa da mídia brasileira", salienta o veículo.
"A divulgação de mensagem e fotos íntimas coloca um véu escabroso em cima do ícone outrora conhecido por seu sorriso quase infantil. Os patrocinadores é quem não devem ter gostado nada disso...", ironizou.
"Enquanto isso, seu clube não se manifesta desde sábado, mas é certo que a revelação do caso pouco ajuda em sua imagem que sua família trabalha tanto para promover. Nem é preciso falar no desconforto que foi criado...", completou.
O inquérito policial ficará em São Paulo, onde a denúncia foi feita. Embora tenha supostamente acontecido em Paris, o estupro pode ser investigado no Brasil, e Neymar ser julgado com base nas leis brasileiras em virtude do princípio da “extraterritorialidade”.
Segundo o Código Penal, em seu sétimo artigo, crimes cometidos por brasileiros, mesmo que em território estrangeiro, ficam sujeitos à lei brasileira.
Na manhã de domingo, o delegado Bruno Gilaberte, da 110ª Delegacia de Polícia, de Teresópolis, esteve na Granja Comary para apurar se Neymar estava na cidade quando gravou o vídeo expondo a conversa que teria tido com a mulher que o acusa. Isso por que ele pode ter cometido crime previsto no artigo 218-C do Código Penal.
Por não ter sido cometido em Teresópolis, a investigação ficará a cargo da DRCI (Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática), que tem atribuição em todo o Estado do Rio de Janeiro. O inquérito será aberto nesta segunda-feira, e Neymar deve ser chamado para depor e ter seu celular periciado. O mesmo deve acontecer com a mulher.
As penas previstas no artigo 218-C são de reclusão de um a cinco anos, podendo ser aumentada de um a dois terços se “o crime é praticado por agente que mantém ou tenha mantido relação íntima de afeto com a vítima ou com o fim de vingança ou humilhação.”
