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Lado B da Copa América: Davinson Sánchez foi descoberto em pelada por Osorio e pode formar time ideal improvável

Esta é a oitava matéria da série Lado B da Copa América, que trará, semanalmente, sempre às terças-feiras, histórias relacionadas ao torneio que acontece no Brasil em 2019. Nada de esquema tático ou entrevistas de frases feitas, porém. Aqui, o conteúdo irá muito além das quatro linhas...

Dida; Cafu, Roque Junior, Walter Samuel e Juan Pablo Sorín; Danilo, Ronaldinho Gaúcho e Solari; Tevez e Neymar.

Uma verdadeira constelação com algo em comum: os dez conquistaram Libertadores e Uefa Champions League em suas carreiras.

Para chamar propriamente de seleção sul-americana, porém, é preciso mais do que apenas brasileiros (seis) e argentinos (quatro). Falta um jogador de outra nacionalidade – até mesmo para formar o 11 ideal.

E a equipe pode ser completada no próximo sábado.

O colombiano Davinson Sánchez faz parte do Tottenham que disputará sua primeira final de Liga dos Campeões da Europa contra o Liverpool em Madri.

O jogador de 22 anos já tem em seu currículo uma Libertadores conquistada em 2016 pelo Atlético Nacional, sendo titular em todas as 14 partidas da campanha.

Natural de Caloto (a 50km de Cali, cidade com pouco mais de 17 mil habitantes), Davinson Sánchez começou a jogar futebol pelo América de Cali. Com 1,89m, ele logo chamou a atenção nas categorias de base atuando como volante.

Um técnico que estava de férias disputando uma “pelada” na famosa cidade colombiana, no entanto, viu outro tipo de potencial no hoje atleta do Tottenham.

“Eu o conheço muito bem”, disse Juan Carlos Osorio em entrevista à Sky Sports em 2017. “Eu estava treinando o Atlético Nacional. Depois de ganharmos um título, nós fomos para Cali, e eu fui convidado a jogar futebol – o que gosto de fazer com meus amigos e – notei este garoto. Realmente eu gostei do que vi”.

“No final do dia, eu perguntei a ele – que era Davinson – se gostaria de se juntar ao Nacional. Ele tinha só 17 anos. A única coisa era que ele jogava como volante, e eu lhe disse: ‘Eu posso vê-lo com as qualidades para jogar como zagueiro’”.

“Ele aceitou o desafio e então foi para Medellín. Nós treinamos com ele por dois anos na primeira equipe e aos 19 lhe demos a estreia”, relembrou-se o treinador.

Osorio também foi responsável por outra mudança significativa na carreira de Davinson Sánchez: dizer não ao Barcelona para aceitar uma proposta do Ajax.

“Eu me lembro de ele me ligar e me perguntar ele deveria ir para Ajax ou Barcelona, que estavam interessados. Eu só pensei que a melhor coisa para ele era jogar futebol, e talvez no Barcelona ele não tivesse tempo de jogo, seria um reserva”, falou.

“Isso é o que ele decidiu fazer, e então foi para a Holanda. Ele jogou uma temporada muito boa, e o Tottenham decidiu ir atrás dele. É fantástico de ver quando um jogador pode ter um crescimento na carreira assim em tão pouco tempo”, elogiou Osorio.

Para quem saiu de Caloto com destino hoje a Londres (com seus mais de 8 milhões de habitantes), ele pode estar bem orgulhoso.

Três vezes campeão colombiano, um título da Libertadores, eleito o melhor jogador do Ajax na temporada 2016/17.

Titular absoluto da zaga da seleção de seu país – e com uma Copa América pela frente logo depois da final da Champions no chamado "grupo da morte" contra Argentina, Paraguai e Catar.

A Colômbia que, por sinal, tem apenas um título conquistado em 2001 em seus domínios.

Davinson Sánchez, aos 22 anos, seguirá fazendo história tão precocemente – e que bela aquisição o 11 ideal dos campeões de Champions e Libertadores pode ter!